PRIMEIRA VÍTIMA DA ‘LEI JOBIM`

31/07/2007
Cinco dias depois de assumir o Ministério da Defesa e declarar que seus subordinados devem `agir ou sair`, Nelson Jobim anunciou ontem mudanças na diretoria da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Depois de Waldir Pires, responsável pelo Ministério da Defesa, é a vez do presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, deixar o cargo. Ele permanece no posto até que um substituto seja definido. No Palácio do Planalto, a expectativa é que o nome do novo dirigente saia em 72 horas. Ontem pela manhã, Jobim comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que está em busca de um nome e aproveitou para anunciar que pretende trocar todos os 27 superintendentes. Fritado desde setembro, quando ocorreu o acidente com o avião da Gol, Pereira estava ontem resignado. `O que eu posso fazer, meu filho?`, perguntou, depois de ser avisado da iminente demissão. `Tudo que entra, sai. Tudo que sobe, desce. É a lei da física`, disse o brigadeiro, que estava na Infraero desde 2005. Antes de assumir a presidência, em abril do ano passado, José Carlos Pereira foi diretor de operações da estatal durante oito meses. Mas declarações infelizes e a falta de energia do brigadeiro para dar a própria cara à Infraero pesaram contra o militar. Dentro do governo, Pereira sempre foi visto como um homem sem pulso firme. Ele não conseguiu montar a própria equipe e precisou da ajuda da Controladoria Geral da União para afastar dos cargos funcionários acusados de corrupção. Na última semana, deu uma receita para enfrentar a crise: `Pepinos fazem parte da vida. O importante é saber lidar com os pepinos, cozinhar e cortá-los corretamente`. Foi ridicularizado.

Gerente

A troca de comando deve ficar restrita à Infraero, que administra 67 aeroportos do país, mas só não ocorreu ainda por falta de substituto. O governo busca na iniciativa privada um gerente, para preparar a abertura de capital da Infraero. Sondado para o cargo, o ex-presidente do Banco do Brasil Rossano Maranhão teria recusado a proposta no domingo. Ele foi à casa de Jobim avisar que está disposto a ajudar na solução da crise aérea assumindo uma cadeira no conselho de administração da Infraero, mas não a presidência da empresa. Apesar das sondagens, Jobim negou que tenha convidado Rossano Maranhão, que teria o apoio de parte do Palácio do Planalto. `O ministro da Defesa é quem escolhe o presidente da Infraero`, disparou o ministro da Defesa. Ele ganhou carta branca do presidente para fazer os ajustes necessários na tentativa de colocar um ponto final no caos aéreo. O primeiro ato do novo ministro foi promover militares e dar superpoderes ao major-brigadeiro Jorge Godinho, assessor especial do Ministério da Defesa. É dele a missão de planejar e orientar a execução das atividades do Departamento de Política de Aviação Civil da pasta. Reunido com o Conselho Político do governo, Jobim discutiu o diagnóstico para o setor aéreo. As pretendidas mudanças na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estão descartadas. O governo não quer dar munição aos oposicionistas, com a eventual troca de comando na diretoria da agência. Daí porque a solução encontrada é reforçar as atribuições do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), presidido pelo próprio ministro da Defesa. O problema de Jobim, agora, é encontrar novos dirigentes para a Infraero. Ele quer um técnico, com prestígio no mercado. Tais credenciais são essenciais, como reconhece o próprio governo, para tirar do papel o projeto de abertura de capital da estatal. Conforme antecipado pelo Correio, a idéia é vender de 20% a 25% do capital da empresa a fim de capitalizá-la, garantindo mais recursos para os investimentos necessários nos aeroportos nacionais.

O futuro presidente da estatal terá a missão de mediar a disputa por cargos. Na semana passada, o assunto foi tratado em uma reunião do ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e o ex-deputado federal Sigmaringa Seixas (PT-DF), que atuou como emissário nas sondagens de Lula para fazer de Jobim o novo ministro da Defesa.

A Infraero tem 33 postos de comando — entre eles, a presidência, cinco diretorias, 19 superintendências nacionais e oito regionais — espalhados pelo país. Entre os cargos convivem afilhados de parlamentares do PT, PMDB, PTB, PSB, do recém-criado PR (ex-PL) e até do DEM, o antigo PFL.

Fonte: Jornal Correio Braziliense

Fernanda Odilla e Daniel Pereira

Em 31/7/2007.