Parque tecnológico de Salvador terá investimento de R$40 milhões

25/05/2007
O Parque Tecnológico de Salvador, o Tecnovia, está mais perto de se tornar uma realidade. O fato novo é a liberação dos recursos da ordem de R$13,6 milhões que desde 2005 estavam alocados para o projeto no Ministério da Ciência e Tecnologia - o custo total para a primeira etapa do projeto é de R$40 milhões. A verba está prevista para chegar aos cofres do governo baiano até o próximo mês, o que possibilitará uma nova e definitiva etapa: o início das obras para a construção do empreendimento, que visa alavancar a indústria de base tecnológica do estado ao reunir num só espaço atores e parceiros interessados em pesquisa e desenvolvimento (P&D), formando uma rede complexa que possibilite à indústria baiana criar produtos diferenciados, com soluções inovadoras.

Na prática, funcionará da seguinte forma: centros e institutos de pesquisa de referência na Bahia estarão de mãos dadas com as empresas, no sentido de fornecer o conhecimento e a tecnologia necessários para aplicação no mercado. Entre as vantagens de um empreendimento como esse, estão a interação direta e frequente entre os interlocutores, agilizando o processo de produção e o aprimoramento de produtos.

O parque ocupará uma área total de 500 mil metros quadrados na Avenida Paralela, o equivalente a dez campos de futebol. O mega-projeto será desenvolvido através de parceria público-privada e abrigará centenas de instituições, entre órgãos públicos e empresas, do Brasil e do exterior. Com orçamento inicial de R$40 milhões, o Tecnovia deverá entrar em funcionamento em dois a três anos, sendo uma base tecnológica segura para o setor produtivo.

A esperança é de que o Tecnovia atue como um verdadeiro divisor de águas. `A médio prazo, ele vai mudar a concepção de tecnologia em nosso estado`, acredita o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildes Ferreira.

O momento atual é de articulação junto a empresas e instituições de conhecimento para atrair o máximo possível de inteligência para o Tecnovia. E os interessados já começam a se manifestar. É o caso do Instituto de Ciências Biomédicas do Rio de Janeiro. A entidade, que trabalha na área de células-tronco, deseja estar próximo do renomado instituto de pesquisas Fiocruz, uma das presenças já confirmadas no parque baiano.

`As empresas ganharão muito com a iniciativa, transformando a produção do conhecimento, originado nas universidades e centros de pesquisa, em produtos inovadores. Essa é uma das suas principais vantagens`, destacou a diretora geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Dora Leal Rosa.

Projeto será um dos mais bem estruturados do país

A vitória mais recente foi o desembaraço do terreno na Paralela. Um espaço de aproximadamente meio milhão de metros quadrados que estava destinado a um empreendimento imobiliário, um condomínio residencial, mas que o Centro de Recursos Ambientais (CRA) entendeu ser mais apropriado direcionar para a construção do parque. Esse episódio, aliás, ilustra o esforço conjunto dos três poderes, municipal, estadual e federal, para o sucesso do empreendimento. Enquanto o governo estadual assumiu a coordenação técnica do processo de implantação, a prefeitura viabilizou o terreno e o Ministério da Ciência e Tecnologia vem destinando recursos financeiros.

`Não temos dúvidas quanto à importância estratégica da continuidade desse projeto para o futuro da Bahia, permitindo ser o primeiro estado a ter um parque tecnológico com essa amplitude implantada no país. Para tanto, é importante ter claro que, por sua envergadura e tempo de implementação, deve ser um projeto de estado, acima de governos`, salienta o ex-secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Rafael Luchesi.

Uma das maiores autoridades em parque tecnológico do país, Luchesi é atualmente o presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). O executivo é o grande responsável pela formatação do projeto, que começou a ser desenvolvido sob a sua coordenação à época em que estava à frente da superintendência do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), uma das entidades integrantes do sistema Fieb. Nomeado secretário de governo, empreendeu esforços para o andamento do projeto sempre frisando para a classe empresarial baiana a importância da cultura da inovação no sentido de promover a competitividade das empresas.

Questionado sobre porque a Bahia demorou tanto a ter um empreendimento desse, quando o da cidade vizinha, Recife, entrou em funcionamento há cerca de 10 anos, Luchesi admite que realmente há um atraso, mas que poderá ser compensado pela magnitude do parque local, segundo ele um dos projetos mais bem estruturados do Brasil. `O de Recife é um projeto menor, construído numa área bem menor que a de Salvador. Poucos projetos desta natureza em concepção e implantação evoluíram no Brasil de uma forma tão ágil e com excelente nível técnico como o Tecnovia`, destacou. A Anprotec identificou 42 parques tecnológicos nas fases de projeto, implantação e operação em todas as regiões do país. Em geral, as iniciativas são fruto de esforço conjunto entre governos, universidades e centros de pesquisa.

Para se ter uma idéia de como o projeto do parque é avançado, basta citar que ele foi gerido dentro de uma concepção de sustentabilidade, utilizando a tecnologia mais atual em preservação ambiental. Atendendo aos anseios de entidades ligadas à ecologia, e após muitas discussões sobre a construção desse megaempreemdimento numa ampla área verde da Paralela, o projeto está em conformidade com a nova legislação ambiental de Mata Atlântica, o que possibilitou o licenciamento ambiental.

O secretário atual da pasta, Ildes Ferreira, vem mostrando que o governo Jaques Wagner não só compreendeu a importância do Parque Tecnológico para a Bahia, como vem agilizando as últimas providências burocráticas para que o Tecnovia entre em funcionamento. `Em dois meses de atividade, conseguimos colocar toda a documentação atualizada, possibilitando a liberação dos R$13,6 milhões que desde 2005 estavam alocados para o projeto no Ministério da Ciência e Tecnologia, aguardando a papelada. Agora, já temos ligações prontas com Embasa, Coelba e Limpurb`, comemora. Segundo Ferreira, uma equipe da secretaria realizou uma espécie de mutirão para agilizar o andamento das atividades.

Indústria baiana será beneficiada

A expectativa é de que a indústria baiana ganhe muito com a instalação do parque tecnológico. Mas o contrário também acontecerá. A `promessa` é do diretor regional do Senai Bahia, Gustavo Sales. Ele explica que o Cimatec - Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia - uma das referências nacionais na área de assessoria técnica à indústria, tem toda a condição de apoiar as empresas fornecendo apoio tecnológico e profissionais qualificados nas áreas prioritárias que são: biotecnologia; energia e tecnologia de informação e comunicação. Assim, haverá uma contribuição para a elaboração de produtos de alto valor agregado. O Senai é mantido pelas próprias indústrias.

`Além das áreas em que já somos amplamente conhecidos, podemos cooperar também na área de saúde, na produção de próteses. Desenvolvemos uma linha de pesquisa num novo campo que envolve medicina e engenharia, chamada bioengenharia, através da qual buscamos materiais compatíveis com o corpo humano`, ilustra. Segundo Sales, uma das grandes vantagens do apoio do Senai é a oferta de soluções integradas, desenvolvidas a partir de uma abordagem que utiliza o conhecimento de várias áreas do conhecimento. `Com certeza, o parque vai ajudar o estado na atração e no desenvolvimento de empresas de base tecnológica`, completa.

O superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Armando Neto, vai além e ressalta que todo o sistema Fieb andará de mãos dadas com o Tecnovia. `Logo que houve a troca de governo, mantivemos contato com o novo secretário da pasta, reforçando nosso apoio. Continuamos parceiros do projeto. Tanto é que faremos parte de dois grupos de discussão que estão sendo formados`, destaca.

Localizado na Avenida Paralela, o Cimatec estará bem próximo ao parque, possibilitando uma interação efetiva. `Será uma grande vantagem para as empresas porque o Cimatec é hoje um centro de tecnologia de primeiro mundo que dará todo o suporte necessário às organizações empresarias que montarem espaço no parque. Esta será, sem dúvidas, uma contrapartida da Fieb`, completa Neto.

TecnoCentro será o edifício inicial do parque

O total de R$40 milhões, necessários à construção da primeira etapa do Tecnovia, está sendo obtido em três fases: a primeira, praticamente concluída, resultará na liberação dos R$13,6 milhões até junho. A segunda envolve recursos da ordem de R$14 milhões e já está disponível no Ministério da Ciência e Tecnologia, com previsão de chegar aos cofres do governo baiano até o fim deste ano. E a terceira etapa, que consiste em conseguir os R$13 milhões restantes, está sendo agilizada. Trata-se de tentar obtê-lo através de emenda parlamentar, encaminhada pela bancada baiana de deputados federais em Brasília, seguindo modelo adotado para obter as outras duas verbas.

Esse orçamento básico vai permitir a construção do cérebro do projeto, o TecnoCentro, edifício inicial do Parque que abrigará instituições como a Secti, a Fapesb e representantes ou postos avançados de parceiros envolvidos com inovação em níveis locais, como PMS, Sebrae, Fieb/Senai/IEL e em nível nacional, como Finep e INIP, além de incubadora de empresas e serviços de apoio. Batizado também de `coração institucional`, o TecnoCentro será instalado na área pública do parque, no espaço de 12 mil metros quadrados, no entorno do qual deverá haver a instalação das empresas interessadas. Pela sua importância, ele será ainda o ponto de convergência de todo o sistema viário, tendo em torno de si equipamentos como o Virtuarium (centro de popularização da ciência e arena de desenvolvimento de conteúdos midiáticos) e a praça principal do complexo.

Instituições interessadas

Senai/ Cimatec

Monte Tabor

Parque Sofia - França

IBM

Instituto de Ciências Biomédicas do Rio de Janeiro

Fiocruz

Petrobras

Tmag Bahia

Ufba

Uneb

IEL/Fieb

Sebrae

Prefeitura de Salvador

Governo do estado

Pura tecnologia

O Senai vai apoiar o Tecnovia fornecendo apoio tecnológico e profissionais qualificados em diversas áreas, a exemplo de energia, biotecnologia e comunicação.

A Bahia vai ganhar um Parque Tecnológico, situado numa área de mais de meio milhão de metros quadrados, na Avenida Paralela, em Salvador. O Tecnovia começa a ser construído nos próximos meses, sendo que a primeira etapa vai demandar investimentos da ordem de R$40 milhões, envolvendo o poder público, universidades e a iniciativa privada. A expectativa é de que mais de R$13,6 milhões sejam liberados até o final de junho, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

As áreas prioritárias serão biotecnologia, com competências em ensaios clínicos e desenvolvimento de medicamentos; energia, com foco em geociências, engenharia de petróleo e biocombustíveis, e tecnologia de informação e comunicação, voltada, principalmente, para produção de softwares e conteúdo midiático. O Tecnovia terá um conceito de desenvolvimento sustentável, com um ambiente de integração entre empresas, governos e o meio acadêmico. O parque contemplará a construção de três vias de acesso e circulação interna: Via Inovação, Via Tecnologia e Via Ciência.

A indústria baiana será uma das principais beneficiadas, não apenas com o resultado das pesquisas, mas também com a formação de mão-de-obra altamente qualificada. Entre as instituições e empresas que já manifestaram interesse em integrar o Tecnovia estão Petrobras, Senai/Cimatec, Fiocruz, Sebrae, Iel/Fieb, Ufba, Uneb, entre outras.

Fonte: Correio da Bahia

Cecília Mascarenhas

Em 25/05/27.