Programa de Resposta ao Trauma e à Violência vai intensificar cirurgias ortopédicas na rede pública

25/10/2007
O aumento dos casos de violência urbana, incluindo a violência no trânsito, acarreta uma demanda cada vez maior por procedimentos ortopédicos, principalmente cirurgias. Para intensificar a assistência a esses pacientes, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) lançou, ontem (24), o Programa de Resposta ao Trauma e à Violência.

Pelo programa, que se dá em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba), serão disponibilizados mais de 100 leitos nos hospitais Manoel Victorino e no Hospital Universitário Prof. Edgard Santos (Hupes), o Hospital das Clínicas. Também integra o programa o Hospital Ernesto Simões Filho (HESF).

A prioridade, inicialmente, é para cirurgias de mão e de colo de fêmur, que representam a maior parte das demandas, como explica o diretor de Atenção Especializada da Superintendência de Atenção Integral à Saúde da Sesab, Renan Araújo. O programa, que é coordenado pela Diretoria de Atenção Especializada e pela Central da Regulação da Sesab, foi criado por determinação do secretário da Saúde, Jorge Solla, diante da insuficiência do número de leitos para ortotrauma por conta do aumento de uma demanda específica.

`São tiros, ferimentos com arma branca e acidentes de trânsito, fenômenos dos nossos tempos, e a rede (hospitalar) não foi preparada para dar resposta a isso. Temos pacientes aguardando e, quanto mais precocemente for feita a cirurgia, menor a possibilidade de seqüelas`, explicou Renan Araújo.

Segundo ele, o idoso, que sofre fratura de fêmur mais freqüentemente, se ficar muito tempo no leito aguardando cirurgia tem mais chances de desenvolver complicação e dificuldade de voltar a andar. Um jovem ou adulto que é arrimo de família e sofre fratura de mão pode comprometer sua capacidade produtiva, causando um problema social.

O Programa de Resposta ao Trauma e à Violência vai permitir uma rotatividade bem maior nos hospitais de emergência. `Vamos atender duas ou três vezes mais rapidamente que hoje`, esclarece o diretor de Atenção Especializada. Mas, observa, ele é voltado, exclusivamente, para pessoas já referenciadas pelos hospitais ou postos de atendimento (PAS), que serão encaminhadas pela Central de Regulação para o Hospital Manoel Victorino, o HESF ou o Hospital das Clínicas. `Portanto, não adianta o paciente se dirigir, diretamente, para uma dessas unidades para fazer a cirurgia. O encaminhamento é feito pela Regulação`, enfatiza Araújo.

Mudança de perfil

A necessidade de reestruturação da rede para intensificar a assistência em ortotrauma levou o secretário da Saúde, Jorge Solla, a também determinar a mudança de perfil do Hospital Manoel Victorino, antes voltado ao atendimento em obstetrícia.

Trinta leitos foram transferidos para a Maternidade Tsylla Balbino. Outros 12 leitos de neonatologia também serão remanejados para a Tsylla. Hoje, o hospital dispõe de 64 leitos, alguns deles já ocupados por pacientes ortopédicos, para a realização de cirurgias de mão. As cirurgias já começaram a ser realizadas.

O Manoel Victorino, que atualmente passa por reformas, vai dispor, em 2008, de uma centena de leitos, além de outros 10 leitos de UTI e 12 leitos em unidade semi-intensiva. O projeto, detalha o diretor, Paulo Bicalho, prevê a instalação de uma câmara hiperbárica, capaz de acelerar a cicatrização de feridas, favorecendo, especialmente, pacientes diabéticos. As cirurgias de maior complexidade, como de ombro e bacia, também passarão a ser feitas lá - hoje, no início do programa, os procedimentos mais complexos são feitos no Hupes.

Com a reforma concluída, no próximo ano, a previsão é de que também seja disponibilizada a artroscopia, um procedimento que permite tratar lesões nas articulações com incisões pequenas e um tempo de recuperação bem menor. O procedimento ainda não é oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), na Bahia.

`O Hospital Manoel Victorino está sendo estruturado para isso. Os médicos, enfermeiros e pessoal de apoio estão sendo preparados, e tudo concorre para que o paciente tenha o melhor tratamento para sua reabilitação`, disse Bicalho.

Fonte: Agecom