Ilhéus terá inspeção sanitária mais intensa

24/03/2008
A Vigilância Sanitária, com apoio do Ministério Público, do Conselho Regional de Farmácia (CRF) e de Saúde, inicia, esta semana, uma inspeção nas farmácias que estão irregulares, em Ilhéus. Segundo o CRF, a cidade tem seis estabelecimentos ilegais, porque não têm bioquímicos, nem alvará sanitário.

Dessa lista, três já foram autuadas e multadas, em 2007. Se não se reorganizarem, serão interditadas.

Mas nenhuma delas foi flagrada vendendo remédio falsificado ou com o prazo de validade vencido.

A coordenadora de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, Débora Chauí Pinto, destaca a Farmácia Três Irmãos, no bairro São Francisco, a Lúcia, no bairro doMalhado, e a Taperoá, no bairro Nossa Senhora da Vitória, dentre as mais notificadas.

A última notificação que a Três Irmãos recebeu, segundo ela, foi em janeiro de 2007, mas não se adequou às normas.

RECLAMAÇÕES - Entretanto a Farmácia Souza, no bairro Nelson Costa, incluída na lista, funciona regularmente há dez anos com bioquímico responsável e alvará sanitário. A Farmácia Litorânea não existe no endereço indicado, no centro da cidade, e a Eunice, no bairro de Barra do Itaípe, foi vendida.

A própria fiscalização deu um prazo ao novo proprietário, que ainda está regularizando a documentação para mudar o nome da firma. O gerente da Farmácia Três Irmãos, Luís Carlos Mazzo, irmão do proprietário, diz que está no ramo há 30 anos e não se considera ilegal.

Mazzo afirma que durante algum tempo pagou a uma bioquímica, mas ela não legalizou a empresa, que acabou multada. Segundo ele, muitos bioquímicos autorizam o uso do seu nome como responsável, mediante pagamento, mas não chegam sequer a comparecer na farmácia.

BIOQUÍMICOS - Luís Mazzo destaca que quando o profissional podia assinar por mais de uma firma, não havia ilegalidade.

Com a exigência de um bioquímico por farmácia, as pequenas não têm lucratividade para pagar R$ 1.700, que é o valor do piso salarial da categoria. A proprietária da Farmácia Taperoá, Vandete Souza Abreu, disse que até dois anos atrás tinha bioquímico, mas devido ao baixo faturamento, ela teve que dispensá-lo.

Os pequenos empresários do setor dizem não ver diferença entre não ter bioquímico e ter um que só assina como responsável e não aparece na farmácia. Para Luiz Mazzo, em vez de tentar impedir a funcionamento, o CRF poderia abrir espaço e promover cursos para quem já trabalha no setor em pequenas firmas.

Seria, segundo ele, uma forma de tirá-las da ilegalidade, porque nos demais quesitos todas cumprem as normas. Estão em locais arejados, têm estoque pequeno e fácil de fiscalizar a existência de medicamentos fora de validade ou falsificados.

Repórter: ANA CRISTINA OLIVEIRA

anaco@grupoatarde.com.br

Fonte: A Tarde:

Em 24/03/2008.