Cúpula energética não discutiu `Opep do Gás`, diz Lula

17/04/2007
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira, 17, que não se discutiu, na 1ª Cúpula Energética Sul-Americana, nem a criação do Banco do Sul nem a formação da chamada `Opep do Gás`. Em relação a ambas as propostas - lançadas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez - Lula indicou que manterá cautela e se mostrou um pouco contrário aos modelos apresentados.

O presidente brasileiro afirmou, em entrevista coletiva, que, antes de tudo, é preciso se definir o que será esse banco. `Ele é um banco com a finalidade do FMI? Com a finalidade do Banco Mundial? Com a finalidade do BNDES?`, questionou. `Primeiro, temos de definir por que queremos um banco, qual sua finalidade, para depois saber dizer se compensa participar, ou não`, completou.

Lula insistiu em esclarecer que não houve nenhum discussão, durante os encontros da cúpula, sobre a formação da `Opep do Gás` e informou que esse tema não consta da declaração final assinada nesta terça pelos chefes de Estado sul-americanos participantes da reunião.

Ele se mostrou aborrecido com o anúncio, feito nesta manhã, pelo ministro de Energia da Bolívia, Carlos Villegas, de que o Brasil teria pedido para ingressar nesse organismo. `Como somos presidentes, livres e democratas, cada um fale o que quiser pelos corredores`, disse.

Biocombustíveis

O presidente voltou a afirmar que a produção de biocombustíveis será uma boa saída para as economias mais pobres do mundo e defendeu a tese de que não existe competição entre a produção de alimentos e a de insumos para os biocombustíveis. `Ou seja: ninguém vai deixar de plantar feijão para plantar biocombustíveis. Ninguém vai deixar de plantar arroz para plantar biocombustíveis.`

Lula procurou desfazer a versão de que a discussão sobre o assunto teria sido motivo de grandes divergências entre os países, principalmente entre o Brasil e a Venezuela. Ele insistiu na informação de que, na declaração final sobre o encontro, foi incluído um trecho que reforça a `defesa de conhecimento da política de combustíveis renováveis` e ressaltou que a Venezuela está comprando etanol do Brasil.

Na verdade, Caracas interrompeu essa importação em outubro do ano passado e pretende retomá-la neste ano. Chávez foi um dos primeiros críticos do plano de expansão da produção de etanol anunciado por Brasil e Estados Unidos.

Lula disse que espera ver todos os países do mundo adotarem o Protocolo de Kyoto e adicionarem à gasolina combustíveis não poluentes. `Para que (se) possa despoluir o planeta. Então, todo mundo vai precisar do etanol`, previu o presidente brasileiro.

Resultado

Lula deixou, nesta tarde, Isla Margarita, na Venezuela, e embarcou de volta ao Brasil - oportunamente, antes da entrevista coletiva dos demais presidentes, que será conduzida pelo venezuelano, Hugo Chávez, após o encerramento da cúpula.

Lula afirmou, e repetiu, que o resultado dessa primeira reunião de presidentes da América do Sul para tratar da integração energética foi `extraordinário`. `Nós consolidamos a união da América do Sul. Nós criamos uma Secretaria permanente e, pela primeira vez, fizemos uma discussão muito forte sobre a integração energética`.

O presidente brasileiro afirmou ainda que o potencial energético da América do Sul é equivalente a todas as reservas de petróleo existentes no mundo, referindo-se ao somatório do potencial de produção de gás, petróleo, biodiesel e energia hidráulica e eólica.`(AC)

Fonte: Estadão 17/04/07