03/09/2008
- A evolução da economia mundial indica que nos próximos trinta anos surgirão as primeiras potências tropicais do mundo: o Brasil e a Índia. Gilberto Freyre, estudioso de grandes temas de caráter social, criou o conceito científico da tropicologia. Para garantir eficácia a sua tese, Gilberto criou também o Seminário de Tropicologia na antiga Fundação Joaquim Nabuco, hoje transferido para a Fundação Gilberto Freyre. O Seminário de Tropicologia foi inspirado no conceito interdisciplinar do professor Frank Tannenbaum da Universidade de Baylor (EUA), onde o próprio Gilberto foi brilhante aluno, na década de 20.
Gilberto, considerado descobridor do povo brasileiro, esteve na Índia nos anos 50 do século passado e lá conheceu o outro gigante tropical, menor do que o Brasil em termos territoriais, mas bem maior em termos populacionais. Da viagem que fez à Índia, surgiu um livro intitulado `Aventura e Rotina`, dentre os mais de oitenta livros que o universal Freyre escreveu.
Mesmo sendo um grande antecipador, Gilberto Freyre não imaginaria hoje o `status` de potência emergente da Índia, país onde os desafios de caráter social são bem maiores dos que os do Brasil. Com uma população estimada em um 1,130 bilhão de pessoas, a República da Índia é de longe a maior democracia do planeta, já que a China, em rápido e vigoroso processo de capitalização ainda está sob o comando de um partido único, ou seja, de uma ditadura.
Apesar dos graves problemas sociais, a República da Índia transformou-se pelo milagre da educação, levada a sério, no maior produtor de tecnologia da informação (TI) do mundo. Das 500 empresas listadas pela revista Forbes como as maiores do mundo, cerca de metade adquire seus sistemas de informação exclusivamente naquele país.
Potência militar, a Índia detém o segundo maior exército do planeta, depois da República Popular da China, e sua tecnologia no campo de defesa inclui a produção de caças supersônicos, carros de combate pesados como o `Arjum` equivalente ao carro Leopardo II, da Alemanha, e tem uma tecnologia de mísseis de precisão, inclui um deles com alcance de 3 mil quilômetros capaz de alcançar Pequim.
Vale a pena lembrar que aquele País detém a bomba atômica. Constrói a maior refinaria de petróleo do mundo e importa 80% de óleo bruto que utiliza em sua economia. Maior produtor mundial de açúcar (a cana brasileira veio da Índia), aquele país ainda não domina a avançada tecnologia brasileira do etanol, derivado da cana-de-açúcar, já que produz em escala industrial o etanol do bagaço da cana com produtividade inferior à nossa.
A Índia detém, lamentavelmente, o posto de segundo maior poluidor do mundo depois da China. Por ser uma potência tropical emergente componente dos Bric (Brasil, China, Índia e Rússia), a Fundação Gilberto Freyre realizou em Nova Délhi, no dia 25 de junho deste ano, a conferência ambiental brasileira intitulada `Florestas do Brasil` com a participação de palestrantes de diversas organizações ambientais do nosso País. O objetivo básico foi levar ao conhecimento das organizações indianas, públicas e privadas, o potencial de florestas do nosso País, nossa legislação florestal, nossa expertise em conservação (apesar dos desmatamentos) e nossa capacidade de transferir tecnologia de ponta, inclusive de combate a incêndios florestais, muito bem demonstrados pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais.
A recuperação da Mata Atlântica um dos grandes desafios do Brasil, ficou sob a responsabilidade do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, enquanto a Amazônia foi de responsabilidade técnica da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas, sem falar na questão do aquecimento global tratado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP.
As sementes de uma relação ambiental mais ampla entre o Brasil e a Índia foram lançadas em Nova Délhi com o apoio do Itamaraty, da Chesf, do governo de Pernambuco, do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e da Fecomercio (SP). O Brasil e a Índia terão muito que fazer juntos nos campos da cooperação econômica, tecnológica e militar. E também trocar experiências no sensível campo social.
Fonte: Gazeta Mercantil
3/9/2008.
Gilberto, considerado descobridor do povo brasileiro, esteve na Índia nos anos 50 do século passado e lá conheceu o outro gigante tropical, menor do que o Brasil em termos territoriais, mas bem maior em termos populacionais. Da viagem que fez à Índia, surgiu um livro intitulado `Aventura e Rotina`, dentre os mais de oitenta livros que o universal Freyre escreveu.
Mesmo sendo um grande antecipador, Gilberto Freyre não imaginaria hoje o `status` de potência emergente da Índia, país onde os desafios de caráter social são bem maiores dos que os do Brasil. Com uma população estimada em um 1,130 bilhão de pessoas, a República da Índia é de longe a maior democracia do planeta, já que a China, em rápido e vigoroso processo de capitalização ainda está sob o comando de um partido único, ou seja, de uma ditadura.
Apesar dos graves problemas sociais, a República da Índia transformou-se pelo milagre da educação, levada a sério, no maior produtor de tecnologia da informação (TI) do mundo. Das 500 empresas listadas pela revista Forbes como as maiores do mundo, cerca de metade adquire seus sistemas de informação exclusivamente naquele país.
Potência militar, a Índia detém o segundo maior exército do planeta, depois da República Popular da China, e sua tecnologia no campo de defesa inclui a produção de caças supersônicos, carros de combate pesados como o `Arjum` equivalente ao carro Leopardo II, da Alemanha, e tem uma tecnologia de mísseis de precisão, inclui um deles com alcance de 3 mil quilômetros capaz de alcançar Pequim.
Vale a pena lembrar que aquele País detém a bomba atômica. Constrói a maior refinaria de petróleo do mundo e importa 80% de óleo bruto que utiliza em sua economia. Maior produtor mundial de açúcar (a cana brasileira veio da Índia), aquele país ainda não domina a avançada tecnologia brasileira do etanol, derivado da cana-de-açúcar, já que produz em escala industrial o etanol do bagaço da cana com produtividade inferior à nossa.
A Índia detém, lamentavelmente, o posto de segundo maior poluidor do mundo depois da China. Por ser uma potência tropical emergente componente dos Bric (Brasil, China, Índia e Rússia), a Fundação Gilberto Freyre realizou em Nova Délhi, no dia 25 de junho deste ano, a conferência ambiental brasileira intitulada `Florestas do Brasil` com a participação de palestrantes de diversas organizações ambientais do nosso País. O objetivo básico foi levar ao conhecimento das organizações indianas, públicas e privadas, o potencial de florestas do nosso País, nossa legislação florestal, nossa expertise em conservação (apesar dos desmatamentos) e nossa capacidade de transferir tecnologia de ponta, inclusive de combate a incêndios florestais, muito bem demonstrados pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais.
A recuperação da Mata Atlântica um dos grandes desafios do Brasil, ficou sob a responsabilidade do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, enquanto a Amazônia foi de responsabilidade técnica da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas, sem falar na questão do aquecimento global tratado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP.
As sementes de uma relação ambiental mais ampla entre o Brasil e a Índia foram lançadas em Nova Délhi com o apoio do Itamaraty, da Chesf, do governo de Pernambuco, do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e da Fecomercio (SP). O Brasil e a Índia terão muito que fazer juntos nos campos da cooperação econômica, tecnológica e militar. E também trocar experiências no sensível campo social.
Fonte: Gazeta Mercantil
3/9/2008.