Gás natural terá novos reajustes

17/05/2007
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, participou ontem, no Rio, do terceiro dia do 19º Fórum Nacional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, promovido pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso. Na ocasião, o presidente da Petrobras confirmou que a empresa já trabalha na revisão do seu atual plano de negócios, que prevê investimentos de R$ 171 bilhões até 2011. Embora não tenha dado detalhes sobre as razões da revisão, o executivo admitiu que o câmbio representou um dos motivos para a mudança.

Com relação ao preço do gás, Gabrielli até tentou desconversar sobre as causas do problema, mas confirmou que a intenção da empresa é reequilibrar a relação entre oferta e demanda do insumo em um intervalo de quatro a cinco anos.

- Acredito que em quatro ou cinco anos nós podemos equilibrar esses dois movimentos, seja pelo aumento da capacidade de oferta de gás nacional, pela abertura de novos projetos de gás natural liqüefeito (GNL), seja pela contenção da demanda, por meio de um ajuste de preços relativos que parece inevitável no país - disse Gabrielli.

No que depender do impacto no o bolso do consumidor, a Petrobras não deverá poupá-lo de aumentos mais realistas do que os atuais, que ocorrem a cada três meses do ano, a partir do cômputo de uma cesta de óleos no mercado internacional. A intenção, de acordo com Gabrielli, é atrelar o preço do gás às flutuações da cotação do óleo combustível, um dos insumos mais caros da matriz energética brasileira, o qual classificou como combustível alternativo.

Durante sua apresentação, Gabrielli destacou a importância da Petrobras para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que visa recolocar o país em uma trajetória de crescimento anual de 5%. De acordo com o executivo, os R$ 171 bilhões previstos pela companhia como investimentos até 2011 contemplam principalmente o setor de exploração e produção, que vai receber R$ 100 bilhões; R$ 17,43 bilhões em exploração e produção de gás natural; R$ 21,16 bilhões no abastecimento do insumo para o mercado brasileiro; e R$ 38 bilhões para o setor de refino.

O presidente da Petrobras admitiu, no entanto, que a empresa enfrenta dois obstáculos que podem comprometer tais metas. Um é a provável escassez de mão-de-obra qualificada de nível técnico, no país. O outro problema é o descompasso na velocidade dos investimentos da Petrobras e dos fornecedores nacionais de equipamentos e serviços.

- Para se ter uma idéia do tamanho de nossos investimentos, em 2003 eles alcançaram um volume de quase US$ 4 bilhões - comparou Gabrielli. - Mas só no primeiro trimestre deste ano, somaram mais de US$ 4 bilhões. E o ritmo de crescimento deve se acelerar principalmente nos dois últimos trimestres do ano - estimou.

O executivo também negou qualquer possibilidade de o atraso no cronograma de produção de petróleo comprometer o programa de desembolsos previsto no plano de negócios da companhia. Também minimizou a perda do primeiro lugar no ranking das maiores corporações da América Latina para a Vale. FONTE: Jornal do Brasil.

Ricardo Rego Monteiro

17/5/2007