Crise faz GDF suspender R$ 1,8 bi em obras

25/03/2009
A crise internacional atingiu o Distrito Federal com mais força. Ontem foi a vez de a equipe econômica do governo local cortar despesas. No total, serão eliminados ou adiados — como preferiu dizer o secretário de Planejamento, Ricardo Penna — R$ 1,884 bilhão em gastos com investimentos e custeio. A mudança nos planos vai atrasar o início de obras previstas para este ano (veja quadro). Além disso, serviu para confirmar a suspensão de reajustes aos servidores e de autorização para posse de aprovados em concursos públicos.

Apesar do corte federal nas contas do DF somar R$ 520 milhões, o GDF prevê que sua receita própria deve cair R$ 500 milhões, informou o secretário de Fazenda, Valdivino Oliveira. Essa estimativa mostra que a crise chegou de fato ao DF, unidade da federação que ainda não havia sentido fortemente os efeitos do novo cenário econômico mundial.

A exemplo do governo federal, o GDF resolveu evitar cortes nos programas sociais. Com um orçamento total previsto de R$ 20 bilhões, a equipe econômica teve de rever a situação financeira diante do arrocho anunciado pelo Ministério do Planejamento na semana passada. Desse total, R$ 7,8 bilhões correspondem ao Fundo Constitucional do DF, dinheiro que pode ser aplicado apenas em Educação, Saúde e Segurança. Como o governo federal cortou R$ 240 milhões do fundo, os planos do DF para essa verba foram prejudicados. Somado a isso, foi anunciado o contingenciamento de R$ 280 milhões de emendas parlamentares que deveriam ser usadas principalmente para investimentos.

Servidores

No começo do ano, o GDF havia anunciado um corte de 30% em despesas de custeio, incluindo a folha de pagamento. Ontem, Penna reiterou as ações para diminuir os gastos com servidores: `Os aumentos de despesas com pessoal estão suspensos até que a economia sopre ventos melhores.` Os concursos em andamentos seguem normalmente, mas as contratações serão interrompidas. `Só contrataremos em caso de extrema necessidade`, afirmou Penna.

Diante desse quadro já apertado, como destacou Oliveira, o jeito foi passar a tesoura em investimentos ainda não iniciados para evitar que construções iniciadas fossem paralisadas. `Tínhamos poucas alternativas, temos 1.530 obras em andamento e não queríamos interrompê-las`, explicou o secretário de Fazenda. Dos 15 investimentos adiados, dois — o veículo leve sobre trilhos (VLT) e o veículo leve sobre pneus (VLP) —, dependem de recursos do exterior que, se forem liberados, permitirão o início dos projetos. `Não podemos perder recursos de fora e se conseguirmos os empréstimos para o VLT e o VLP vamos executar as obras, não podemos dispensar`, disse Oliveira.

Enquanto o financiamento internacional não chega, cabe aos brasilienses esperar a situação econômica mundial melhorar para que os investimentos sejam retomados já que, segundo Penna, eles foram apenas suspensos. `A palavra não é cancelar e sim postergar`, ressaltou Penna.

Autor(es): Luciana Navarro

Correio Braziliense - 25/03/2009.