11/03/2009
A América Latina sentiu o golpe e as previsões de recuperação em relação à crise mundial já se alongaram para depois de 2010.
As economias mais abertas da região estão registrando contração acima da esperada, com forte queda da produção industrial e das exportações. Mesmo os países considerados mais preparados para enfrentar a crise, como o Chile, já veem evaporar as previsões de recuperação rápida.
Segundo a Cepal, órgão da ONU para América Latina e Caribe, a retomada do crescimento na região, antes prevista para o segundo semestre de 2009, não pode ser esperada agora `nem para o segundo semestre de 2010`.
No caso do Chile, a pesquisa mensal feita pelo BC do país com economistas, acadêmicos, consultores e executivos mostra que a expectativa deles em relação ao crescimento vem piorando paulatinamente. E, para o primeiro trimestre deste ano, eles esperam uma contração de 1,1%. Tomás Flores, um dos consultados, diz que todo este ano será bem negativo.
Em janeiro, os analistas consultados pelo BC esperavam que o Chile fechasse 2009 com crescimento de 5%. Agora, a mediana das estimativas é de crescimento de 1,2% - e há um número significativo de economistas que espera contração ou crescimento nulo.
O impacto na produção industrial tem sido maior do que esperado, dizem os analistas chilenos.
O México é outro que mostra fragilidade, principalmente porque cerca de 80% de suas vendas externas são para o EUA e porque a queda dos preços do petróleo derrubou a receitas com exportação.
`Das principais economias da região, o México é a que terá mais dificuldades de conseguir registrar crescimento este ano`, disse Jurgen Weller, especialista em Assuntos Econômicos da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal. A maioria dos países menores da América Central e Caribe - dada a forte dependência em relação aos EUA - também vai pelo caminho de desaceleração ou retração, a exemplo do México, diz ele.
No quarto trimestre, a segunda maior latino-americana encolheu 2,7% em relação ao terceiro trimestre. Foi uma retração menor do que a do Brasil, mas, por ter uma economia mais aberta que a brasileira, o panorama mexicano é mais sombrio, dizem os analistas. As exportações representam cerca de 30% do PIB do México, assim como no Chile, diz Alberto Ramos, economista da Goldman Sachs para a América Latina. `No Brasil, a economia mais fechada da região, o peso das exportações no PIB é de cerca de 12%.` Num momento de crise global isso pode ser uma virtude, mas num momento de recuperação geral, o país tende a demorar para voltar a crescer.
Ramos, que também vê o México como a economia da região mais exposta à crise, coloca Venezuela, Equador e, em menor grau, a Argentina na posição de países que têm adotado políticas heteredoxas, pouco atraentes aos investidores ou que não souberam aproveitar o boom das commodities para encher o caixa para momentos de desaceleração.
Na visão do analista da Goldman Sachs, Chile, Peru e Colômbia ainda são os países que mostram maior capacidade de enfrentar o cenário adverso. Os três são países que com manejo macroeconômico mais sólido que os vizinhos, diz Ramos. `O Brasil está mais perto desse grupo, embora pudesse ter feito mais para deter o crescimento sucessivo dos gastos correntes nos últimos quatro anos.`
Ramos lembra que o governo da presidente chilena, Michelle Bachelet, poupou o equivalente a 22% do PIB nos últimos três anos. O país registrou superávit fiscal de 5,2% do PIB em 2008 deverá ter neste ano um déficit de 4%. `O governo conseguirá financiar esse déficit com a economia que fez.`.
Entretanto, segundo Rodrigo De Faro, economista da Universidade do Chile, o impacto nas exportações tem sido muito maior do que esperado. `Se a recuperação mundial não vier em 2010, não haverá como driblar a crise.`
As exportações do Chile caíram 41,7% nesses dois primeiros meses do ano, sendo que a baixa nas importações foi de 29%.
Autor(es): Marcos de Moura e Souza e Rodrigo Uchoa
Valor Econômico - 11/03/2009.
As economias mais abertas da região estão registrando contração acima da esperada, com forte queda da produção industrial e das exportações. Mesmo os países considerados mais preparados para enfrentar a crise, como o Chile, já veem evaporar as previsões de recuperação rápida.
Segundo a Cepal, órgão da ONU para América Latina e Caribe, a retomada do crescimento na região, antes prevista para o segundo semestre de 2009, não pode ser esperada agora `nem para o segundo semestre de 2010`.
No caso do Chile, a pesquisa mensal feita pelo BC do país com economistas, acadêmicos, consultores e executivos mostra que a expectativa deles em relação ao crescimento vem piorando paulatinamente. E, para o primeiro trimestre deste ano, eles esperam uma contração de 1,1%. Tomás Flores, um dos consultados, diz que todo este ano será bem negativo.
Em janeiro, os analistas consultados pelo BC esperavam que o Chile fechasse 2009 com crescimento de 5%. Agora, a mediana das estimativas é de crescimento de 1,2% - e há um número significativo de economistas que espera contração ou crescimento nulo.
O impacto na produção industrial tem sido maior do que esperado, dizem os analistas chilenos.
O México é outro que mostra fragilidade, principalmente porque cerca de 80% de suas vendas externas são para o EUA e porque a queda dos preços do petróleo derrubou a receitas com exportação.
`Das principais economias da região, o México é a que terá mais dificuldades de conseguir registrar crescimento este ano`, disse Jurgen Weller, especialista em Assuntos Econômicos da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal. A maioria dos países menores da América Central e Caribe - dada a forte dependência em relação aos EUA - também vai pelo caminho de desaceleração ou retração, a exemplo do México, diz ele.
No quarto trimestre, a segunda maior latino-americana encolheu 2,7% em relação ao terceiro trimestre. Foi uma retração menor do que a do Brasil, mas, por ter uma economia mais aberta que a brasileira, o panorama mexicano é mais sombrio, dizem os analistas. As exportações representam cerca de 30% do PIB do México, assim como no Chile, diz Alberto Ramos, economista da Goldman Sachs para a América Latina. `No Brasil, a economia mais fechada da região, o peso das exportações no PIB é de cerca de 12%.` Num momento de crise global isso pode ser uma virtude, mas num momento de recuperação geral, o país tende a demorar para voltar a crescer.
Ramos, que também vê o México como a economia da região mais exposta à crise, coloca Venezuela, Equador e, em menor grau, a Argentina na posição de países que têm adotado políticas heteredoxas, pouco atraentes aos investidores ou que não souberam aproveitar o boom das commodities para encher o caixa para momentos de desaceleração.
Na visão do analista da Goldman Sachs, Chile, Peru e Colômbia ainda são os países que mostram maior capacidade de enfrentar o cenário adverso. Os três são países que com manejo macroeconômico mais sólido que os vizinhos, diz Ramos. `O Brasil está mais perto desse grupo, embora pudesse ter feito mais para deter o crescimento sucessivo dos gastos correntes nos últimos quatro anos.`
Ramos lembra que o governo da presidente chilena, Michelle Bachelet, poupou o equivalente a 22% do PIB nos últimos três anos. O país registrou superávit fiscal de 5,2% do PIB em 2008 deverá ter neste ano um déficit de 4%. `O governo conseguirá financiar esse déficit com a economia que fez.`.
Entretanto, segundo Rodrigo De Faro, economista da Universidade do Chile, o impacto nas exportações tem sido muito maior do que esperado. `Se a recuperação mundial não vier em 2010, não haverá como driblar a crise.`
As exportações do Chile caíram 41,7% nesses dois primeiros meses do ano, sendo que a baixa nas importações foi de 29%.
Autor(es): Marcos de Moura e Souza e Rodrigo Uchoa
Valor Econômico - 11/03/2009.