Todos pela Alfabetização chega ao município de Coronel João Sá

15/10/2007
Inclusão social através da educação. Este é o desafio do programa Todos pela Alfabetização (Topa) em Coronel João Sá, que possui um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) dentre os municípios baianos, sendo o 413º colocado no ranking. Mais da metade da população da cidade não sabe ler nem escrever. Devido ao alto índice de analfabetismo, o município foi escolhido pelo governador Jaques Wagner para ministrar a aula inaugural do programa, hoje (15).

O governador inaugurou também o Colégio Santo Antônio, que vai abrigar 720 alunos da rede estadual que antes não tinham um prédio próprio. Wagner assinou ainda uma ordem de serviço para implantação do programa Luz para Todos na zona rural do município, beneficiando a população de nove localidades. O investimento será de R$ 1,9 milhão.

`A educação é uma das prioridades do governo, por isso estamos realizando este mutirão pela alfabetização. O desafio é grande, mas a população entendeu a importância deste trabalho e a adesão foi tão grande que dobramos a meta de 100 mil alunos para este ano`, afirmou o governador.

Ele e o secretário estadual da Educação, Adeum Sauer, aproveitaram para felicitar os professores pela passagem do seu dia. `A sociedade é o que se consegue se formar nos bancos das escolas. E tudo o que tem a ver com formação diz respeito aos professores. Precisamos de vocês e tenho certeza que vão se engajar com a gente para mudar a realidade da educação na Bahia`, disse Wagner.

Ampliação Inicialmente, o Topa visava priorizar apenas os municípios com os piores IDH, mas a grande demanda fez com que se ampliasse a abrangência do programa para além dos territórios do Semi-árido Nordeste II e do Sisal. `Nossa política está preocupada com a aprendizagem. Por muito tempo se focou a questão da educação no ensino. Se os alunos não estão aprendendo é porque os professores não estão ensinando. A partir deste pensamento vamos começar a mudar esta realidade da Bahia`, destacou Sauer.

De acordo com levantamento da Secretaria Estadual da Educação (SEC) em 2005, aproximadamente 55% dos 20.964 habitantes de Coronel João Sá eram analfabetos. O município fica no semi-árido baiano, a 430 quilômetros de Salvador. Ali, o Topa beneficiará 1.265 pessoas, como a dona-de-casa Maura Santos, 56 anos, que deixou de estudar por causa das dificuldades financeiras.

`Quando eu era jovem, só tinha escola particular. Como o dinheiro era pouco, meu pai não podia pagar. Eu entrava na escola e saía dois meses depois`, disse Maura. No pouco tempo em que ficou na sala de aula, ela afirmou que só aprendeu a escrever o nome.

Com a chegada do programa na cidade, além de buscar o conhecimento para si, Maura levou para a escola a filha Josefa, 38 anos. `Eu saí da escola cedo para ajudar minha mãe na roça. Naquela época, a gente ainda não sabia o quanto era importante ter conhecimento`, destacou Josefa, que aprendeu a lição e mantém seus três filhos na escola.

`Todos já sabem ler e vão se formar`, afirmou Josefa. Ela contou que planeja ir longe. `Quando me alfabetizar, quero entrar na escola regular e concluir o nível médio. Qualquer emprego exige o nível médio. Se você não sabe ler, seu currículo não é aceito`, ressaltou.

O agricultor José Ramiro, 44 anos, não tem a intenção de estudar tanto. Para ele, poder ler o letreiro do ônibus que o leva da zona rural até a cidade já vai ser um alívio. `Quando não encontro um conhecido, fico no ponto sem saber que ônibus eu paro. Outro dia, fui arriscar e peguei o ônibus errado`, disse.

Para ele, a realidade do município vai mudar. Seus oito filhos estão na escola. `Agora só falta a minha esposa, que ainda não pôde vir porque tem que cuidar das crianças menores`, explicou.

O Topa teve uma grande aceitação entre os municípios baianos e chegará este ano a 361 cidades. Somente em Coronel João Sá serão 72 turmas em diversos horários. Como atende a um público adulto, pessoas com mais de 15 anos, o programa adotou uma carga horária flexível. Em alguns locais, as aulas serão ministradas somente nos fins de semana ou em dias alternados, contanto que sejam cumpridas as 10 horas/aula por semana.

Kits A Empresa Gráfica da Bahia (Egba) produziu os kits entregues hoje aos alunos do Topa. Cada um recebeu um livro, classificador, lápis, caneta e borracha. O material foi enviado para as 32 Diretorias Regionais de Educação (Direcs), responsáveis pela distribuição aos alunos e professores. Foram entregues 200 mil kits para estudantes e 18 mil para professores, com caixa de giz, caneta, bloco de anotações e livro do educador.

Até 2010, o programa quer alfabetizar, pelo menos, 1 milhão de pessoas, reduzindo pela metade o contingente de 42,7% de analfabetos. Somente este ano, são 211.558 alfabetizandos em todo o estado, o que supera em mais de 100% a meta estipulada. Ao todo, serão 14.506 alfabetizadores para ministrar as aulas em 5.470 turmas na zona urbana e em 9.036 turmas da zona rural.

O Topa conta com a participação de 160 entidades e os professores são todos voluntários - eles recebem uma bolsa de R$ 200 para ensinar por 10 horas por semana e participar de outras duas horas de treinamento.

Esta primeira fase do programa deve ser finalizada em maio de 2008, e o Topa seguirá com a segunda fase a partir de junho do mesmo ano. O investimento total nesta primeira fase é de R$ 19.506.917,08.

Fonte: Agecom 15/07/07