O papel da agroenergia é discutido com especialista

16/04/2007
A importância do eucalipto para a economia foi ressaltada por Ignacy Sachs.

As perspectivas de desenvolvimento sustentável e includente na Bahia foram tema de um encontro, quinta-feira, na Governadoria, entre o governador Jaques Wagner e o economista e sociólogo Ignacy Sachs, consultor do Sebrae na Bahia e professor da Escola dos Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris.

Autor de vários livros sobre o assunto, o especialista conversou com Wagner sobre o papel que a agroenergia pode desempenhar no futuro e ressaltou a importância de novas matrizes energéticas, como o etanol, o biodiesel e o carvão vegetal certificado social e ambientalmente.

O professor falou sobre a necessidade de compatibilizar a potencialidade do Brasil em agroenergia com a segurança alimentar e a proteção das florestas nativas, não permitindo que o novo ciclo de desenvolvimento da agroenergia venha repetir a experiência do Proálcool.

`O programa foi muito positivo, do ponto de vista tecnológico, e muito proveitoso economicamente, mas resultou numa concentração de terra e de riqueza no país`, explicou Sachs, acrescentando que a América Latina tem uma longa experiência de desenvolvimento concentrado e excludente, `o que não é desejável`.

Para ele, o ideal é possibilitar que o novo `boom agroenergético` seja uma oportunidade de avançar para um modelo desconcentrador e includente. `A Bahia se mostra muito importante nesse sentido, pois é o estado brasileiro com o maior número de biomas e poderia ser um grande protagonista desse debate mundial`, disse, dando um exemplo nessa direção ao se referir ao Pólo Petroquímico de Camaçari.

Segundo Sachs, o pólo dá sinais de interesse no avanço da descarbonização de suas atividades. `Seria muito interessante, porém, que essa descarbonização financiasse o plantio de florestas produtivas consorciadas com outras atividades agrícolas, de maneira a evitar a monocultura, como aconteceu com o eucalipto`, explicou.

Ele afirmou que o eucalipto é de grande importância para a economia baiana como fonte de matéria-prima para papel, celulose, carvão vegetal e derivados de madeira, `mas seria interessante fazer da produção uma alavanca para o desenvolvimento rural integrado, via contratos de fomento aos pequenos produtores`. Como consultor do Sebrae, ele destacou que esse é um dos projetos que estão surgindo na Bahia.

Empresas de assistência técnica rural fazem assembléia

As atividades da 34a Assembléia Geral da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) foram concluídas ontem em Salvador. Durante o evento, houve a eleição e em seguida a posse da nova diretoria da entidade para o biênio 2007/2008. Também foram definidas as prioridades para a próxima gestão.

A abertura, realizada na quinta-feira, às 14h, no Hotel Bahia Mar, contou com a presença do presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Emerson Leal, diretores e dirigentes das associadas da Asbraer dos 27 estados.

As prestações de contas do atual Conselho Diretor foram feitas e o orçamento 2006 foi aprovado. Com 27 instituições públicas estaduais associadas, a Asbraer tem como meta divulgar, valorizar e fortalecer o trabalho da extensão rural realizado por suas associadas em todos os estados brasileiros.

O presidente reeleito da Asbraer, José Silva, destacou a importância da entidade como ferramenta para os governos federal, estadual e municipal desenvolverem suas políticas públicas na área da agricultura. `Temos alcançado várias conquistas, como o aumento de recursos para a agricultura familiar (foto) e a intensificação do intercâmbio entre os estados`, destacou.

Participação em seminário

Sachs participou ontem do seminário Agroenergia e o Desenvolvimento Includente e Sustentável, realizado no Bahia Othon Palace Hotel, em Ondina. Ele proferiu a palestra Os Desafios da Integração dos Agricultores Familiares e dos Empreendedores de Pequeno Porte na Produção de Biocombustíveis.

Nascido na Polônia em 1927, o economista e sociólogo Ignacy Sachs chegou ao Brasil como refugiado da Segunda Guerra Mundial. Antes de iniciar carreira internacional, viveu e estudou no Rio de Janeiro. Entre os eventos dos quais já participou, ele trabalhou na organização da Primeira Conferência de Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, a Estocolmo 72, realizada na Suécia. Hoje, Sachs mora na França e está em visita à Bahia há duas semanas.

Fonte: Diário Oficial 16/04/07