Anatel libera Telefônica para vender pacotes do Speedy

27/08/2009
Após dois meses de proibição, a Telefônica foi liberada ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para voltar a comercializar novos pacotes do seu serviço de internet banda larga, o Speedy. A suspensão por tempo indeterminado das vendas de assinaturas do serviço foi uma punição da agência à empresa por causa das sucessivas panes que deixaram sem acesso à rede de computadores milhões de consumidores paulistas.

Em uma curta nota, a Anatel informou que o conselho diretor aprovou ontem, em sua reunião semanal, a retomada das vendas do serviço, baseando-se nas informações prestadas pela companhia sobre o plano de ações para estabilizar o acesso à banda larga. A área técnica da agência vai monitorar, ao longo deste segundo semestre, a implementação das medidas e, se forem identificados novos problemas, poderão ser adotadas novas medidas preventivas, incluindo uma nova suspensão das vendas de novos pacotes.

Também em nota, a Telefônica informou que iria retomar as vendas do Speedy a partir das 8 horas de hoje. `Os últimos dois meses foram, para a empresa, um período de trabalho intenso, com todas as suas equipes mobilizadas para implementar ações de estabilidade da rede e aprimoramento do atendimento aos clientes`, diz a nota.

Quando anunciou a proibição das vendas de novos pacotes, em 22 de junho, a agência reguladora estabeleceu multa de R$ 15 milhões, mais R$ 1 mil para cada acesso do Speedy vendido irregularmente. O serviço Speedy apresentava, segundo a agência, `crescente evolução de reclamações de usuários`, e as seguidas repetições nas interrupções do acesso atingiram `número expressivo de usuários`.

PANES

A maior pane do Speedy aconteceu em julho de 2008, quando os clientes da banda larga da Telefônica ficaram sem serviço por 36 horas. A empresa apontou o defeito em um roteador (equipamento responsável pelo controle do tráfego de internet) em Sorocaba (SP) como a causa do problema.

Em fevereiro deste ano, um incêndio atingiu um prédio da empresa em Barueri (SP), prejudicando os serviços de internet. O centro de dados concentrava equipamentos utilizados por grandes clientes corporativos, que ficaram sem acesso à rede mundial e a servidores hospedados pela empresa. A Telefônica teve de desligar a energia do prédio para que os bombeiros combatessem o fogo.

No mês de abril, o Speedy sofreu outra pane, ficando instável por vários dias. Naquela ocasião, a Telefônica indicou a ação de criminosos virtuais como a causa do problema. Em maio, houve um novo apagão do Speedy, que atingiu usuários em diversos pontos do Estado por várias horas.

Após a suspensão das vendas, a Telefônica apresentou à Anatel um plano de emergência para melhoria de sua infraestrutura, que previa a implantação de medidas em três etapas, que só estarão concluídas no final do ano. Em 90 dias, a contar de julho, a empresa se comprometeu a duplicar a quantidade dos chamados DNS, equipamentos responsáveis pela identificação do site que o cliente quer acessar e pelo encaminhamento da conexão.

Durante os dois meses de suspensão, considerando um ritmo de vendas parecido com o do primeiro trimestre, a Telefônica teria deixado de vender 68 mil acessos. No fim de junho, eram 2,727 milhões de clientes do Speedy.

Autor(es): Isabel Sobral

O Estado de S. Paulo - 27/08/2009.