BB INICIA OFENSIVA GLOBAL NO VAREJO

22/02/2008
O Banco do Brasil inicia, com a abertura de duas empresas financeiras nos Estados Unidos, uma nova estratégia para se tornar um `player` no varejo bancário global, com o objetivo de se fortalecer para enfrentar o avanço de grandes instituições estrangeiras dentro do país. Ainda neste ano serão anunciados novos movimentos dentro desse projeto, provavelmente em países da América Latina e Europa.

Nos EUA, começa a operar no segundo semestre um banco de varejo, o Banco do Brasil Federal Saving Bank (FSB), que inicialmente terá cinco agências e, dentro de alguns anos, poderá chegar a ter entre 10 e 15 pontos de atendimento. A meta é atrair entre 300 mil e 450 mil clientes dentro de cinco anos, ou algo como 20% a 30% do 1,5 milhão de brasileiros que, pelas estimativas mais conservadoras, vivem nos Estados Unidos.

Ainda no primeiro semestre, a intenção é colocar para funcionar experimentalmente a BB Money Transfer, uma empresa varejista de transferência internacional de dinheiro. Em seguida, serão instalados 10 pontos de atendimento. A expectativa é que, dentro de alguns anos, a operação de varejo nos Estados Unidos gere uma captação anual superior à do Japão, hoje na ordem de US$ 1 bilhão.

O presidente do BB, Antônio Francisco Lima Neto, afirma que o fortalecimento da operações no varejo internacional é encarado como um passo estratégico tão importante quanto a entrada do banco nos segmentos de crédito de veículos e imobiliário. `A idéia é colocar o banco em todos os segmento do varejo, dentro e fora do país, em que nossa marca é reconhecida e faça a diferença.`

A idéia é trabalhar com comunidades de brasileiros, o que cria sinergias com os negócios dentro do Brasil, mas o espectro de atuação poderá ser mais amplo. `Nossa intenção é entrar no varejo bancário em outros países que preferencialmente, mas não necessariamente, tenham grandes comunidades de brasileiros`, informa o vice-presidente de negócios internacionais e atacado do BB, José Maria Rabelo. Ele não detalha os países em que o BB pretende entrar, mas indica que as apostas preferenciais são a América Latina e a Europa.

A estratégia de se tornar um `player` no varejo bancário global já vinha sendo gestada nos dois últimos anos, mas ganhou maior importância com movimentos recentes de consolidação no mercado bancário brasileiro, como a compra das operações do ABN AMRO pelo Santander. O BB tem limitações para crescer por meio de fusões e aquisições - as operações com antigos bancos estaduais são uma rara exceção. Por isso, a exemplo do que fez no mercado doméstico, o caminho será o crescimento orgânico. América Latina é uma aposta natural porque haveria sinergia com a investida que o BB está fazendo em solo americano. Embora o alvo preferencial sejam os brasileiros nos EUA, o banco vê oportunidades para avançar também entre a comunidade de latinos. No Japão, onde a prioridades são os brasileiros, o BB tem clientes entre os imigrantes peruanos.

Na América Latina, os países com maiores comunidades de brasileiros são, respectivamente, o Paraguai (cerca de 200 mil) e a Bolívia (17 mil). Rabelo diz que a primeira agência instalada pelo BB no exterior, em 1941, foi em Assunção, no Paraguai. Já há a experiência de bancos de varejo brasileiros em países que não têm grandes colônias de brasileiros - caso do Itaú na Argentina e no Chile.

Fora da América Latina, o caminho natural para a expansão é a Europa. O BB já atua no varejo em Portugal, mas há pelo menos três outros países com fortes comunidades de brasileiros: Itália (120 mil), Inglaterra (100 mil), Espanha (93 mil), Alemanha (40 mil) e França (37 mil). `Mesmo onde não há brasileiros, podemos fazer a diferença com nossa expertise em operações de varejo com pessoas físicas e com pequenas empresas`, afirma Rabelo.

O Banco do Brasil FSB e a BB Money Transfer serão vinculadas a uma `holding` especialmente criada para comandar as operações de varejo americanas, a Banco do Brasil USA Holding Company Inc. Um sinal da importância que o BB dá ao projeto foi ter deslocado o diretor de negócios internacionais do BB, José Augusto Braúna, para presidir as empresas. O BC brasileiro já aprovou a abertura das empresas, mas, para começar as operações, falta o sinal verde das autoridades nos Estados Unidos.

O publico-alvo serão brasileiros, incluindo os que estão ilegalmente no país, que em geral hoje estão à margem do sistema bancário. Serão oferecidos serviços bancários básicos, como contas correntes, cartões de crédito, investimentos, poupança e remessas de recursos ao Brasil. Num primeiro momento, a oferta de crédito não será a prioridade - a não ser de forma complementar aos serviços, como, por exemplo, cheque especial.

O BB fez ampla pesquisa que indica que cerca de 80% dos brasileiros nos EUA estão concentrados em algo como 10 ou 15 localidades. Já foram identificados os prédios que deverão sediar as primeiras agências e já começou o recrutamento de pessoal. Por questões estratégicas, o banco ainda não revela onde exatamente estarão as primeiras unidades, mas Nova York e Boston, cidades em que existem grandes concentrações de brasileiros, são candidatas.

Hoje, o BB está presente em 23 países, mas em apenas dois deles as operações são de varejo: Japão e Portugal. No Japão, o banco tem sete agências e 150 mil clientes, quase metade dos cerca de 310 mil brasileiros que vivem no país. Em Portugal, onde o banco tem quatro agências, são 30 mil clientes em um universo estimado de 120 mil brasileiros. Nos EUA, o banco tem duas agências, que vão continuar a operar - uma em Nova York e outra em Miami. A unidade de Nova York é especializada em crédito de comércio exterior e mercado de capitais. A agência de Miami opera no varejo, mas seu público são brasileiros de alta renda.

Repórter: Alex Ribeiro

Fonte: Valor Econômico

Em 22/02/2008.