Petrobras decide apurar suposto vazamento de dados do balanço

10/03/2009
A Petrobras abriu uma investigação interna para apurar o vazamento de informações sobre o balanço da companhia, tornado público oficialmente na noite de sexta-feira passada.

Em nota curta, divulgada às 20h43 de ontem aos investidores, a empresa se limitou a afirmar: `A Petrobras, uma companhia brasileira de energia com atuação internacional, informa que constituiu comissão interna para apurar vazamento de informações relativas aos resultados do quarto trimestre e do exercício de 2008`, diz a íntegra do texto. O lucro da Petrobras caiu 32% no quatro trimestre do ano passado na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Passou de um recorde de R$ 10,9 bilhões para R$ 7,4 bilhões.

No acumulado de 2008, a Petrobras registrou seu maior lucro da história: R$ 33,9 bilhões, com expansão de 58% ante 2007. Em relação ao quatro trimestre de 2007, o resultado também foi positivo, com alta de 46%. O resultado do balanço foi oficialmente anunciado depois do fechamento do mercado. Houve rumores de que alguns analistas tenham obtido acesso ao balanço ainda enquanto as Bolsas operavam.

Segundo a Folha apurou, a suspeita da empresa recai sobre funcionários do setor de relação com investidores, que teriam vazado o relatório financeiro da Petrobras. A Folha não conseguiu ouvir a CVM (Comissão de Valores Mobiliários, órgão que regula o mercado de capitais) ontem à noite a respeito do assunto. Hoje, às 10h, a direção da Petrobras explicará, por meio de conferência telefônica e pela internet, os resultados para analistas de mercado.

Pouco antes da divulgação do resultado do balanço na sexta-feira à noite, a Petrobras havia anunciado que sua produção diária de petróleo no Brasil batera um novo recorde na quarta-feira (dia 4), quando foram extraídos 2.012.654 barris, superando em 12.420 barris a marca anterior, registrada em 25 de dezembro de 2007.

No pregão da Bovespa que antecedeu a divulgação dos resultados, os papéis da Petrobras se desvalorizaram. Houve queda de 1,26% no preço das ações preferenciais e de 1,83% nas ordinárias. O Ibovespa perdeu 0,71% na sexta. Na quinta, os papéis da empresa também haviam recuado.

Na sexta, o preço do barril de petróleo subiu 4,38% em Nova York, colaborando para um dia positivo das ações das principais empresas do setor no mercado internacional. Os papéis da ExxonMobil, a maior petrolífera privada mundial, valorizaram-se em 2,91%, e os da também americana Chevron, em 3,20%.

Na Europa, as ações da Shell e da BP subiram, respectivamente, 3,52% e 0,24%.

Investigações anteriores

Não é a primeira vez que há investigação do uso de informações privilegiadas em negócios da empresa.

A CVM requisitou da Bovespa a relação de todos os investidores que compraram e venderam ações da Petrobras ao longo de novembro de 2007 para investigar suspeitas de vazamento de informação sobre o megacampo de petróleo na bacia de Santos. As ações da empresa subiram 14% com o anúncio do megacampo. Em março de 2007, foi aberta investigação para apurar vazamento na compra das empresas do grupo Ipiranga pelo pool Petrobras-Braskem-Grupo Ultra, quando a CVM bloqueou pagamento de venda de ações e processou investidores que teriam se beneficiado do vazamento. Como as ações da Ipiranga tinham baixa liquidez, a movimentação dos investidores fez as ações ordinárias (com direito a voto) da Distribuidora Ipiranga avançarem 33,33%.

Folha de S. Paulo - 10/03/2009.