EUA recuam de plano energético para a AL

07/04/2009
Os Estados Unidos estão interessados em desenvolver novos mecanismos de cooperação na área energética com o Brasil e outros países da América Latina, mas o presidente Barack Obama acredita que não há espaço hoje para iniciativas ambiciosas como a que ele prometeu na campanha eleitoral do ano passado.

A ideia de uma Parceria Energética para as Américas foi lançada por Obama num discurso em que ele apresentou seus planos para a região, em maio de 2008. Ele nunca detalhou a proposta, mas de umas semanas para cá seus assessores passaram a dar sinais claros de que a ideia será colocada em banho-maria.

`Há um desejo por parcerias, mas não há um formato que sirva para todos os países da região`, disse ontem o embaixador Jeffrey Davidow, assessor especial da Casa Branca para os preparativos da 5ª Cúpula das Américas, reunião de líderes regionais que será realizada na próxima semana em Trinidad e Tobago.

`Alguns países estão mais ansiosos para trabalhar conosco em alguns assuntos e outros não estão`, disse Davidow. Ele citou o Brasil, com o qual os EUA assinaram há dois anos um acordo para promoção do consumo de biocombustíveis na América Central, e o Chile como países interessados em ampliar a cooperação com os EUA nessa área.

A Cúpula das Américas será para Obama a primeira oportunidade de encontrar a maioria dos líderes da América Latina, uma região que ele conhece mal e que se distanciou muito dos EUA nos últimos anos. Embaixadores americanos foram recentemente expulsos da Venezuela e da Bolívia, acusados de insuflar grupos de oposição doméstica.

Davidow confirmou que Obama deve anunciar em breve a decisão de aliviar restrições impostas pelos EUA a viagens e remessas de cubano-americanos para parentes que vivem em Cuba, cumprindo uma promessa feita na campanha e fazendo um gesto que poderá ajudá-lo a aplacar os críticos das políticas americanas na região.

O embaixador disse que os EUA não consideram a possibilidade de levantar o embargo comercial imposto a Cuba enquanto não houver reformas políticas mais profundas na ilha. `A situação do país no que diz respeito à liberdade dos seus cidadãos não parece ter mudado` com a substituição de Fidel Castro na presidência do país por seu irmão Raul, disse Davidow.

Autor(es): Ricardo Balthazar, de Washington

Valor Econômico - 07/04/2009.