27/03/2008
Contemplar a típica paisagem da Lagoa do Abaeté é um convite para a dúvida. De quem é a culpa pelo atual estado de degradação desse importante cartão postal de Salvador? O nível reduzido da água é alarmante, com marca recorde em 14 de março de 17,26 metros em relação ao nível do mar (mais baixa desde 2004). O contraste com a areia branca torna-se também elemento do passado, pois a lagoa não mais possui a tonalidade amarronzada que a fez tão famosa. A devastação da vegetação costeira, a retirada de areia clandestina e a mortandade de peixes, marcam o atual cenário que anuncia a má qualidade da água e a degradação da Lagoa.
Como explica o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado, Juliano Matos, o período de estiagem enfrentado nesse ano trouxe conseqüências nocivas ao ambiente local. `Quando a quantidade de água reservada cai, também cai a qualidade da água. O volume resumido perde sua capacidade de diluição e a qualidade da água é prejudicada`, diz. A secretaria promove monitoramento na área desde 2005, através da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH). Matos ainda completa que o indicativo, de acordo com a série pluviométrica histórica, é que haja chuva e que a lagoa recupere o volume nos próximos três meses.
De acordo com estudo da SRH, está descartada a hipótese da lagoa estar secando, já que `as variações observadas são decorrentes da sazonalidade de períodos chuvosos e secos`. A Lagoa do Abaeté é considerada um sistema aberto, no qual a entrada de água ocorre por meio de chuva a montante ou diretamente sobre o espelho d`água. Porém, não é possível descartar o impacto da ação humana no meio ambiente, e para evitar ações agressivas o secretário Juliano Matos garante que a SRH, além de equipe de segurança e limpeza, fiscaliza toda a Área de Proteção Ambiental (APA) Lagoas e Dunas do Abaeté, criada pelo Decreto 351, de 22 de setembro de 1987.
O patrimônio natural da cidade, de acordo com a engenheira sanitarista Celene Brito, a discussão sobre a importância dos recursos hídricos é fundamental e para tanto, a sociedade deve refletir sobre a fragilidade que o ecossistema apresenta hoje. Como explica a especialista, as áreas estão em processo acelerado de degradação devido aos impactos das mudanças climáticas e de comportamentos humanos agressivos, como: lançamento de esgotos (domésticos e industriais), destruição de nascentes, desmatamento e uso indiscriminado de agrotóxicos.
`Dados que a gente só fazia previsão para dez anos, já são reais, a exemplo da indisponibilidade de água potável para quase 20% da população mundial, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Salvador, como capital dos recursos hídricos, cercada por todos os lados de água (Baía de Todos os Santos, lagoas e diques), traz nesses ambientes o aspecto não só ecológico, mas cultural. A degradação de uma Lagoa, como a do Abaeté, pode descaracterizar até a questão turística`, argumenta Celene Brito, responsável pela organização do encontro `Água e Mudanças Climáticas`, que aconteceu ontem, na Escola Politécnica da UFBA.
A doutora em Ciências Ambientais, Márcia Marinho, considera que o crescimento urbano pressiona os recursos hídricos também urbanos, seja por exigir novas áreas para construções ou necessidade de consumo de água. Como publicado na edição da Tribuna da Bahia de ontem, o Centro de Recursos Ambientais (CRA), já expressou preocupação quanto aos conflitos ambientais da área, desde que `a inserção da Área de Proteção Ambiental na área urbana de Salvador faz com que as pressões antrópicas sejam intensas, no sentido de adensamento do uso e ocupação do solo. A retirada ilegal de areia e a poluição com entulhos são crimes, mas ainda ocorre no local, além disso, a retirada da vegetação de duna. Esses dois tipos de agressões contribuem para a destruição desse frágil ecossistema, porque é difícil a sua recuperação`.
No entanto, o trabalho de monitoramento feito pela SRH, desde 2005, descartou a hipótese de que a Lagoa do Abaeté estaria secando devido a `extração de águas subterrâneas por meio de poços tubulares, retiradas da vegetação natural, destruição de dunas, impactos decorrentes da urbanização no entorno do parque, entre outros fatores`. O estudo relega o nível das águas da Lagoa do Abaeté à influência das chuvas, fator responsável pelo período de baixo volume.
Fonte: Jornal Tribuna da Bahia
Repórter: Livia Veiga
Em 27/03/2008.
Como explica o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado, Juliano Matos, o período de estiagem enfrentado nesse ano trouxe conseqüências nocivas ao ambiente local. `Quando a quantidade de água reservada cai, também cai a qualidade da água. O volume resumido perde sua capacidade de diluição e a qualidade da água é prejudicada`, diz. A secretaria promove monitoramento na área desde 2005, através da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH). Matos ainda completa que o indicativo, de acordo com a série pluviométrica histórica, é que haja chuva e que a lagoa recupere o volume nos próximos três meses.
De acordo com estudo da SRH, está descartada a hipótese da lagoa estar secando, já que `as variações observadas são decorrentes da sazonalidade de períodos chuvosos e secos`. A Lagoa do Abaeté é considerada um sistema aberto, no qual a entrada de água ocorre por meio de chuva a montante ou diretamente sobre o espelho d`água. Porém, não é possível descartar o impacto da ação humana no meio ambiente, e para evitar ações agressivas o secretário Juliano Matos garante que a SRH, além de equipe de segurança e limpeza, fiscaliza toda a Área de Proteção Ambiental (APA) Lagoas e Dunas do Abaeté, criada pelo Decreto 351, de 22 de setembro de 1987.
O patrimônio natural da cidade, de acordo com a engenheira sanitarista Celene Brito, a discussão sobre a importância dos recursos hídricos é fundamental e para tanto, a sociedade deve refletir sobre a fragilidade que o ecossistema apresenta hoje. Como explica a especialista, as áreas estão em processo acelerado de degradação devido aos impactos das mudanças climáticas e de comportamentos humanos agressivos, como: lançamento de esgotos (domésticos e industriais), destruição de nascentes, desmatamento e uso indiscriminado de agrotóxicos.
`Dados que a gente só fazia previsão para dez anos, já são reais, a exemplo da indisponibilidade de água potável para quase 20% da população mundial, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Salvador, como capital dos recursos hídricos, cercada por todos os lados de água (Baía de Todos os Santos, lagoas e diques), traz nesses ambientes o aspecto não só ecológico, mas cultural. A degradação de uma Lagoa, como a do Abaeté, pode descaracterizar até a questão turística`, argumenta Celene Brito, responsável pela organização do encontro `Água e Mudanças Climáticas`, que aconteceu ontem, na Escola Politécnica da UFBA.
A doutora em Ciências Ambientais, Márcia Marinho, considera que o crescimento urbano pressiona os recursos hídricos também urbanos, seja por exigir novas áreas para construções ou necessidade de consumo de água. Como publicado na edição da Tribuna da Bahia de ontem, o Centro de Recursos Ambientais (CRA), já expressou preocupação quanto aos conflitos ambientais da área, desde que `a inserção da Área de Proteção Ambiental na área urbana de Salvador faz com que as pressões antrópicas sejam intensas, no sentido de adensamento do uso e ocupação do solo. A retirada ilegal de areia e a poluição com entulhos são crimes, mas ainda ocorre no local, além disso, a retirada da vegetação de duna. Esses dois tipos de agressões contribuem para a destruição desse frágil ecossistema, porque é difícil a sua recuperação`.
No entanto, o trabalho de monitoramento feito pela SRH, desde 2005, descartou a hipótese de que a Lagoa do Abaeté estaria secando devido a `extração de águas subterrâneas por meio de poços tubulares, retiradas da vegetação natural, destruição de dunas, impactos decorrentes da urbanização no entorno do parque, entre outros fatores`. O estudo relega o nível das águas da Lagoa do Abaeté à influência das chuvas, fator responsável pelo período de baixo volume.
Fonte: Jornal Tribuna da Bahia
Repórter: Livia Veiga
Em 27/03/2008.