Florestas têm alto potencial contra o efeito estufa, diz IPCC

11/05/2007
SÃO PAULO - O relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC) divulgado nesta sexta-feira, 4, em Bangcoc, afirma que as florestas têm potencial para reduzir as emissões globais de dióxido de carbono e ampliar a remoção do gás causador do efeito estufa do ar, como parte dos esforços para contenção do aquecimento global até 2030.

Atividades ligadas às florestas podem ser planejadas para se integrar a programas de desenvolvimento sustentável, segundo o texto, com impacto positivo na preservação ambiental e na redução da pobreza..

O relatório afirma que 65% de todo o potencial de mitigação das emissões, se o preço da emissão de carbono ficar abaixo dos US$ 100 a tonelada, está nos trópicos, e 50% desse potencial poderia ser atingido com reduções no desflorestamento. O texto adverte que a mudança climática poderá afetar esse potencial. Biocombustível..

Os biocombustíveis, como o etanol, poderão desempenhar um papel importante na redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, com potencial para representar de 3% a 10% da demanda total de energia para transportes em 2030. O texto adverte, porém, que a redução nas emissões depende do modo como o biocombustível será produzido e na disponibilidade de terra arável e de água. `O uso disseminado de terra agrícola para produção de biomassa para energia poderá competir com outros usos da terra`, com efeitos ambientais e na segurança alimentar da população que podem ser tão `positivos quanto negativos`..

Opção nuclear.

A energia nuclear é citada como opção que pode chegar a 18% da geração de eletricidade até 2030, mas o relatório menciona preocupações como `segurança, proliferação de armas e resíduos` como restrições à adoção dessa opção. O IPCC afirma ainda que opções de eficiência energética para a construção civil poderão trazer grandes reduções na emissão de gases causadores do efeito estufa, com benefícios econômicos. O setor de construção poderia ganhar dinheiro reduzindo suas emissões em até 30% até 2030, segundo o relatório. As dificuldades seriam de `disponibilidade tecnológica, financiamento, limitações de projeto e pobreza`..

O relatório enfatiza, ainda, que as medidas a serem tomadas nas próximas duas a três décadas `terão o maior impacto nas oportunidades de atingir níveis de estabilização` dos gases do efeito estufa mais baixos..

Confira alguns dos principais pontos desta parte do relatório, destacados pela BBC Brasil:.

Emissões.

- A emissão de gases causadores do efeito estufa aumentou 70% entre 1970 e 2004, chegando a 49 bilhões de toneladas por ano..

- A oferta de energia aumentou 145% entre 1970 e 2004. - A eficiência energética não acompanhou o aumento da renda mundial e da população do planeta..

- Emissões podem aumentar entre 25% e 90% até 2030, em comparação com os níveis de 2000..

- Entre 66% e 75% deste aumento deve acontecer em países em desenvolvimento. A emissão per capita, no entanto, deve se manter abaixo do nível dos países ricos..

- Em 2004, países industrializados representavam 20% da população global e 46% das emissões..

Custo.

- Quanto maiores e mais rápidos forem os cortes nas emissões, maiores serão os custos..

- Mas as medidas podem ser relativamente modestas e as tecnologias existentes podem ser usadas. O custo de se agir agora ainda pode ser menor do que o custo caso não haja ação do homem..

Cenários.

- Estabilizar as emissões de gases do efeito estufa em 445-535 partes por milhão (ppm) equivalentes de dióxido de carbono limitaria o aquecimento global a 2º/2,8ºC. O impacto dessa limitação na economia mundial seria de até 3% do PIB global até 2030..

- Estabilizar as emissões em 535-590 ppm limitaria o aquecimento global a 2,8º/3,2ºC, com redução de 0,1% do crescimento do PIB mundial até 2030..

- Entre 590-710 ppm, o aquecimento global seria de 3,2º/4ºC, com redução de 0,06% do crescimento do PIB até 2030..

Opções.

- O relatório propõe repassar o `preço do carbono` aos consumidores e produtores, ou seja, que os preços na economia levem em conta o dano ambiental causado pela queima de combustíveis, para estimular a eficiência energética..

- Outras possibilidades são novas leis, impostos e mercados de troca de permissões de emissão de carbono. Acordos voluntários entre governo e indústria são `atraentes politicamente`, mas `não têm atingido resultados satisfatórios de redução de emissões`..

- Taxar as emissões de carbono seria eficiente no setor energético. Um preço de US$ 20 a US$ 50 por tonelada de dióxido de carbono transformaria o setor energético, aumentando a participação das fontes renováveis na matriz energética para 35% até 2030 (quase o dobro da fatia registrada em 2005). - Fontes de energia renováveis como eólica, solar e geotérmica deveriam ser estimuladas, com subsídios, tarifas preferenciais e compra obrigatória.

. - Mais eficiência energética, com mudança nos padrões de construção, economia obrigatória de combustíveis, mistura de biocombustíveis e investimento em melhores serviços de transporte público..

- Medidas de seqüestro de carbono `têm potencial para dar uma importante contribuição` na mitigação das emissões até 2030. FONT: BBC Brasil/Estado de São Paulo

Em 11/05/2007