PETROBRAS DESCARTA QUEDA NO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS

06/05/2009
A Petrobras descarta a possibilidade de reduzir os preços da gasolina, apesar da queda das cotações do petróleo no mercado internacional, desde julho do ano passado, de US$ 140 para os atuais US$ 53. Quem informa é o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, ao justificar que, desde dezembro, os preços da gasolina no mercado americano - usados pelos críticos da empresa como referência de comparação - só fizeram subir.

Acostumado a pressões, o executivo não foge da briga, mesmo que envolva a sanha da base aliada por cargos na estatal. `Em time que está ganhando, não se mexe. Só quem muda diretores é o Conselho de Administração da Petrobras`.

Presidente da maior empresa de capital aberto do Brasil, Gabrielli sabe que é um executivo eternamente na berlinda. Tanto que diz não estranhar o puxão de orelha público, no 1º de Maio, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse que Gabrielli `precisa ser mais humilde`. Se a reprimenda foi dada pela resistência em aceitar indicações de apadrinhados dos partidos aliados, Gabrielli não admite, mas afirma - com a autoridade que só a amizade de 30 anos pode conferir - que `a Petrobras gera muito ciúme e medo no governo`, pelo tamanho e a importância conquistados.

Embora o desafio do pré-sal vá dobrar o tamanho da Petrobras até 2020, com investimentos de US$ 29,8 bilhões até 2013, Gabrielli afirma: não vai relegar a plano secundário outros empreendimentos, como as novas refinarias que estarão prontas em 2017, em Pernambuco, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Rio.

Para o Comperj, empreendimento de mais de US$ 9 bilhões, o executivo descarta qualquer possibilidade de subsidiar a entrada de sócios privados interessados no projeto, como Braskem, Ultra e Quattor. Quem quiser entrar, avisa, pode até fazê-lo depois de 2017, mas terá que aportar capital próprio, e na totalidade do projeto - primeira e segunda gerações. Com um porém: se deixar para depois, terá que pagar mais caro. `É como comprar um apartamento. Na planta é mais barato`, compara.

Autor(es): Ricardo Rego MonteiroSabrina Lorenzi

Jornal do Brasil - 06/05/2009.