Dilma sinaliza queda no preço dos combustíveis

04/12/2008
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) sinalizou uma possível redução no preço da gasolina e do óleo diesel. De acordo com a ministra, que é presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o preço poderá cair nas refinarias da estatal por conta da queda na cotação do barril de petróleo no mercado internacional. `Vai haver, eu acredito, a partir do momento em que se estabilize o preço [do barril de petróleo no mercado internacional], uma acomodação para baixo`, disse a ministra, em audiência pública na Câmara dos Deputados. Segundo a ministra, a mudança é `inexorável`, uma vez que seja mantida a tendência de queda no preço do petróleo. Ela não deu data nem percentuais para a redução dos combustíveis. A Petrobras não quis comentar as declarações da ministra. A última redução de preços aconteceu em abril de 2003 (-6,5% para gasolina e -8,6% para o diesel). Desde então, houve cinco aumentos.

A última mudança aconteceu em maio (reajuste de 10% na gasolina e 15% no diesel), quando o barril de petróleo tipo Brent custava US$ 110,61. Para reduzir o impacto da alta ao consumidor, o governo reduziu a Cide-Combustíveis (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Ontem, o preço era de US$ 47,22 (redução de 57,3% sobre aquele valor). Por outro lado, o dólar valia R$ 1,64 no último reajuste, e ontem fechou a R$ 2,47 (aumento de 50,6%).

Em tese, a Petrobras deveria manter os preços dos combustíveis que vende em suas refinarias compatíveis com o custo de importação. Por isso, reduções na cotação internacional do petróleo contribuem para quedas, mas a alta do dólar contribui para aumentos.

Cálculos feitos por consultorias especializadas indicam que o preço da Petrobras está mais alto do que o custo de importação. Para a RC Consultores, o preço cobrado pela estatal está 52% mais alto para a gasolina e 19% maior para o diesel. Para a CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), o preço da gasolina estava 73% maior, e o do diesel, 15%.

No Brasil, a Petrobras define os valores dos combustíveis nas refinarias, mas nas distribuidoras e nos postos os preços são liberados.

Dilma Rousseff defendeu a operação de crédito de R$ 2 bilhões da Caixa para a Petrobras e lamentou a repercussão do fato na imprensa. `Não há nenhum problema em emprestar para a Petrobras. Estarrecedor é que coloquem um problema desses. Porque, internacionalmente, começam a perguntar o que está acontecendo. Ninguém atina que estamos praticando tiro ao alvo no próprio pé. Isso é lamentável`, disse.

De acordo com informações da ministra, serão necessários aproximadamente US$ 600 bilhões para explorar as reservas de petróleo na região do pré-sal, até 2020. Esse valor, segundo ela, inclui os investimentos da Petrobras e de empresas privadas nas plataformas e nos navios. Só o projeto-piloto do campo de Tupi custará à estatal R$ 9,3 bilhões.

A ministra disse ainda que hoje os projetos de exploração de petróleo são viáveis com a cotação do barril até US$ 35.

Autor(es): HUMBERTO MEDINAV

Folha de S. Paulo

- 04/12/2008.