09/05/2013
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que o governo elevará a Taxa Interna de Retorno (TIR) projetada para as concessões de 7,5 mil quilômetros de rodovias que serão leiloadas nos próximos meses. Essa taxa vai subir de 5,5% para 7,2%, o que implicará, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, aumento do teto das tarifas de pedágio nos leilões que acontecerão a partir de setembro.Também para aumentar o interesse dos grupos nacionais nas concessões da área de logística - que inclui ainda ferrovias, portos e aeroportos -, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem que o banco poderá ser sócio dos grupos concorrentes, como forma de aumentar a musculatura dessas companhias para se tornarem operadores multimodais, ou seja, atuantes em diversos tipos de transporte.
Apesar de subir a tarifa teto dos pedágios, o governo espera que o resultado final da maior parte dos lotes de estradas que vão a leilão fique abaixo desse limite máximo. No último leilão, da BR-101, no Espírito Santo, mesmo com uma TIR de 8% projetada, o resultado dos pedágios ficou 45% abaixo do teto por causa do 'apetite do grupo vencedor', destacou um integrante do governo. Porém, nos leilões que tiverem apenas um lance apostando na tarifa teto e uma eventual falta de concorrentes - como já ocorreu em leilões de bloco de exploração de petróleo no passado -, o usuário vai ter de pagar uma tarifa maior do que a anteriormente planejada.
Ajuste.
Mantega anunciou a mudança da TIR após reunião com o presidente do Sindicato Nacional das Indústrias de Construção Pesada (Sinicon), Rodolpho Tourinho, que pedia elevação da taxa para 8%, nível do último leilão. Segundo o ministro, porém, houve consenso entre os construtores de que, com uma TIR de 7,2%, haveria interesse na totalidade dos lotes, que significarão R$ 94 bilhões em investimentos em até 20 anos.
- Essa taxa foi ditada pelos concessionários. Eles disseram que, com ela, todos os lotes são atrativos - disse Mantega. - Quanto mais atraente o empreendimento, maior a perspectiva de lucro do empreendimento e maior será a atração aos investidores.
Além da TIR, também será elevada a previsão de lucro dos investidores financeiros dos projetos, como fundos de pensão, por exemplo. Segundo Mantega, para eles, o retorno ficará entre 16% e 20%, conforme o trecho de rodovia concedido. Segundo o ministro, o governo fez outro ajuste nos editais, reduzindo de 80% para 70% a porcentagem da obra que deverá ser financiada a juros subsidiados, um percentual mais 'realista' para se adequar à realidade do mercado.
Autor(es): Danilo Fariello
O Globo - 09/05/2013.