15/05/2007
LONDRES - A realidade mostrada num documentário brasileiro sobre as condições de trabalho nos canaviais é o mais novo argumento do presidente cubano, Fidel Castro, na sua ofensiva contra a indústria do etanol.
Fidel dedica três quartos de um artigo que escreveu no jornal oficial cubano Gramma, publicado nesta terça-feira, a uma síntese que faz do que acredita ser a `essência` da mensagem que a diretora Maria Luisa Mendonça quis passar no documentário Bagaço (2006)..
A produção foi exibida em Cuba durante o 6º Encontro Hemisférico de Luta contra os Tratados de Livre Comércio e pela Integração dos Povos, no início de maio, em Havana.
`É preciso desmistificar a propaganda sobre os supostos benefícios dos agrocombustíveis. No caso do etanol, a cultura e processamento da cana-de-açúcar contaminam os solos e as fontes de água potável, porque utilizam uma grande quantidade de produtos químicos`, afirmou Fidel, que já criticou o biocombustível brasileiro em outros editoriais do Gramma.
O presidente, afastado do cargo desde julho do ano passado por motivos de saúde, diz que o processo de destilação do etanol produz um resíduo denominado vinhoto que `contamina rios e fontes de águas subterrâneas`. Segundo ele, apenas `uma parte` pode ser aproveitada como fertilizante.
Mas o aspecto social é mais ressaltado por Fidel, que descreve as condições supostamente precárias e insalubres às quais os cortadores de cana são submetidos.
`Trabalham sem um registro formal, sem equipamentos de proteção, sem água ou alimentação adequada, sem acesso aos banheiros e com habitações muito precárias; além disso, eles têm que pagar pela habitação, pela comida, que é muito cara, e precisam pagar por equipamentos como botas e facões e, claro, no caso de acidentes de trabalho, que são muitíssimos, não recebem o tratamento adequado`, escreve Fidel, que também reproduz relatos de vários canavieiros entrevistados no documentário..
História pessoal.
No final do artigo, o presidente cubano relata que ele mesmo nasceu num `latifúndio canavieiro, de propriedade privada, cercado ao norte, leste e oeste por grandes extensões de terra` de multinacionais dos Estados Unidos.
`O corte era manual, em cana verde, nessa altura não se usavam herbicidas, nem sequer fertilizantes. Uma plantação podia durar mais de 15 anos. A mão-de-obra era tão barata que as multinacionais ganhavam muito dinheiro.`.
O presidente cubano termina o artigo elogiando a decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do medicamento Efavirenz e da solução `mutuamente satisfatória` da disputa com a Bolívia em torno das duas refinarias de petróleo que a Petrobras mantém no país. `Reitero que sentimos profundo respeito pelo irmão povo do Brasil`, disse Fidel.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que fornece petróleo para Cuba, também já fez críticas públicas ao etanol..
Com roteiro de Marluce Melo, Maria Luisa Mendonça, Plácido Júnior e Tiago Thorlby, o documentário Bagaço traz depoimentos de cortadores de cana que ainda estão na ativa. A direção é de Maria Luisa Mendonça e Tiago Thorlby e a edição, de Hiran Cordeiro.
FONTE: BBC BRASIL.com/Estado de São Paulo Em 15/05/2007
Fidel dedica três quartos de um artigo que escreveu no jornal oficial cubano Gramma, publicado nesta terça-feira, a uma síntese que faz do que acredita ser a `essência` da mensagem que a diretora Maria Luisa Mendonça quis passar no documentário Bagaço (2006)..
A produção foi exibida em Cuba durante o 6º Encontro Hemisférico de Luta contra os Tratados de Livre Comércio e pela Integração dos Povos, no início de maio, em Havana.
`É preciso desmistificar a propaganda sobre os supostos benefícios dos agrocombustíveis. No caso do etanol, a cultura e processamento da cana-de-açúcar contaminam os solos e as fontes de água potável, porque utilizam uma grande quantidade de produtos químicos`, afirmou Fidel, que já criticou o biocombustível brasileiro em outros editoriais do Gramma.
O presidente, afastado do cargo desde julho do ano passado por motivos de saúde, diz que o processo de destilação do etanol produz um resíduo denominado vinhoto que `contamina rios e fontes de águas subterrâneas`. Segundo ele, apenas `uma parte` pode ser aproveitada como fertilizante.
Mas o aspecto social é mais ressaltado por Fidel, que descreve as condições supostamente precárias e insalubres às quais os cortadores de cana são submetidos.
`Trabalham sem um registro formal, sem equipamentos de proteção, sem água ou alimentação adequada, sem acesso aos banheiros e com habitações muito precárias; além disso, eles têm que pagar pela habitação, pela comida, que é muito cara, e precisam pagar por equipamentos como botas e facões e, claro, no caso de acidentes de trabalho, que são muitíssimos, não recebem o tratamento adequado`, escreve Fidel, que também reproduz relatos de vários canavieiros entrevistados no documentário..
História pessoal.
No final do artigo, o presidente cubano relata que ele mesmo nasceu num `latifúndio canavieiro, de propriedade privada, cercado ao norte, leste e oeste por grandes extensões de terra` de multinacionais dos Estados Unidos.
`O corte era manual, em cana verde, nessa altura não se usavam herbicidas, nem sequer fertilizantes. Uma plantação podia durar mais de 15 anos. A mão-de-obra era tão barata que as multinacionais ganhavam muito dinheiro.`.
O presidente cubano termina o artigo elogiando a decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do medicamento Efavirenz e da solução `mutuamente satisfatória` da disputa com a Bolívia em torno das duas refinarias de petróleo que a Petrobras mantém no país. `Reitero que sentimos profundo respeito pelo irmão povo do Brasil`, disse Fidel.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que fornece petróleo para Cuba, também já fez críticas públicas ao etanol..
Com roteiro de Marluce Melo, Maria Luisa Mendonça, Plácido Júnior e Tiago Thorlby, o documentário Bagaço traz depoimentos de cortadores de cana que ainda estão na ativa. A direção é de Maria Luisa Mendonça e Tiago Thorlby e a edição, de Hiran Cordeiro.
FONTE: BBC BRASIL.com/Estado de São Paulo Em 15/05/2007