05/09/2013
Quase uma semana após o apagão que deixou todos os Estados do Nordeste sem energia, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu ligar 1.000 megawatts (MW) em usinas térmicas da região para diminuir a necessidade de transmissão de eletricidade vinda de outras partes do Brasil A medida deve durar até que o governo conclua a avaliação sobre a segurança das redes atingidas por uma queimada.'Talvez essa necessidade não seja maior do que 15 dias', afirmou o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann. Segundo ele, com a geração térmica de 1.000 MW locais, a energia transportada para a Região Nordeste diminuirá de 3.800 MW para 2.700 MW. Dessa forma, as linhas de transmissão que conectam os Estados nordestinos ao Sistema Interligado Nacional (SIN) estarão menos carregadas e, portanto, menos suscetíveis a ocorrências de grandes proporções como a da última quarta-feira.
Em nota, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que o apagão foi causado por queimadas em uma fazenda no interior do Piauí. O fogo teria se aproximado de linhas de transmissão por causa do acúmulo de vegetação, em áreas sob responsabilidade das concessionárias. A Taesa, que administra uma das linhas, diz ter cumprido todas as normas e afirma que ainda é cedo para concluir as causas da interrupção de energia.
'A decisão (de ligar as térmicas) não tem a ver com o nível dos reservatórios, O objetivo é dar segurança à transmissão após problemas da última semana', disse Zimmermann. 'Você planeja o sistema para manter o atendimento mesmo com perda de uma linha, mas houve pro; blema em duas. Com anova configuração, a queda de duas linhas não causaria apagão.'
A possibilidade de acionamento das térmicas já havia sido levantada, um dia antes, pelo diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, durante evento no Rio. Além de ter enfrentado o apagão na semana passada, os reservatórios de água do Nordeste também estão em níveis críticos.
Como outras térmicas do País estão sendo desligadas à medida que a estação chuvosa se aproxima, os consumidores não devem ter custos adicio-; nais com o despacho dessas usi-; nas no Nordeste, avaliou o secretário. 'É uma medida de prevenção para que haja uma verifi-? cação da vegetação sob as linhas na região Nordeste', com: pleiteou Zimmermann.
Anteontem, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, prometeu enviar um ofício às empresas de transmissão alertando para a necessidade de se fazer uma varredura em suas linhas para garantir que a vegetação não ameace as torres.
De acordo com o governo, se as empresas responsáveis pelas duas linhas afetadas no apagão do Nordeste tivessem realizado a manutenção adequada da mata em suas redes, o incêndio florestal em Canto do Buriti (PI) não teria causado o desligamento em série da força.
O Estado de S. Paulo
Em 05/09/2013.