12/09/2007
Com o objetivo de recuperar a infra-estrutura portuária e estimular a competitividade dos portos baianos, o governo do Estado - em parceria com o governo federal - pretende investir, até 2010, cerca de US$ 300 milhões nos portos de Aratu, Salvador e Ilhéus. O anúncio foi feito pelo secretário estadual de infra-estrutura, Antonio Carlos Batista Neves, nesta última terça-feira (11), durante a abertura da V Reunião da Comissão Interamericana de Portos.O evento, onde esteve representando o governador Jaques Wagner -que se encontra em missão oficial nos Estados Unidos -, foi realizado no hotel Pestana e contou com a presença do ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República, Pedro Brito.
O encontro reuniu representantes de 34 países que fazem parte da Organização dos Estados Americanos. Até esta sexta-feira (14), eles vão discutir o desenvolvimento do setor portuário. A Bahia tem três portos que, juntos, são responsáveis pela exportação de 10 milhões de toneladas por ano.
O porto de Ilhéus escoa parte da carga de grãos e movimenta 1 milhão de toneladas por ano. O de Aratu movimenta cerca de 60% da carga do Estado e é por ele que passam os produtos do Pólo Petroquímico de Camaçari, do Centro Industrial de Aratu (Cia) e do complexo da Ford. Já o porto de Salvador é o de maior movimento de containers do Norte e Nordeste, e o segundo maior exportador de frutas do Brasil.
No entanto, nem toda a produção baiana é escoada pelos três portos, um exemplo, é o porto de Vitória (Espírito Santo) que recebe parte da produção de celulose. 'Vamos precisar expandir a capacidade de atendimento de containers porque sabe-se que a Bahia está perdendo cargas para outros portos aqui mesmo na região do Nordeste e até mesmo no Sul do País e não há possibilidade de isso continuar acontecendo sendo um prejuízo para a economia baiana', afirmou o ministro Pedro Brito.
Conforme o secretário estadual de Infra-estrutura, o recurso de US$ 300 milhões será destinado justamente para a revitalização destes portos e, principalmente, para a construção de acessos rodoviário, portuário e ferroviário. 'Com isso, nós vamos alavancar os portos da Bahia, que estavam completamente abandonados, para que eles tenham uma competitividade maior não só com relação aos portos do mundo, mas também em todo o país e, principalmente, no Nordeste', afirmou Batista Neves, ressaltando que 'o início efetivo dos investimentos demandados ocorrerá após a liberação dos recursos por parte do governo federal, que tenho certeza, será agilizada pelo competente ministro Pedro Brito'.
Durante reunião na sede da Codeba, no mesmo dia da abertura do encontro da Comissão Interamericana, o ministro Pedro Brito anunciou a liberação de R$ 190 milhões para as obras da via expressa portuária - exclusiva para veículos pesados - que interligará a retroárea a ser implantada nas margens da BR 324 ao porto de Salvador. O investimento faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e início das obras está previsto para ainda no primeiro semestre do próximo ano.
De acordo com o ministro, é necessário que a Bahia invista não só na via portuária, mas também no aprofundamento do calado através de dragagem. 'A medida tanto em Salvador, quanto em Ilhéus ou Aratú permitiria que esses portos recebessem navios cada vez maiores'. 'Os portos atualmente comportam apenas um calado de 12 metros e a maioria dos navios possuem calados maiores, seja de carga ou de turismo. Neste sentido, o governo do Estado está trabalhando para que o berço e a bacia de evolução dos portos sejam aprofundados para 15 metros', acrescentou Batista Neves.
Para o presidente da Codeba, Newton Dias, companhia que administra os portos baianos, apesar das melhorias que devem ser feitas nos terminais, os portos estão operando dentro do limite. 'A Bahia, em 2007, cresceu 25% em cargas. Então, estamos dentro do nosso patamar. Mas temos várias propostas, inclusive para o porto de Salvador, como a ampliação da ponta norte que pretende aumentar em 80% a nossa exportação, passando de 10 milhões de toneladas para 18 milhões até 2010', explicou.
Fonte: Ascom/Seinfra