Camaçari perde espaço no setor petroquímico

07/08/2007
A aquisição da Suzano Petroquímica pela Petrobras significa a reentrada da estatal na petroquímica, ramo do qual a petrolífera se afastou na década de 70, algo imposto durante o processo de privatização da indústria petroquímica brasileira. A movimentação dos ativos aponta para a consolidação da petroquímica do Sudeste do País, o que pode reduzir a competitividade do Pólo Petroquímico de Camaçari ante o Pólo Petroquímico de São Paulo e o do Rio de Janeiro, que inicia operações em 2012.

A corrida é em direção à atração de empresas, que representam novos investimentos nos complexos industriais, além de impacto positivo na geração de emprego e renda.

Enquanto as atenções da indústria se voltam para a aquisição da Petrobras no complexo industrial paulistano, o mercado baiano fica em stand by, esperando a repercussão que a compra da Suzano Petroquímica poderá ter na indústria brasileira, aponta Oswaldo Guerra, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba). `É preciso que estratégias sejam revistas, a fim de que o Pólo de se adeqüe a este novo memento`, aponta Guerra.

Ele ainda prevê uma tendência de que o complexo de Camaçari, por conta de fatores estruturais, se volte cada vez mais à produção de polietileno - termoplástico que encontra maior aplicação como matéria-prima para a indústria de embalagens plásticas. Guerra ainda observa que, para assegurar a competitividade ante os pólos de São Paulo e Rio, a questão infra-estrutural deve ser resolvida.

Os gargalos infra-estruturais baianos foi um dos assuntos tratados pelo governador Jaques Wagner (PT) ontem, durante o encontro Diálogo Público Privado, evento promovido em São Paulo, pela Câmara Americana de Comércio (Amcham). De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa da Amcham, o governador admitiu que a capacidade de investimento do Estado seria baixa para novos investimentos em infraestrutura. De acordo com o governador, a perspectiva do governo baiano é contar com o apoio do governo federal, principalmente através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de parcerias com o setor privado.

ESTAGNAÇÃO - Enquanto os novos aportes financeiros em infraestrutura não chegam, o complexo industrial de Camaçari tem a sua capacidade de atrair investimentos reduzida. `Recentemente, perdemos um investimento de US$ 580 milhões, numa planta de PTA (matéria-prima para poliéster) para Pernambuco, além de um outro investimento de US$ 360 milhões em ácido acrílico (para tintas e revestimentos)`, afirma Adary Oliveira, o professor da Universidade de Salvador (Unifacs) e autor do livro O Pólo Petroquímico de Camaçari - Industrialização, Crescimento Econômico e Desenvolvimento Regional.

Oliveira observa que, apesar de ainda ser o maior pólo petroquímico do País, o complexo de Camaçari vem perdendo a competitividade, algo demonstrado a partir da perda da liderança na produção de resinas termoplásticas.

Uma fonte ligada ao setor apontou que a perda dos investimentos teria como pano de fundo a articulação de grupos organizados, que pressionam o governo a mudar geopolítica de atração de investimentos, o que poderia preterir Pólo baiano, como candidato a sede de novos investimentos na petroquímica brasileira.

O diretor da consultoria Maxiquim, João Luiz Zuñedas, observa que, por conta da aquisição da Suzano Petroquímica pela Petrobras, a estatal passa a ser fornecedora, cliente, e, ao mesmo tempo, concorrente das indústrias do setor petroquímico.

`E o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) com certeza está acompanhando a situação de perto, por conta do impacto que a negociação possa ter no mercado acionário`, observa Zuñedas. O executivo ainda acrescenta que a situação gera um certo desconforto, entre as empresas que têm contratos com a Petrobras relacionados à aquisição de matériaprima, dado o desconforto de se negociar com um concorrente.

Jornal A Tarde - Economia

LUIZ SOUZA

lsouza@grupoatarde.com.br

Em 7/08/2007.