SP `encolhe` em produção, vendas e vagas na indústria

31/05/2007
Principal parque industrial do país, São Paulo acumulou perdas na participação da produção nacional, das vendas e de empregados em nove anos. Pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o comportamento da indústria brasileira entre os anos de 1996 e 2005 mostra que o Estado foi o principal vetor do processo de desconcentração industrial no país nesse período.

A região Sudeste foi a única a perder participação tanto em termos de produção quanto de pessoal ocupado na indústria. A região passou de uma fatia de 68,4%, em 1996, para 63,5%, na produção. Já o emprego industrial paulista recuou 6,8 pontos percentuais no período.

Para o coordenador de Indústria do IBGE, Silvio Sales, o movimento de perda de espaço da indústria paulista está relacionado, entre outros motivos, à elevação dos custos, à guerra fiscal entre Estados e à expansão da fronteira agrícola. Como ficou mais caro investir na região metropolitana, projetos industriais migraram para o interior e outros Estados. `Quando se compara a representação da Grande São Paulo em relação ao interior há 15 anos, vê-se um processo interno de desconcentração industrial, que em si não é negativo. Ele pode possibilitar uma redução da desigualdade, uma fixação das populações em áreas menos ocupadas`, afirma.

A indústria paulista apresentou uma forte queda de 9,2 pontos percentuais no espaço que ocupava na produção industrial brasileira. O valor da transformação industrial de SP, que é a diferença entre o valor bruto da produção e o custo das operações, reduziu-se de metade da produção brasileira, em 1996, para 40,2%, em 2005.

O setor recuou ainda na participação no emprego industrial e passou a corresponder a 36,4% do total de ocupados. Em 96, representava 42% do emprego na indústria. As atividades que mais contribuíram para essa redução foram os segmentos têxtil, de vestuário e de acessórios.

Em valores de vendas, São Paulo também apresentou declínio. O Estado, que respondia por 46,4% do total em 2000, passou para 41,6% em 2005. As vendas de bens de capitais no Estado passaram de 66,6% para 57,4% das vendas totais desse setor no país.

A indústria paulista também caiu nas exportações. O Estado teve um declínio de 3,8 pontos percentuais entre 2000 e 2005, na contramão das expansões verificadas no Rio de Janeiro, em Mato Grosso e na Bahia.

Na indústria fluminense, a perda de participação no emprego industrial se deu basicamente no segmento de alimentos. O Rio de Janeiro passou a concentrar, em 2005, 5,7% do total ocupado na indústria. Em 1996, o Estado representava 7,9%.

Outras regiões

A pesquisa demonstra que os setores de alimentos, principalmente na indústria mineira, calçados e artigos de couro, no caso do Ceará e da Bahia, e outros equipamentos de transporte, no Amazonas e no Rio de Janeiro, contribuíram com o ganho de representatividade do pessoal ocupado. O maior ganho percentual no período coube à região Sul (2,7 pontos).

A região Nordeste foi a que mais avançou na produção, com uma expansão de 1,8 ponto percentual, para 9,3% entre 1996 e 2005.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

Em 31/05/2007.