25/03/2008
A realização de feiras de confecções, eletrodomésticos e móveis voltadas para o varejo no Centro de Convenções da Bahia pode estar com os dias contados. A informação é da presidente da Bahiatursa, Emília Silva, que vai receber amanhã um pedido formal para não aceitar novos eventos do gênero, elaborado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), Federação do Comércio do Estado da Bahia, Sindicato dos Lojistas do estado da Bahia, entre outras entidades. No ano passado foram 13 eventos do gênero e pelo menos outros dez estão previstos para 2008, movimentando pelo menos R$40 milhões.
No entanto, a decisão ainda depende de um parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que será solicitado em breve. `Nós precisamos ter respaldo jurídico para cancelar os eventos que prejudicam o comércio local e em nada contribuem para atrair visitantes ao estado`, afirmou Emília. Os critérios para definir quais as feiras que podem ser realizadas no local ainda serão definidos, mas precisarão ter estreita relação com o estímulo do setor turístico baiano.
De acordo com os comerciantes de Salvador, estas feiras são responsáveis pela diminuição de pelo menos 10% do movimento em ruas e shoppings, principalmente em datas de fortes vendas, como o Natal e o Dia das Mães. Em 2007, praticamente metade dos eventos se concentraram nos meses de maio e dezembro, atraindo aproximadamente 70 mil visitantes.
A principal razão para o sucesso entre os consumidores são os preços até 40% menores do que os praticados no comércio. Segundo o presidente da CDL, Antoine Tawil, a vantagem esconde a prática de concorrência desleal. `Estas pessoas chegam de outros estados, contratam mão-de-obra informal, não recolhem encargos trabalhistas e, pior, nem sempre emitem nota fiscal`, justificou Tawil. A CDL defende a manutenção apenas dos eventos nos quais são apresentados novos produtos e tendências de mercado, extinguindo a prática de venda direta ao visitante.
Organizadores também reclamam
Se os comerciantes reclamam, alguns organizadores de feiras também não estão satisfeitos. A promotora Vera Pontes, responsável pela Made in Bahia e a Expo de Moda Pronta Entrega, que existem há mais de 15 anos e juntas movimentaram quase R$20 milhões em negócios em 2007, pede um controle. `Do jeito que está não dá para continuar, pois existem muitos aventureiros no mercado. Alguns reservam a pauta e depois é que vão em busca de expositores`, explica Vera. Segundo ela, as vendas no varejo, no caso dos eventos que organiza, servem apenas para cobrir as despesas da viagem.
Apesar de não ver com bons olhos a transformação do Centro de Convenções em um centro de compras, a Bahiatursa tem na locação do espaço uma boa fonte de renda. No ano passado, os aluguéis ajudaram o órgão a economizar R$2,2 milhões em relação a 2006, apesar do equipamento ainda ser deficitário. `Ele tem uma função nobre de estimular o turismo e realmente não nasceu para dar lucro. Eu só não posso escolher este ou aquele evento para não ser acusada de discriminação`, justificou-se Emília.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
Repórter: Jony Torres
Em 25/03/2008.
No entanto, a decisão ainda depende de um parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que será solicitado em breve. `Nós precisamos ter respaldo jurídico para cancelar os eventos que prejudicam o comércio local e em nada contribuem para atrair visitantes ao estado`, afirmou Emília. Os critérios para definir quais as feiras que podem ser realizadas no local ainda serão definidos, mas precisarão ter estreita relação com o estímulo do setor turístico baiano.
De acordo com os comerciantes de Salvador, estas feiras são responsáveis pela diminuição de pelo menos 10% do movimento em ruas e shoppings, principalmente em datas de fortes vendas, como o Natal e o Dia das Mães. Em 2007, praticamente metade dos eventos se concentraram nos meses de maio e dezembro, atraindo aproximadamente 70 mil visitantes.
A principal razão para o sucesso entre os consumidores são os preços até 40% menores do que os praticados no comércio. Segundo o presidente da CDL, Antoine Tawil, a vantagem esconde a prática de concorrência desleal. `Estas pessoas chegam de outros estados, contratam mão-de-obra informal, não recolhem encargos trabalhistas e, pior, nem sempre emitem nota fiscal`, justificou Tawil. A CDL defende a manutenção apenas dos eventos nos quais são apresentados novos produtos e tendências de mercado, extinguindo a prática de venda direta ao visitante.
Organizadores também reclamam
Se os comerciantes reclamam, alguns organizadores de feiras também não estão satisfeitos. A promotora Vera Pontes, responsável pela Made in Bahia e a Expo de Moda Pronta Entrega, que existem há mais de 15 anos e juntas movimentaram quase R$20 milhões em negócios em 2007, pede um controle. `Do jeito que está não dá para continuar, pois existem muitos aventureiros no mercado. Alguns reservam a pauta e depois é que vão em busca de expositores`, explica Vera. Segundo ela, as vendas no varejo, no caso dos eventos que organiza, servem apenas para cobrir as despesas da viagem.
Apesar de não ver com bons olhos a transformação do Centro de Convenções em um centro de compras, a Bahiatursa tem na locação do espaço uma boa fonte de renda. No ano passado, os aluguéis ajudaram o órgão a economizar R$2,2 milhões em relação a 2006, apesar do equipamento ainda ser deficitário. `Ele tem uma função nobre de estimular o turismo e realmente não nasceu para dar lucro. Eu só não posso escolher este ou aquele evento para não ser acusada de discriminação`, justificou-se Emília.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
Repórter: Jony Torres
Em 25/03/2008.