Governo e população se unem no Carnaval Sem Fome

15/01/2008
A coleta de alimentos não-perecíveis para pessoas de baixa renda e para instituições assistenciais reúne este ano foliões, artistas, entidades sociais e o governo da Bahia na segunda edição da campanha Carnaval Sem Fome. A população também pode criar um posto de arrecadação no seu bairro, rua ou comércio. Basta entrar em contato pelo telefone 3263-0253 ou pelo www.acaodacidadaniasalvador.com.br.

O sucesso da parceria entre as Voluntárias Sociais e a ONG Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, que em 2007 recolheu 55 toneladas de alimentos, repete-se este ano com a meta de dobrar a quantidade de alimentos arrecadados. Uma parte dos alimentos será direcionada a famílias carentes de cidades baianas atingidas pela seca e com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs).

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Ivete Sangalo engrossam o time na luta de combate à fome. `O artista, com sua visibilidade, tem participado em todas as campanhas sociais do mundo. E o povo vê na gente este exemplo de cidadania e vem atrás`, afirmou o músico Paulinho Boca de Cantor.

Luiz Caldas, criador do fricote, ritmo que se transformou no axé, símbolo da folia baiana, também convocou os foliões a participarem da campanha. `Neste Carnaval, vamos pular ajudando quem precisa. É só pegar um quilo de alimento e depositar nas várias urnas distribuídas por diversos locais da cidade. Você vai curtir, se divertir e deixar quem está com fome com a barriga cheia`, disse.

Solidariedade com alegria

Para a primeira-dama do Estado e presidente das Voluntárias Sociais, Fátima Mendonça, esta é uma forma de prestar solidariedade com alegria. `Estamos fazendo uma campanha que vai durar o Carnaval inteiro, para que as pessoas saiam de casa levando um quilo de alimento não-perecível e depositem nos postos que estarão espalhados por Salvador, no Campo Grande, Pelourinho`, sugeriu.

O governador Jaques Wagner concordou com a primeira-dama e afirmou que a idéia pode servir de exemplo para outros estados. Ele disse que estão sendo investidos R$ 25,5 milhões em saúde e segurança para dar maior tranqüilidade aos foliões. `Montamos uma estrutura com mais pessoas trabalhando. Teremos câmeras no circuito e um novo sistema de comunicação, tudo para fazer do maior Carnaval do mundo uma festa de paz, alegria, sem violência e com muita saúde`, ressaltou.

Criação da campanha

Segundo o coordenador-executivo da ONG Ação da Cidadania, Raimundo Bandeira, houve a tentativa de se iniciar o Carnaval Sem Fome no governo passado, mas faltou interesse político. `Com essa nova gestão, a primeira-dama se sensibilizou e acreditou na idéia, dando o apoio necessário para que fizéssemos este trabalho em 2007`, declarou.

Ele explicou que a idéia surgiu em 1993, quando a ONG trouxe para Salvador a campanha Natal Sem Fome, que foi realizada no Rio de Janeiro pelo sociólogo Betinho e se espalhou pelo Brasil. `Vimos a energia e a possibilidade da mobilização de milhares de pessoas para desenvolver na Bahia o Carnaval Sem Fome nos mesmos moldes da outra campanha`, afirmou.

Bandeira disse que os trabalhos começaram mais cedo este ano, no dia 7 deste mês. `Nossa meta é dobrar a arrecadação em ralação a 2007 ou até mesmo chegar às 200 toneladas este ano`, observou. Para isso, a divulgação será intensificada no período que antecede à festa momesca, em eventos como o Bonfim Light, o Ensaio Geral, o Abre Alas e a Ressaca, em Praia do Forte.

Entre as entidades que colaboram com o Carnaval Sem Fome, a Central do Carnaval, que arrecadou quase 18 toneladas de alimentos no ano passado, já confirmou participação. Camisetas com a marca da campanha estarão sendo comercializadas na Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem). Elas podem ser trocadas por seis quilos de alimentos, dois tíquetes-alimentação no valor de R$ 7 ou R$ 14 em dinheiro.

`Teremos postos nas principais academias de Salvador, nas grandes lojas da rede Bom Preço, no Shopping Barra, ou seja, estamos fazendo um grande esforço para tentar amenizar este grave problema que afeta o planeta que é a fome`, afirmou Bandeira.

Fonte: Agecom

15/01/08