Pistas mais longas em Congonhas

06/11/2008
O governador de São Paulo, José Serra, e o prefeito Gilberto Kassab apresentaram ontem ao Ministério da Defesa um projeto para prolongar em cerca de 1.000 metros as duas pistas - principal e auxiliar - do aeroporto de Congonhas, na cabeceira em direção ao bairro do Jabaquara. Kassab estimou os custos de desapropriação em áreas residenciais em R$ 260 milhões, segundo o valor venal dos imóveis, e a R$ 400 milhões, pelos valores de mercado.

Em princípio, as obras podem ser bancadas pela iniciativa privada, segundo o prefeito. As pistas estendidas ficariam sobre pilares de até 80 metros de altura, permitindo a exploração de estacionamento e de shopping center, mediante contratos de concessão, nos três pavimentos intermediários. Serra garantiu que `todo o investimento será feito em segurança, não na ampliação do volume de passageiros`. Ele e Kassab aventaram a possibilidade de assinar um compromisso com o Ministério Público para proibir eventuais aumentos do número de pousos e decolagens permitidos hoje em Congonhas, de até 34 por hora.

Ao lado de Serra e de Kassab, o ministro Nelson Jobim evitou encampar publicamente o projeto, mas determinou ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) um estudo, a ser concluído em 15 dias, sobre os impactos que a extensão das pistas terá sobre as rotas de aproximação das aeronaves. É isso que determinará, segundo Jobim, o tamanho dos prolongamentos e os investimentos necessários. O ministro prometeu uma definição sobre o empreendimento ainda neste ano e também ressaltou que o projeto não tem como intenção aumentar a capacidade máxima do aeroporto, de 15 milhões de passageiros por ano. `As projeções indicam 14 milhões de passageiros em 2008`, disse.

Para Kassab, tudo leva a crer que `será um negócio muito disputado` e `provavelmente não haverá custos para a prefeitura, nem para o governo do Estado, nem para o governo federal`. Ele não vê resistências da população em deixar as imediações de Congonhas. `Ninguém quer morar ao lado do aeroporto. Quem conhece São Paulo sabe bem disso.`

Por medida de segurança, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reduziu em 300 metros a extensão `útil` para as operações em Congonhas, após o acidente com o vôo 3054 da TAM. A pista principal tem 1.940 metros e a auxiliar, 1.435 metros. Isso exige das companhias levantar vôo sem o tanque cheio, a fim de diminuir o peso dos jatos e utilizar menos pista nas decolagens.

Politicamente afinados - ambos foram colegas de Esplanada dos Ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso -, Jobim e Serra demonstraram divergências, porém, sobre a expansão do aeroporto de Guarulhos, o principal do país. O governador pediu agilidade na construção do terceiro terminal de passageiros de Cumbica, que permitirá ao aeroporto expandir sua capacidade de 17 milhões para 29 milhões de passageiros anuais, e sugeriu a construção das novas instalações por meio de uma concessão com a iniciativa privada.

Jobim descartou a inclusão do novo terminal de Guarulhos, cuja licitação a Infraero promete fazer há mais de três anos, no plano de concessões em estudo pelo governo, BNDES e Anac. Por enquanto, o estudo diz respeito apenas aos aeroportos do Galeão e de Viracopos, em Campinas.

Serra tem interesse em uma definição rápida para Guarulhos porque deseja licitar um trem expresso ligando o centro de São Paulo ao aeroporto. O edital deve sair nas próximas semanas, mas o tamanho do aeroporto - e o volume de passageiros - tende a influenciar diretamente o valor da tarifa do projeto ferroviário.

Kassab e Serra também conversaram com o ministro da Defesa sobre a cessão de parte da área do Campo de Marte para a prefeitura. A intenção de Kassab é construir, com recursos municipais, instalações como um centro de convenções, um parque e uma arena multiuso (para shows e outros eventos). Operações sem relação direta com os vôos seriam transferidas para outras áreas, a serem construídas pela prefeitura, segundo Kassab.

Repórter: Daniel Rittner

Fonte: Valor Econômico

- 06/11/2008.