População e governo da Bahia juntos contra a dengue

27/03/2008
A dengue pode matar. A voluntária social do Hospital Irmã Dulce, Renilda Cardoso, 49 anos, sentiu na pele os sintomas da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. `Tive muita febre, dores horríveis na cabeça e no corpo, fiquei de cama`, contou. Ela ficou satisfeita ao saber que o fumacê, carro da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) que dedetiza os bairros, estava trabalhando na rua onde fica sua casa, na Massaranduba (Cidade Baixa).

A dona-de-casa Maria da Luz também sofreu duas vezes com a dengue. Ela sabe que o governo, atuando sozinho, não é suficiente para prevenir a doença e, por não se esquecer do mal-estar que sentiu, sabe de cor as lições para evitar a presença do mosquito em sua casa. `Se adoecer outra vez, não vou agüentar. Por isso, não deixo objetos com água, emborco tudo, garrafas pet eu jogo no lixo e o reservatório de água fica sempre tampado`, disse.

Embora tome todos esses cuidados, a dona-de-casa sabe que a sua ação isolada não é suficiente. `Não adianta eu fazer todo o asseio onde eu moro se os vizinhos derem condições para o mosquito se reproduzir`, explicou.

Na Bahia, este ano, mais de 7 mil pessoas já passaram pela mesma situação de Renilda e Maria. A diretora da Vigilância Epidemiológica da Sesab, Alcina Andrade, afirmou que, ao primeiro sintoma da dengue, a pessoa deve se dirigir ao posto de saúde e, caso seja detectado um caso grave da doença, ela será encaminhada para internação. `Em Salvador, este ano, foram contabilizados 176 casos de dengue, mas nenhum da forma grave` destacou.

Distribuição da frota de fumacê

Alcina informou que a frota de fumacê do estado está distribuída entre as regiões baianas onde a doença foi detectada, principalmente a de Irecê, onde o número de ocorrências é maior. Ela disse que o combate é feito basicamente com recursos federais, com 30% de contrapartida do governo estadual e outros 30% dos municípios.

`A primeira epidemia aqui foi em 1996, com mais de 40 mil casos do tipo 2. Em 2002, foram 22 mil casos do sorotipo 1`, lembrou a diretora. Segundo ela, são quatro tipos de vírus da dengue, dos quais três já estão na Bahia e um apenas recentemente foi detectado recentemente no Brasil, mas ainda não chegou ao estado.

E declarou que a variedade do vírus aumenta o perigo de se contrair a forma grave da doença. `Uma pessoa que já teve um tipo, está imunizada contra ele. Mas, quando se contamina do outro, os riscos são maiores`, afirmou.

Fonte: Agecom

27/03/08