08/05/2007
Depois de mais de três meses de anunciados, os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apresentados como o grande projeto que irá alavancar o crescimento econômico do Brasil, praticamente não chegaram à Bahia. Dos aproximadamente R$ 2,3 bilhões prometidos ao Estado, menos de 1% (R$ 21,3 milhões) está assegurado, com o início das obras de construção da ponte sobre o Rio São Francisco, na BR116.
Obras de maior impacto para a economia baiana, e de grande envergadura financeira, ficaram para o próximo ano ou sequer têm previsão de início. Isso acontece com a Via Portuária, que teve sua construção iniciada em 2001 e está paralisada há mais de dois anos. Outro exemplo é a construção do sistema viário do Aeroporto Internacional de Salvador, projetado em 1990, cuja licitação sequer saiu do papel. Há também a duplicação e melhoria das BRs 324 e 116, que só devem ser efetivadas com a participação da iniciativa privada. Estes três projetos custariam aos cofres públicos, respectivamente, R$ 192 milhões, 28 milhões e 1,14 bilhão.
Apesar da flagrante morosidade, a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, fez questão de mostrar uma visão otimista sobre o andamento do PAC, ontem, em entrevista realizada em Brasília.
Para ela, a maior parte dos projetos está dentro do que o governo espera. `O governo optou por um viés conservador e com o maior rigor possível`, disse. Em seu discurso, a ministra não levou em conta a liberação efetiva das verbas e início das obras, mas apenas os procedimentos legais do programa, ou seja, a análise dos projetos.
O PAC é um programa do governo federal que prevê, para todo o País, investimentos de praticamente R$ 504 bilhões, até 2010. O dinheiro se destina a obras nas áreas de transporte, energia e saneamento urbano. Deste montante, R$ 58,3 bilhões estão previstos para infra-estrutura e logística de transporte. Se tudo seguir como o prometido pelo governo federal, caberão à Bahia R$ 2,3 bilhões dessa verba.
Obra que marca a tímida chegada dos recursos do PAC à Bahia, a construção da ponte sobre o Rio São Francisco é também a de menor valor dentre as 11 atualmente definidas para o Estado pelo programa.
A ponte irá unir os municípios de Abaré, na Bahia, e Cabrobó, em Pernambuco. O contrato com o Departamento Nacional de InfraEstrutura e Transportes (Dnit) foi assinado no último dia 17, e a obra deverá ser concluída até outubro de 2008.
NA FILA - Segundo informa o secretário de Infra-Estrutura da Bahia, Antônio Carlos Batista Neves, outras obras do Estado também estão na lista para ser financiadas pelo PAC. Diferentemente do que acontece com a ponte entre a Bahia e Pernambuco, contudo, os demais projetos estão sendo ou elaborados ou em via de análise, podendo ou não ser modificados.
Ainda este ano, serão analisados o projeto de implantação do sistema viário do Aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador; do contorno ferroviário entre as cidades de Cachoeira e São Félix; e, somente para o próximo ano, está planejada a retomada das obras da Via Portuária, ligando o Porto de Salvador à BR-324.
Mesmo diante da vagarosidade na liberação dos recursos, o secretário Batista Neves não acredita que haja interrupções no cronograma financeiro e de obras dos projetos baianos, quando aprovados pelo PAC. Tanto é que ele já se antecipa e promete, para um segundo momento, investimentos na construção dos novos aeroportos de Ilhéus (R$ 155 milhões) e Porto Seguro (R$ 150 milhões).
NECESSIDADES - No mês passado, um documento assinado por dirigentes de entidades empresariais foi encaminhado ao governo da Bahia. Nele, estavam relacionados os pontos críticos da logística de transportes no Estado, destacando a falta de infra-estrutura.
Dentre as entidades que assinam o documento estão a Federação das Indústrias do Estado da Bahia e a Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport).
O presidente da Usuport, Paulo Villa, criticou a situação do Porto de Salvador, cujo acesso de veículos de carga é feito sob risco de acidentes.
Também chamou a atenção para a inexistência de acesso ferroviário ao porto, destruído há mais de 15 anos. `Estamos perdendo competitividade com a fuga de cargas que normalmente viriam para o Porto de Salvador, sendo levadas para os portos de Pecém (Ceará) e Vitória (Espírito Santo)`, disse Paulo Villa.
DISTRIBUIÇÃO - A maior parte dos R$ 2,3 bilhões destinados à Bahia irá para as BRs 324 e 116 (R$ 1,14 bilhão), 101 e 135. As melhoria das BRs 324 e 116, mesmo que incluídas no PAC, dependem da Parceria Público-Privada (PPP), que tem como contrapartida a cobrança de pedágio por um prazo de 20 anos. As outras rodovias não dependem de aprovação da PPP e suas obras esperam, apenas, aprovação de projetos para liberação de recursos.
(Colaborou Umberto de Campos)
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: Adilson Fonsêca
08/05/07
Obras de maior impacto para a economia baiana, e de grande envergadura financeira, ficaram para o próximo ano ou sequer têm previsão de início. Isso acontece com a Via Portuária, que teve sua construção iniciada em 2001 e está paralisada há mais de dois anos. Outro exemplo é a construção do sistema viário do Aeroporto Internacional de Salvador, projetado em 1990, cuja licitação sequer saiu do papel. Há também a duplicação e melhoria das BRs 324 e 116, que só devem ser efetivadas com a participação da iniciativa privada. Estes três projetos custariam aos cofres públicos, respectivamente, R$ 192 milhões, 28 milhões e 1,14 bilhão.
Apesar da flagrante morosidade, a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, fez questão de mostrar uma visão otimista sobre o andamento do PAC, ontem, em entrevista realizada em Brasília.
Para ela, a maior parte dos projetos está dentro do que o governo espera. `O governo optou por um viés conservador e com o maior rigor possível`, disse. Em seu discurso, a ministra não levou em conta a liberação efetiva das verbas e início das obras, mas apenas os procedimentos legais do programa, ou seja, a análise dos projetos.
O PAC é um programa do governo federal que prevê, para todo o País, investimentos de praticamente R$ 504 bilhões, até 2010. O dinheiro se destina a obras nas áreas de transporte, energia e saneamento urbano. Deste montante, R$ 58,3 bilhões estão previstos para infra-estrutura e logística de transporte. Se tudo seguir como o prometido pelo governo federal, caberão à Bahia R$ 2,3 bilhões dessa verba.
Obra que marca a tímida chegada dos recursos do PAC à Bahia, a construção da ponte sobre o Rio São Francisco é também a de menor valor dentre as 11 atualmente definidas para o Estado pelo programa.
A ponte irá unir os municípios de Abaré, na Bahia, e Cabrobó, em Pernambuco. O contrato com o Departamento Nacional de InfraEstrutura e Transportes (Dnit) foi assinado no último dia 17, e a obra deverá ser concluída até outubro de 2008.
NA FILA - Segundo informa o secretário de Infra-Estrutura da Bahia, Antônio Carlos Batista Neves, outras obras do Estado também estão na lista para ser financiadas pelo PAC. Diferentemente do que acontece com a ponte entre a Bahia e Pernambuco, contudo, os demais projetos estão sendo ou elaborados ou em via de análise, podendo ou não ser modificados.
Ainda este ano, serão analisados o projeto de implantação do sistema viário do Aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador; do contorno ferroviário entre as cidades de Cachoeira e São Félix; e, somente para o próximo ano, está planejada a retomada das obras da Via Portuária, ligando o Porto de Salvador à BR-324.
Mesmo diante da vagarosidade na liberação dos recursos, o secretário Batista Neves não acredita que haja interrupções no cronograma financeiro e de obras dos projetos baianos, quando aprovados pelo PAC. Tanto é que ele já se antecipa e promete, para um segundo momento, investimentos na construção dos novos aeroportos de Ilhéus (R$ 155 milhões) e Porto Seguro (R$ 150 milhões).
NECESSIDADES - No mês passado, um documento assinado por dirigentes de entidades empresariais foi encaminhado ao governo da Bahia. Nele, estavam relacionados os pontos críticos da logística de transportes no Estado, destacando a falta de infra-estrutura.
Dentre as entidades que assinam o documento estão a Federação das Indústrias do Estado da Bahia e a Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport).
O presidente da Usuport, Paulo Villa, criticou a situação do Porto de Salvador, cujo acesso de veículos de carga é feito sob risco de acidentes.
Também chamou a atenção para a inexistência de acesso ferroviário ao porto, destruído há mais de 15 anos. `Estamos perdendo competitividade com a fuga de cargas que normalmente viriam para o Porto de Salvador, sendo levadas para os portos de Pecém (Ceará) e Vitória (Espírito Santo)`, disse Paulo Villa.
DISTRIBUIÇÃO - A maior parte dos R$ 2,3 bilhões destinados à Bahia irá para as BRs 324 e 116 (R$ 1,14 bilhão), 101 e 135. As melhoria das BRs 324 e 116, mesmo que incluídas no PAC, dependem da Parceria Público-Privada (PPP), que tem como contrapartida a cobrança de pedágio por um prazo de 20 anos. As outras rodovias não dependem de aprovação da PPP e suas obras esperam, apenas, aprovação de projetos para liberação de recursos.
(Colaborou Umberto de Campos)
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: Adilson Fonsêca
08/05/07