Segmento étnico-afro fomenta novos vôos internacionais e qualificação de trade turístico

14/03/2008
A visita da Secretária de Estado Norte-americana, Condoleezza Rice, é estratégica para a revisão do acordo comercial bilateral entre Brasil e Estados Unidos, que determina a quantidade de vôos originados de e para ambos os países. A secretaria de Turismo da Bahia acredita ser esse um documento já ultrapassado, porque não contempla uma nova realidade: o crescimento do turismo étnico-afro na Bahia. Por isso, o Governo do Estado espera obter o apoio de Rice para a ampliação do número de vôos diretos para a Bahia. Atualmente só há um vôo semanal direto dos Estados Unidos para Salvador.

O Programa de Desenvolvimento do Turismo Étnico-Afro foi lançado pelo governo em agosto do ano passado, durante a Festa da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, que a cada ano atrai um número cada vez maior de visitantes estrangeiros.

Na época, o Ministério do Turismo assinou um convênio no valor de R$ 1.245, 200 para ações imediatas de diagnóstico. Grande parte desse dinheiro já foi investida em cursos e seminários voltados para associações de capoeira e comunidades religiosas de matriz africana e em pesquisas que identificaram as principais necessidades para a estruturação desse tipo de segmento turístico no estado.

Dentro de um mês, uma missão da empresa de aviação Delta Airlines virá à Bahia para finalizar as negociações sobre vôos diretos. `Já tivemos duas reuniões em Atlanta, sede da empresa, em novembro do ano passado e em fevereiro desse ano. Nessa terceira reunião, sentaremos com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero para a definição. A Delta Airlines já avisou que só opera com no mínimo dois vôos diretos por semana`, explica Billy Arquimimo, coordenador de Tursimo Étnico-Afro da Setur.

A Setur já sabe também que é preciso investir na qualificação e especialização de guias de turismo, do empresariado e dos serviços de hospedagem. Para isso, trabalha com a possibilidade de construção de oito Home-stays, espécies de pousadas, em entidades de utilidade pública que já têm a prática da hospedagem de turistas afro-americanos, como blocos afros, centros culturais, terreiros de candomblé e restaurantes.

Há um levantamento de locais onde esses home-stays poderiam ser erguidos, com recursos de aproximadamente R$ 6 milhões do Ministério do Turismo, conforme acenou a ministra Marta Suplicy. Seriam nos bairros do Curuzu Liberdade, Pau Miúdo (Centro de capoeira Mangangá), Pirajá (sede do projeto Cortejo Afro), Federação e Itapuã, em Salvador. Fora da capital, as possibilidades são Cachoeira, Maragogipe e São Francisco do Conde.

Pelourinho

Nas ruas do Centro Histórico de Salvador, um dos principais locais de visitação estrangeira da Bahia e talvez o mais marcado pela herança cultural dos negros africanos, a vida segue em um ritmo próprio, marcado pela percussão dos blocos afros, que ali têm sede, e pelos sons de línguas diferentes. A curiosa Jéssica, de 5 anos, aluna do Balé Folclórico da Bahia, sentada nas escadarias da Casa de Jorge Amado, pergunta ao pai se todos os ‘gringos` que vão ao Pelô são brancos. O pai, um comerciário de 47 anos, lhe dá uma aula sobre turistas estrangeiros e diz:`O turista estrangeiro negro vem em menor quantidade, mas vem.`

Aguinaldo Silva, presidente do Bloco carnavalesco Filhos de Gandhi, com sede no Pelourinho, avalia positivamente o programa estadual de incentivo ao turismo étnico-afro: `Além de trazer divisas para o Estado, proporciona que esses turistas conheçam as suas origens, fincadas na África`, afirmou.

Para o guia de turismo Josué Cassiano, essa é uma boa política. `Os negros norte-americanos têm interesse na busca por sua identidade cultural. Mês passado, por exemplo, guiei um pai de santo nova-iorquino`, contou.

Roteiro

A partir das oito horas da manha, desta sexta-feira (14), o Centro Histórico terá a sua rotina quebrada com a visita da secretária de Estado, Condoleezza Rice. Primeiro, ela, o governador e suas respectivas comitivas vão à igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, seguem depois para o Museu da Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba), na praça da Sé, onde vão conhecer projetos sociais desenvolvidos em parceria entre a empresa Neoenergia, Governo do Estado e a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid ).

Em seguida, vão, à pé, ao Museu Afro da Bahia, no Terreiro de Jesus (Centro Histórico), seguidos pelo grupo infantil `Bagunçaço` (um dos projetos do convênio Coelba/Usaid) e capoeiristas. No Terreiro, está prevista uma apresentação do Olodum. Por volta das 10h, a secretária Condoleezza Rice embarca para Santiago do Chile.

Fonte: Agecom

13/03/08