05/05/2008
Saltar de 15 mil mudas de citros vendidas em 2007 para 60 mil este ano. Esta é a meta do produtor Luciano Barros de Santana, do município de Conceição do Almeida. `Vou multiplicar por quatro, porque há grandes grupos e empresas que estão vindo, principalmente de São Paulo, para se instalar aqui ou comprar nossas frutas`, afirmou. A Bahia é o segundo produtor de citros do Brasil, com 60 mil hectares plantados e produzindo mais de 1 milhão de toneladas por ano.
Luciano disse que trabalha com seis funcionários, mas que em determinadas épocas chega a ter 12 pessoas prestando serviços para ele. `Aqui na região de Cruz das Almas, são mais de 650 mil mudas plantadas. Para cuidar disso tudo é preciso de bastante mão-de-obra`, explicou.
José Pereira Dias planta laranja e limão há mais de 35 anos e compra as mudas produzidas por Luciano. `Na última safra, vendi 26 toneladas de laranja`, destacou. Ele contou que uma tonelada da fruta está custando R$ 300 e disse que pretende aproveitar a melhora do mercado para aumentar a produção.
Biofábricas
Para dar suporte a produtores como Luciano e José, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) implantou em 2007 três unidades de produção de borbulhas cítricas (biofábricas) no Recôncavo Sul (Conceição do Almeida) e Litoral Norte (Alagoinhas e Rio Real), principais regiões produtoras de citros do estado.
`Borbulha é uma gema, uma parte da haste da planta que tem a capacidade de se tornar uma planta inteira com as mesmas características da original`, ressaltou o chefe do Centro de Profissionalização de Fruticultura (Centrefruti) da EBDA em Conceição do Almeida, Valmir de Lima. As primeiras borbulhas produzidas na unidade com qualidade genética e sanidade já foram comercializadas a R$ 50 o milheiro e se transformaram em mudas que estão sendo vendidas para os produtores a R$ 2 cada.
`Qualidade genética não significa modificação genética. São plantas selecionadas, mas que não são modificadas, não são transgênicas`, declarou Valmir. Segundo ele, a seleção e a produção em estufas, protegidas de infestações de pragas e fungos e em temperatura e umidade ideal, garantem plantas de alta produtividade e resistentes a doenças comuns aos citros.
A capacidade de produção de cada biofábrica é de cerca de 580 mil borbulhas/ano. No ano passado, foram comercializadas pela unidade de Conceição do Almeida 79 mil borbulhas para 35 produtores de mudas da região de Cruz das Almas, sendo 20 mil para o município de Itapicuru.
Metodologia
Valmir informou que a borbulha original vem da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e é enxertada em um ‘cavalo` - haste de outra planta onde vai se desenvolver e se transformar em uma planta borbulheira. Ele disse que cada uma dessas plantas vai gerar até quatro novos ramos borbulheiros, que, por sua vez, vão gerar 20 novas borbulhas cada. Em até três anos, os ramos serão cortados a cada quatro meses e comercializados para os produtores de mudas.
Os viveiristas vão adquirir essas gemas e repetir o processo de implantação das borbulhas em novos cavalos, obtendo assim as mudas a serem vendidas para os produtores de citros. O tempo de formação de uma muda nesse tipo de ambiente varia entre 10 e 12 meses. O início econômico da produção leva em torno de três anos após o plantio da muda.
A EBDA produz borbulhas das variedades laranja-pêra (D6 e D9), baianinha, lima, salustiana, pineapple, lima-da-pérsia, lima ácida tahyti, tangerina, mexerica, ponkan e murcott. As variedades mais procuradas são laranja-pêra (80%) e lima ácida tahyti (15%), com as demais formando os 5% restantes.
Além das borbulhas, a EBDA fornece assistência técnica aos produtores. `A razão da existência da Centrefruti é a capacitação. A produção de borbulhas é feita como um trabalho complementar`, explicou Valmir.
Banana é objeto de pesquisa
Outro experimento realizado pela Centrefruti é com a banana. Os produtores José Bonfim e Raimundo Mota possuem, juntos, um hectare plantado das variedades prata, terra e maçã e produzem 12 toneladas por ano. `Não é muito, mas já ajuda na sobrevivência`, comentou Raimundo. José afirmou que tem esperança de melhorar a produtividade da plantação a partir das novas pesquisas feitas pela EBDA em conjunto com a Embrapa.
Para o pesquisador da EBDA em Conceição do Almeida, Jorge Silveira, os agricultores podem ter uma produtividade pelo menos duas vezes maior, bastando, para isso, que tenham capacitação nas técnicas de produção e utilizem algumas variedades que estão sendo pesquisadas na região. `É possível se alcançar um melhor resultado com melhoramentos genéticos, mas sem transgenia, e obedecendo-se a algumas regras para o plantio, como a distância entre as plantas`, informou.
Sigatoka-negra
As espécies testadas hoje pela EBDA em Conceição do Almeida são resistentes à sigatoka-negra - doença mais temida pelos agricultores e que pode causar perda de até 100% da produção - e à sigatoka-amarela, que é menos agressiva, mas que também pode causar perda de mais de 50% da lavoura. As variedades testadas são caipira, maravilha, preciosa, PV-4253, PV-7934, garantida, calipso, ambrosia, fhia-18, fhia-02, tropical, japira, tap maeo e bucaneiro.
Além de Conceição do Almeida, há experimentos da EBDA em mais 11 municípios baianos. `A expectativa é que em cada um deles seja selecionada pelo menos uma variedade para ser difundida entre os produtores`, explicou Jorge. Segundo ele, os testes começaram em junho de 2005 e agora estão chegando ao fim. `É o tempo que levamos para avaliar a produção durante três ciclos. Vamos iniciar a distribuição e a divulgação agora`, informou.
A Bahia é o maior estado produtor de banana do país, com mais de 1,2 milhão de toneladas/ano, o que representa 16% da produção nacional. O estado é considerado também área livre da sigatoka-negra, graças, principalmente, à ação da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). `Por isso, passamos de 78 mil hectares plantados em 2005 para 85 mil este ano`, contabilizou. Jorge lembrou que, na fruticultura, cada hectare cultivado representa cinco empregos.
Luciano disse que trabalha com seis funcionários, mas que em determinadas épocas chega a ter 12 pessoas prestando serviços para ele. `Aqui na região de Cruz das Almas, são mais de 650 mil mudas plantadas. Para cuidar disso tudo é preciso de bastante mão-de-obra`, explicou.
José Pereira Dias planta laranja e limão há mais de 35 anos e compra as mudas produzidas por Luciano. `Na última safra, vendi 26 toneladas de laranja`, destacou. Ele contou que uma tonelada da fruta está custando R$ 300 e disse que pretende aproveitar a melhora do mercado para aumentar a produção.
Biofábricas
Para dar suporte a produtores como Luciano e José, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) implantou em 2007 três unidades de produção de borbulhas cítricas (biofábricas) no Recôncavo Sul (Conceição do Almeida) e Litoral Norte (Alagoinhas e Rio Real), principais regiões produtoras de citros do estado.
`Borbulha é uma gema, uma parte da haste da planta que tem a capacidade de se tornar uma planta inteira com as mesmas características da original`, ressaltou o chefe do Centro de Profissionalização de Fruticultura (Centrefruti) da EBDA em Conceição do Almeida, Valmir de Lima. As primeiras borbulhas produzidas na unidade com qualidade genética e sanidade já foram comercializadas a R$ 50 o milheiro e se transformaram em mudas que estão sendo vendidas para os produtores a R$ 2 cada.
`Qualidade genética não significa modificação genética. São plantas selecionadas, mas que não são modificadas, não são transgênicas`, declarou Valmir. Segundo ele, a seleção e a produção em estufas, protegidas de infestações de pragas e fungos e em temperatura e umidade ideal, garantem plantas de alta produtividade e resistentes a doenças comuns aos citros.
A capacidade de produção de cada biofábrica é de cerca de 580 mil borbulhas/ano. No ano passado, foram comercializadas pela unidade de Conceição do Almeida 79 mil borbulhas para 35 produtores de mudas da região de Cruz das Almas, sendo 20 mil para o município de Itapicuru.
Metodologia
Valmir informou que a borbulha original vem da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e é enxertada em um ‘cavalo` - haste de outra planta onde vai se desenvolver e se transformar em uma planta borbulheira. Ele disse que cada uma dessas plantas vai gerar até quatro novos ramos borbulheiros, que, por sua vez, vão gerar 20 novas borbulhas cada. Em até três anos, os ramos serão cortados a cada quatro meses e comercializados para os produtores de mudas.
Os viveiristas vão adquirir essas gemas e repetir o processo de implantação das borbulhas em novos cavalos, obtendo assim as mudas a serem vendidas para os produtores de citros. O tempo de formação de uma muda nesse tipo de ambiente varia entre 10 e 12 meses. O início econômico da produção leva em torno de três anos após o plantio da muda.
A EBDA produz borbulhas das variedades laranja-pêra (D6 e D9), baianinha, lima, salustiana, pineapple, lima-da-pérsia, lima ácida tahyti, tangerina, mexerica, ponkan e murcott. As variedades mais procuradas são laranja-pêra (80%) e lima ácida tahyti (15%), com as demais formando os 5% restantes.
Além das borbulhas, a EBDA fornece assistência técnica aos produtores. `A razão da existência da Centrefruti é a capacitação. A produção de borbulhas é feita como um trabalho complementar`, explicou Valmir.
Banana é objeto de pesquisa
Outro experimento realizado pela Centrefruti é com a banana. Os produtores José Bonfim e Raimundo Mota possuem, juntos, um hectare plantado das variedades prata, terra e maçã e produzem 12 toneladas por ano. `Não é muito, mas já ajuda na sobrevivência`, comentou Raimundo. José afirmou que tem esperança de melhorar a produtividade da plantação a partir das novas pesquisas feitas pela EBDA em conjunto com a Embrapa.
Para o pesquisador da EBDA em Conceição do Almeida, Jorge Silveira, os agricultores podem ter uma produtividade pelo menos duas vezes maior, bastando, para isso, que tenham capacitação nas técnicas de produção e utilizem algumas variedades que estão sendo pesquisadas na região. `É possível se alcançar um melhor resultado com melhoramentos genéticos, mas sem transgenia, e obedecendo-se a algumas regras para o plantio, como a distância entre as plantas`, informou.
Sigatoka-negra
As espécies testadas hoje pela EBDA em Conceição do Almeida são resistentes à sigatoka-negra - doença mais temida pelos agricultores e que pode causar perda de até 100% da produção - e à sigatoka-amarela, que é menos agressiva, mas que também pode causar perda de mais de 50% da lavoura. As variedades testadas são caipira, maravilha, preciosa, PV-4253, PV-7934, garantida, calipso, ambrosia, fhia-18, fhia-02, tropical, japira, tap maeo e bucaneiro.
Além de Conceição do Almeida, há experimentos da EBDA em mais 11 municípios baianos. `A expectativa é que em cada um deles seja selecionada pelo menos uma variedade para ser difundida entre os produtores`, explicou Jorge. Segundo ele, os testes começaram em junho de 2005 e agora estão chegando ao fim. `É o tempo que levamos para avaliar a produção durante três ciclos. Vamos iniciar a distribuição e a divulgação agora`, informou.
A Bahia é o maior estado produtor de banana do país, com mais de 1,2 milhão de toneladas/ano, o que representa 16% da produção nacional. O estado é considerado também área livre da sigatoka-negra, graças, principalmente, à ação da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). `Por isso, passamos de 78 mil hectares plantados em 2005 para 85 mil este ano`, contabilizou. Jorge lembrou que, na fruticultura, cada hectare cultivado representa cinco empregos.