Bahia e EUA querem promover a ampliação das relações comerciais

19/04/2007
O estreitamento das relações entre a Bahia e os EUA deve ser feito por meio de missões e aumentando os investimentos e o fluxo comercial entre as duas regiões, pois o estado é rico em clima, povo e cultura. A declaração, do embaixador dos EUA, Clifford Sobel, no seminário Desafios e Perspectivas para a Bahia 2007/2010, realizado ontem, com a participação do governador Jaques Wagner, demonstra o interesse dos americanos em firmar acordos de cooperação com a Bahia nas áreas energética, empresarial, comercial, de transferência tecnológica e de turismo.

Sobel reafirmou a importância do potencial baiano na produção de biocombustíveis, como o etanol, que desperta um interesse especial dos EUA. `O Brasil é uma potência energética emergente e um dos principais atrativos da produção do país é o preço do etanol, que oferece uma perspectiva para a transformação do mercado de combustíveis renováveis`, declarou.

Para ele, é necessário que se juntem governo e empresariado para ampliar o intercâmbio entre a Bahia e os EUA. `O presidente Bush disse que é parceiro no processo de transformação pelo qual o Brasil está passando e, após a sua última visita ao país, ele está confiante de que aqui se pode investir`, comentou.

`Temos tudo para ampliar o nosso comércio com os Estados Unidos, pois é inconcebível que navios de carga desçam até Santos ou até o Rio de Janeiro e não parem na maior baía tropical do mundo`, afirmou Wagner. Segundo ele, a Baía de Todos os Santos possui uma condição excepcional para receber os cargueiros com produtos americanos e para servir de saída para produtos nacionais.

Ainda sobre logística, o governador afirmou que o Estado quer construir a Ferrovia Oeste/Leste para escoar produtos como os grãos do oeste baiano e, de acordo com ele, as empresas americanas que quiserem investir serão bem-vindas. `Já temos vários investimentos privados importantes, por exemplo, por meio de parcerias público-privadas (PPPs), como o que acontece no Baixio de Irecê, no Salitre e no Sul baiano`, destacou.

Wagner lembrou que a Bahia é o estado nordestino com maior economia, população e parque industrial. `Os Estados Unidos estão presentes aqui, na figura de empresas como a Ford, que recentemente declarou que a maior produtividade da empresa em todo o mundo está na unidade de Camaçari. O mesmo acontece com os japoneses da Bridgestone e com os europeus da Nestlé, e isso nos deixa muito orgulhosos`, afirmou.

Ele disse que, para atrair novos investimentos dos americanos, a Bahia está divulgando suas qualidades e mostrando o que tem a oferecer em termos de mão-de-obra e incentivos fiscais. `Mas temos que ser realistas: as negociações têm que caber no orçamento do Estado. Incentivos onde você acaba bancando o investimento precisam ser muito bem avaliados, pois é preciso uma prioridade de equilíbrio, ou quem acabará pagando por esses empreendimentos será o povo baiano`, observou.

A grande presença do empresariado da Bahia tornou o encontro um evento histórico, na opinião do governador. `Na medida que o presidente Lula estreita as relações comerciais com os Estados Unidos, devemos aproveitar este momento. Somos a sexta economia do país, que, por sua vez, é a 10ª no ranking mundial`, declarou.

Wagner disse que são vários os focos de interesse na relação entre o Brasil e os EUA. `Além da atração de empreendimentos, há a área de turismo, que precisa crescer muito`, explicou.

Matrizes energéticas

Lembrando que a bioenergia é uma das prioridades do governo federal, o governador afirmou que a Bahia tem potencial para cumprir um papel importante nessa área, devido à sua capacidade de produção agrícola. `Estamos tentando fazer um território do álcool no Oeste baiano. A região de Juazeiro já é a de maior produtividade brasileira deste combustível, com uma média de 100 toneladas por hectare, enquanto em São Paulo, quando muito, o índice chega a 75 toneladas`, ressaltou.

Quanto ao gás natural, Wagner declarou que, apesar da assinatura do contrato entre a Bahiagás e a Petrobras ter sido uma grande conquista, é preciso cautela. `Com a produção do campo de Manati, paramos de importar gás de Sergipe, mas a vida útil do poço é de cerca de 10 anos. Portanto, não havendo novas descobertas, não podemos ficar projetando a nossa indústria sobre um insumo limitado. Assim, precisamos tomar cuidado com o que estamos construindo para não passarmos dificuldades mais pra frente`, advertiu.

Fonte: Diário Oficial

19/04/07