16/03/2007
Um trabalho que mostra uma forma de reduzir os impactos causados no ambiente aquático relacionado à toxidade (capacidade de ser poluente) da gasolina, rendeu a bióloga baiana, Joana Fidelis da Paixão, da Universidade Federal da Bahia, o segundo lugar na XXII edição do Prêmio Jovem Cientista. Em todo o país, 1.751 pessoas se inscreveram para este prêmio, idealizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT). Foram 1.355 na categoria de Ensino Médio, 268 na categoria Graduando e 128 para Estudante de Ensino Superior. A jovem bióloga foi premiada com R$ 15 em dinheiro na categoria Graduando, que determina a participação de pesquisadores com menos de 40 anos.
O trabalho é resultado de uma dissertação de mestrado do curso de Pós em Ecologia e Biomonitoramento na Ufba, orientado pela professora Iracema Nascimento. Joana, que agora já faz doutorado em Geologia Marinha Costeira e Sedimentar, também na Ufba, ficou surpresa com a premiação: `eu tinha esperança, sabia que o nosso trabalho era de qualidade para concorrer com tantos outros, mas não esperava e fiquei muito feliz com o resultado. Só tenho a agradecer a todas as pessoas que participaram e me ajudaram`, disse a bióloga.
As técnicas que fazem a utilização de microalgas e embriões de ostras, já tinham sido desenvolvidas por uma equipe de profissionais (inclusive a própria orientadora de Joana) há oito anos no Laboratório de Biomonitoramento, para a verificação da toxicidade. A produção do trabalho da jovem bióloga partiu da idéia de fazer a utilização destas técnicas para medir a capacidade de um tipo de gasolina ser poluente, em ambiente aquático.
`Joana aplicou esses testes que, já tinham sido desenvolvidos, em 14 tipos de gasolinas e a partir daí foi possível identificar quais foram as mais tóxicas e as mais ecocompatíveis`, explicou a professora Iracema Nascimento. As gasolinas estudadas foram fornecidas pela Brasken, uma das empresas parceiras do projeto, junto com o Laboratório da Ufba e outras instituições que apoiaram.
`O objetivo do nosso projeto é avaliar a toxicidade de diferentes formulações de gasolina através de ensaios com microalgas e embriões de ostra. É importante explicar que Isso não significa que essas gasolinas mais ecocompatíveis não irão causar efeitos nos organismos aquáticos, mas sim que causaram menos impacto`, justificou a bióloga premiada. A orientadora, Iracema Nascimento, explicou ainda que a aplicação destes testes para a determinação da toxicidade das gasolinas é inédito no Brasil.
Para a realização do trabalho, foram feitos dois ensaios diferentes. Um com microalgas, obtidas do banco do Laboratório da Ufba. Uma cultura de microalgas foi exposta a diferentes concentrações de cada uma das 14 formulações de gasolina, por um período de 96 horas. O crescimento das culturas e a florescência das clorofila-a foram medidos após 48 horas e após as 96 horas de exposição.
O outro ensaio foi feito com embriões de ostra. No laboratório elas foram abertas para que fossem retirados os gametas. A reprodução aconteceu no próprio laboratório através de fertilização `in vitro`. Uma hora após a fecundação os embriões já começam a se desenvolver.
Neste momento, os embriões foram expostos as 14 formulações de gasolinas (em diferentes concentrações). Depois de 24 horas, encontram-se embriões que não se desenvolveram, algumas larvas anormais e muitas larvas anormais.
Com base na contagem destes embriões, larvas normais e anormais, foram aplicadas as análises estatísticas para obtenção de um índice que indica a toxicidade da gasolina. O resultado é que entre as 14 gasolinas, é possível que seja verificado quais são as mais tóxicas e menos tóxicas.
`Através desta análise é possível que as empresas passem a produzir em larga escala as gasolinas que são mais ecocompatíveis para comercializar`, concluiu Joana. As gasolinas utilizadas no trabalho foram produzidas a partir da combinação de diferentes correntes, que são grupos de hidrocarbonetos. Todas elas tiveram as mesmas correntes nas suas formulações, o que difere uma gasolina da outra são as concentrações em que essas ligações estão presentes. Foram 8 tipos diferentes. `As empresas podem reduzir a concentração das correntes mais tóxicas nas gasolinas ou até mesmo retirar`, explicou Joana.
Tribuna da Bahia Por Priscila Melo
O trabalho é resultado de uma dissertação de mestrado do curso de Pós em Ecologia e Biomonitoramento na Ufba, orientado pela professora Iracema Nascimento. Joana, que agora já faz doutorado em Geologia Marinha Costeira e Sedimentar, também na Ufba, ficou surpresa com a premiação: `eu tinha esperança, sabia que o nosso trabalho era de qualidade para concorrer com tantos outros, mas não esperava e fiquei muito feliz com o resultado. Só tenho a agradecer a todas as pessoas que participaram e me ajudaram`, disse a bióloga.
As técnicas que fazem a utilização de microalgas e embriões de ostras, já tinham sido desenvolvidas por uma equipe de profissionais (inclusive a própria orientadora de Joana) há oito anos no Laboratório de Biomonitoramento, para a verificação da toxicidade. A produção do trabalho da jovem bióloga partiu da idéia de fazer a utilização destas técnicas para medir a capacidade de um tipo de gasolina ser poluente, em ambiente aquático.
`Joana aplicou esses testes que, já tinham sido desenvolvidos, em 14 tipos de gasolinas e a partir daí foi possível identificar quais foram as mais tóxicas e as mais ecocompatíveis`, explicou a professora Iracema Nascimento. As gasolinas estudadas foram fornecidas pela Brasken, uma das empresas parceiras do projeto, junto com o Laboratório da Ufba e outras instituições que apoiaram.
`O objetivo do nosso projeto é avaliar a toxicidade de diferentes formulações de gasolina através de ensaios com microalgas e embriões de ostra. É importante explicar que Isso não significa que essas gasolinas mais ecocompatíveis não irão causar efeitos nos organismos aquáticos, mas sim que causaram menos impacto`, justificou a bióloga premiada. A orientadora, Iracema Nascimento, explicou ainda que a aplicação destes testes para a determinação da toxicidade das gasolinas é inédito no Brasil.
Para a realização do trabalho, foram feitos dois ensaios diferentes. Um com microalgas, obtidas do banco do Laboratório da Ufba. Uma cultura de microalgas foi exposta a diferentes concentrações de cada uma das 14 formulações de gasolina, por um período de 96 horas. O crescimento das culturas e a florescência das clorofila-a foram medidos após 48 horas e após as 96 horas de exposição.
O outro ensaio foi feito com embriões de ostra. No laboratório elas foram abertas para que fossem retirados os gametas. A reprodução aconteceu no próprio laboratório através de fertilização `in vitro`. Uma hora após a fecundação os embriões já começam a se desenvolver.
Neste momento, os embriões foram expostos as 14 formulações de gasolinas (em diferentes concentrações). Depois de 24 horas, encontram-se embriões que não se desenvolveram, algumas larvas anormais e muitas larvas anormais.
Com base na contagem destes embriões, larvas normais e anormais, foram aplicadas as análises estatísticas para obtenção de um índice que indica a toxicidade da gasolina. O resultado é que entre as 14 gasolinas, é possível que seja verificado quais são as mais tóxicas e menos tóxicas.
`Através desta análise é possível que as empresas passem a produzir em larga escala as gasolinas que são mais ecocompatíveis para comercializar`, concluiu Joana. As gasolinas utilizadas no trabalho foram produzidas a partir da combinação de diferentes correntes, que são grupos de hidrocarbonetos. Todas elas tiveram as mesmas correntes nas suas formulações, o que difere uma gasolina da outra são as concentrações em que essas ligações estão presentes. Foram 8 tipos diferentes. `As empresas podem reduzir a concentração das correntes mais tóxicas nas gasolinas ou até mesmo retirar`, explicou Joana.
Tribuna da Bahia Por Priscila Melo