07/01/2010
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou ontem que pretende instalar 2.696 aparelhos de fiscalização eletrônica nas rodovias federais. O pacote, que foi licitado em julho de 2009 mas ainda não saiu do papel, prevê investimentos de R$1,6 bilhão nos próximos cinco anos. A promessa é instalar 1.130 lombadas eletrônicas e 466 pardais para inibir o avanço de sinal em trechos urbanos das rodovias federais. Nas áreas rurais, o Dnit prevê o uso de 1.100 radares fixos para coibir o excesso de velocidade.Em reportagem publicada ontem no GLOBO, o diretor-geral do órgão, Luiz Antônio Pagot, classificou de deficiente a fiscalização eletrônica nas rodovias federais e disse estar angustiado com a demora para a instalação dos aparelhos. A primeira concorrência, de 2008, foi suspensa por suspeita de irregularidades na licitação. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, 455 pessoas morreram nas estradas durante as festas de fim de ano.
O Dnit afirmou em nota que 'em nenhum momento o diretor-geral afirmou que quase um terço das rodovias federais é reprovado por testes'. O GLOBO informou apenas que 18 mil quilômetros (32%) das estradas não têm sinalização adequada, de acordo com dados fornecidos pelo próprio órgão. Em entrevista, Pagot afirmou: - Temos 18 mil quilômetros com sinalização deficiente. Mais mortes em estradas do que em guerras
O mapa da violência nas estradas brasileiras, com base em dados oficiais, revela que em sete anos (de 2002 a 2008) 247 mil pessoas morreram em consequência de acidentes de trânsito no país. Somente em 2008, foram 36.666 mortes, uma média de cem por dia.
Essa cifra é superior, por exemplo, à média de mortes ocorridas em guerras, como a travada entre a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e o Afeganistão, que matou cerca de 20 mil pessoas por ano, entre 1979 e 1989. Também é maior que o total de vítimas fatais causas pelo terrorismo mundial em 2006 (20.498). Em 2007, a situação foi ainda pior: o trânsito no país matou 37.407 pessoas.
Autor(es): Agencia O Globo
O Globo - 07/01/2010.