Venezuela cria atrito em negócio com a Petrobras

02/05/2007
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez selaram no ano passado parceria pela qual a Petrobras fica com 40% do campo gigante de Carabobo, na Venezuela, e a estatal venezuelana com 60%. No Brasil, a refinaria de Recife teria 60% de capital da Petrobras e 40% da Venezuela. Para a estatal brasileira entrar na exploração do campo gigante da Venezuela deve pagar um bônus. O valor está sendo negociado há cerca de um ano. Sem definição, a PDVSA ameaça abrir uma licitação e convidar outras companhias para participar do negócio, mesmo após o acordo entre os dois governos. Segundo o gerente executivo da área internacional da Petrobras, Samir Awad, a companhia está sendo pressionada a assinar um contrato de exploração do campo sem saber quanto deverá pagar pelo negócio. - Queremos transparência. Hoje existe uma pendência grave. Não podemos assinar esse contrato - disse o executivo durante o Offshore Tecnology Conference (OTC). A PDVSA questiona o volume certificado das reservas, de 5 bilhoes de barris. Quanto maior as reservas, maior o valor do campo e também o bônus a ser pago pela Petrobras. - A PDVSA acha que essa interpretação é conservadora. O dono sempre acha que tem mais, e pode ter, mas nós precisamos acertar um valor - completou Awad. Para este campo, a estatal já havia planejado desembolsar mais de US$ 1 bilhão, mas pelo visto a PDVSA exigirá mais, apesar de ainda não ter uma proposta formal. A Venezuela consumou, ontem, o que havia determinado no ano passado: tirou das mãos das maiores petroleiras do mundo o controle operacional de projetos de petróleo na região do Orinoco. A decisao não afetou a Petrobras. - Estamos retomando o controle do Orinoco, que o presidente chama, de modo adequado, da maior reserva de petróleo do mundo - defendeu o líder sindicalista Marco Ojeda antes da manifestação para comemorar a transferência. Os quatro campos de petróleo estão avaliados em mais de US$ 30 bilhões e podem converter diariamente cerca de 600 mil barris de óleo pesado em produto sintético. As companhias americanas ConocoPhillips, Chevron, Exxon Mobil, a britânica BP, a norueguesa Statoil e a francesa Total vão obedecer ao decreto que transfere o controle operacional. Mas ainda discutem a participação acionária e as compensações. FONTE: Jornal do Brasil 02/05/2007