BNDES aprova R$ 80 milhões para biomassa

10/02/2009
A ampliação da geração de eletricidade a partir da biomassa, sobretudo o bagaço da cana-de-açúcar, é apontada por especialistas do setor elétrico como a chance de o Brasil garantir a segurança do abastecimento de energia para o mercado e, ao mesmo tempo, manter sua matriz energética predominantemente renovável.

Com a intenção de estimular projetos deste segmento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou ontem um financiamento no valor de R$ 80 milhões para a ampliação da geração de eletricidade na usina açucareira Guaíra, instalada no interior de São Paulo. `Temos 120 dias para contratar essa operação, mas acredito que em 60 dias conseguiremos concluir os ajustes que faltam`, disse Roberta Nascimento de Araújo, gerente do departamento de gás, petróleo, cogeração e outras fontes de energia do banco de fomento.

Roberta explica que o investimento é para expansão da cogeração de energia a partir da biomassa (bagaço da cana-de-açúcar e palha) da usina de Guaíra, que saltará de 8,4 megawatts (MW) para 35,4 MW. `O fluxo de entrada de pedidos de financiamento do setor sucroalcooleiro tem se mantido nos últimos dois anos`.

No entanto, diz a gerente, a crise financeira mundial está `afetando um pouco o setor`. `Com a crise, alguns investidores do setor sucroalcooleiro que já haviam feito pedidos de financiamento para a expansão da geração de eletricidade solicitaram que nós segurássemos o andamento das análises`, diz.

Em Guaíra, o novo empreendimento de geração de energia, que ainda não está em operação, fica dentro da Usina Açucareira Guaíra, que já é autossuficiente em energia com a produção dos 8,4 MW. O BNDES informou, por meio, de nota que `o novo projeto permitirá manter o atual nível de produção energética e gerará, em princípio, um excedente de 25 MW para comercialização, acrescentando mais um item à carteira de produtos do grupo`.

Ainda de acordo com o BNDES, os equipamentos a serem instalados na usina têm capacidade de elevar a produção de energia elétrica para até 55 MW, caso a planta agrícola aumente.

Leilão do ano passado

O Brasil detém matéria-prima abundante para geração de eletricidade a partir da biomassa. Além disso, aparentemente, as usinas sucroalcooleiras têm interesse em começar (ou ampliar) a geração de eletricidade. Por estes motivos, no ano passado o governo federal decidiu fazer um leilão específico para a biomassa. Porém o resultado não foi muito satisfatório. A licitação teve pouca adesão das usinas, o que motivou o governo a adiar o leilão em duas semanas. No final, 44 empreendimentos se inscreveram para ofertar sua energia e apenas 31 fecharam negócio. O volume contratado foi de 548 MW, sendo que a expectativa era a de vender mais de 1 mil MW.

Na época, representantes do setor afirmaram que o pequeno interesse em vender a eletricidade no leilão se deu por conta do preço-teto para a energia proposto pelo governo (de R$ 150 por megawatt-hora).

Autor(es): Roberta Scrivano

Gazeta Mercantil - 10/02/2009.