02/08/2007
Com ações voltadas ao diagnóstico de pacientes intoxicados e à identificação de animais peçonhentos e plantas venenosas, o Centro de Informações Antiveneno da Ba- hia (Ciave) registra uma média superior a 6 mil atendimentos anuais desde 2000.
No topo da lista das intoxicações agudas está o uso impróprio de medicamentos, seja por acidente ou por tentativa de suicídio.
Vinculado à Secretaria da Saúde (Sesab), o centro, que faz 27 anos de funcionamento no dia 31 deste mês, é referência nacional em toxicologia e considerado modelo para países em desenvolvimento pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
De acordo com o toxicologista Daniel Rebouças, coordenador médico do Ciave, o perfil da vítima, nos mais diversos tipos de intoxicação, é de crianças de 1 a 5 anos e de adultos entre 20 e 29 anos, de todas as classes sociais.
O centro desenvolve um trabalho intenso de combate ao uso de raticidas, problema que se tornou visível há 10 anos, chegando ao ápice entre 2000 e 2001. Na época, foram registrados 1.200 casos e 45 mortes, com destaque para o popular chumbinho.
A situação levou os órgãos de saúde do governo estadual e da prefeitura de Salvador a agirem de forma mais intensa, distribuindo panfletos informativos à população e veiculando peças educativas na mídia. `Buscamos conscientizar as pessoas a não manter esse tipo de produto em casa, levando em conta que 80% das intoxicações acontecem no ambiente doméstico`, disse Rebouças.
Além disso, explicou, os profissionais de saúde foram capacitados para diagnosticar e tratar os casos de acidentes com chumbinho. Assim, a incidência, os casos graves e as mortes diminuíram. Em 2006, foram 23 mortes decorrentes de raticidas na Bahia.
Animais perigosos - Geralmente, 90% das ocorrências com serpentes peçonhentas acontecem com a jararaca e 1% com a cobra coral, embora o veneno dessa última seja mais potente. Isso acontece porque a coral verdadeira vive mais escondida, embaixo das folhas, e só ataca quando se sente ameaçada.
Já a jararaca vive mais exposta e dá o bote com mais facilidade, gerando dor e inchaço no local da picada. Já o veneno da cobra coral deixa a vítima com dificuldade para abrir os olhos e engolir, podendo ocorrer ainda falta de ar.
As aranhas venenosas mais comuns são a viúva-negra, freqüente na Bahia, e a aranha-marrom, mais rara no estado e encontrada em maior quantidade no Paraná. Por sua vez, os escorpiões costumam ser encontrados em bairros como Cajazeiras, Boca da Mata, Santa Cruz, Nordeste de Amaralina, Chapada do Rio Vermelho, Vale das Pedrinhas e Fazenda Grande do Retiro.
Sua picada costuma doer muito, mas as espécies encontradas em Salvador não são perigosas. Para fugir deles e de outros bichos, o ideal é evitar andar descalço e manter o ambiente limpo, higienizado.
Seja qual for o animal agressor, é sempre recomendável lavar o local da picada com bastante água e sabão e deixar de lado as bebidas alcoólicas, chás e remédios ditos milagrosos.
Também é bom lembrar que nem sempre os peixes são inofensivos. Quem pisar no peixe-pedra ou no niquim possivelmente vai se ferir.
Chumbinho, suicídio e acompanhamento
`O uso do chumbinho é mais comum nas famílias menos favorecidas economicamente e que vivem em casas precárias, onde há ratos e lixo acumulado. No organismo, a substância pode ser fatal, se não houver atendimento rápido e eficaz`, informou o médico.
Com dois psicólogos em sua equipe, o Ciave também oferece acompanhamento ambulatorial contínuo a pacientes com comportamento suicida, com o devido consentimento da pessoa.
O coordenador afirmou que geralmente a tentativa de suicídio decorre de algum distúrbio afetivo, quando a pessoa ingere medicamentos, raticidas e água sanitária. Dos remédios utilizados nessas tentativas, 60% são psicofármacos.
Os resultados, até agora, são positivos. Os dados mostram que o acompanhamento após o atendimento emergencial tem reduzido a taxa de reincidência para índices inferiores a 0,1%. `A maioria das pessoas com comportamento suicida é do sexo feminino. Para a eficácia do acompanhamento, o apoio da família é muito importante`, declarou o médico.
Segundo serviço de toxicologia do Brasil a integrar o Sistema Nacional de Informações Toxicológicas, o Ciave é responsável também pela coordenação do Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos na Bahia e pela distribuição de soros para as 31 Dires.
Plantas venenosas
No Ciave, há também um jardim de plantas venenosas, inaugurado no ano 2000. As crianças são as maiores vítimas delas. As plantas também são utilizadas em casos de aborto e suicídio.
l Espirradeira - Pensam que ela é abortiva, mas não é. Pode causar intoxicação no coração e até levar à morte.
l Comigo-ninguém-pode - Geralmente usada em casa como enfeite, já que espanta o mau-olhado, segundo a crença popular. Causa coceira e inchação nos lábios, além de diarréia, quando ingerida.
l Graveto-do-cão - As pessoas costumam usar esta planta equivocadamente para tirar verruga. No sertão, é utilizada como cerca. Causa coceira e até queimadura, além de lesões na mucosa da boca e salivação, dores abdominais, náuseas e vômitos.
l Pinhão-roxo - Causa dores abdominais, distúrbios neurológicos e respiratórios, podendo levar à morte.
l Cocó - Provoca inchação, edema de lábios, irritação na mucosa da boca e diarréia, quando ingerida.
Agentes tóxicos mais freqüentes
l Medicamentos - 18,7%
l Raticidas (chumbinho e outros) - 14,4%
l Animais não-peçonhentos (piolho-de-cobra e outros) -13,6%
l Serpentes - 11,7%
l Escorpiões - 9,8%
l Produtos químicos industriais (querosene e outros) - 6,6%
l Domissanitários (água sanitária) - 5,9%
l Outros animais peçonhentos/venenosos - 3,5%
l Agrotóxicos (uso doméstico) - 2,9%
l Agrotóxicos (uso agrícola) - 2,7%
l Desconhecidos - 2,4%
l Plantas - 2,4%
l Outros agentes - 5,5%
Atendimento 0800 284 4343
Fundado em agosto de 1980, na Estrada do Saboeiro (Cabula), o Centro de Informações Antiveneno da Bahia disponibiliza atendimento presencial 24 horas e por telefone (0800 284 4343). A equipe de funcionários conta com profissionais das áreas de medicina, farmácia, biologia, medicina ve- terinária, psicologia e enfermagem, além de sanitaristas, 14 estagiários (bolsistas) nas mes- mas especialidades e 30 voluntários.
Um banco de antídotos e um laboratório de análises toxicológicas compõem a estrutura física. Na segunda quinzena do mês de julho, o centro recebeu a visita da presidente da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), Mirta Roses Pe- riado.
Fonte: Diário Oficial
02/08/07
No topo da lista das intoxicações agudas está o uso impróprio de medicamentos, seja por acidente ou por tentativa de suicídio.
Vinculado à Secretaria da Saúde (Sesab), o centro, que faz 27 anos de funcionamento no dia 31 deste mês, é referência nacional em toxicologia e considerado modelo para países em desenvolvimento pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
De acordo com o toxicologista Daniel Rebouças, coordenador médico do Ciave, o perfil da vítima, nos mais diversos tipos de intoxicação, é de crianças de 1 a 5 anos e de adultos entre 20 e 29 anos, de todas as classes sociais.
O centro desenvolve um trabalho intenso de combate ao uso de raticidas, problema que se tornou visível há 10 anos, chegando ao ápice entre 2000 e 2001. Na época, foram registrados 1.200 casos e 45 mortes, com destaque para o popular chumbinho.
A situação levou os órgãos de saúde do governo estadual e da prefeitura de Salvador a agirem de forma mais intensa, distribuindo panfletos informativos à população e veiculando peças educativas na mídia. `Buscamos conscientizar as pessoas a não manter esse tipo de produto em casa, levando em conta que 80% das intoxicações acontecem no ambiente doméstico`, disse Rebouças.
Além disso, explicou, os profissionais de saúde foram capacitados para diagnosticar e tratar os casos de acidentes com chumbinho. Assim, a incidência, os casos graves e as mortes diminuíram. Em 2006, foram 23 mortes decorrentes de raticidas na Bahia.
Animais perigosos - Geralmente, 90% das ocorrências com serpentes peçonhentas acontecem com a jararaca e 1% com a cobra coral, embora o veneno dessa última seja mais potente. Isso acontece porque a coral verdadeira vive mais escondida, embaixo das folhas, e só ataca quando se sente ameaçada.
Já a jararaca vive mais exposta e dá o bote com mais facilidade, gerando dor e inchaço no local da picada. Já o veneno da cobra coral deixa a vítima com dificuldade para abrir os olhos e engolir, podendo ocorrer ainda falta de ar.
As aranhas venenosas mais comuns são a viúva-negra, freqüente na Bahia, e a aranha-marrom, mais rara no estado e encontrada em maior quantidade no Paraná. Por sua vez, os escorpiões costumam ser encontrados em bairros como Cajazeiras, Boca da Mata, Santa Cruz, Nordeste de Amaralina, Chapada do Rio Vermelho, Vale das Pedrinhas e Fazenda Grande do Retiro.
Sua picada costuma doer muito, mas as espécies encontradas em Salvador não são perigosas. Para fugir deles e de outros bichos, o ideal é evitar andar descalço e manter o ambiente limpo, higienizado.
Seja qual for o animal agressor, é sempre recomendável lavar o local da picada com bastante água e sabão e deixar de lado as bebidas alcoólicas, chás e remédios ditos milagrosos.
Também é bom lembrar que nem sempre os peixes são inofensivos. Quem pisar no peixe-pedra ou no niquim possivelmente vai se ferir.
Chumbinho, suicídio e acompanhamento
`O uso do chumbinho é mais comum nas famílias menos favorecidas economicamente e que vivem em casas precárias, onde há ratos e lixo acumulado. No organismo, a substância pode ser fatal, se não houver atendimento rápido e eficaz`, informou o médico.
Com dois psicólogos em sua equipe, o Ciave também oferece acompanhamento ambulatorial contínuo a pacientes com comportamento suicida, com o devido consentimento da pessoa.
O coordenador afirmou que geralmente a tentativa de suicídio decorre de algum distúrbio afetivo, quando a pessoa ingere medicamentos, raticidas e água sanitária. Dos remédios utilizados nessas tentativas, 60% são psicofármacos.
Os resultados, até agora, são positivos. Os dados mostram que o acompanhamento após o atendimento emergencial tem reduzido a taxa de reincidência para índices inferiores a 0,1%. `A maioria das pessoas com comportamento suicida é do sexo feminino. Para a eficácia do acompanhamento, o apoio da família é muito importante`, declarou o médico.
Segundo serviço de toxicologia do Brasil a integrar o Sistema Nacional de Informações Toxicológicas, o Ciave é responsável também pela coordenação do Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos na Bahia e pela distribuição de soros para as 31 Dires.
Plantas venenosas
No Ciave, há também um jardim de plantas venenosas, inaugurado no ano 2000. As crianças são as maiores vítimas delas. As plantas também são utilizadas em casos de aborto e suicídio.
l Espirradeira - Pensam que ela é abortiva, mas não é. Pode causar intoxicação no coração e até levar à morte.
l Comigo-ninguém-pode - Geralmente usada em casa como enfeite, já que espanta o mau-olhado, segundo a crença popular. Causa coceira e inchação nos lábios, além de diarréia, quando ingerida.
l Graveto-do-cão - As pessoas costumam usar esta planta equivocadamente para tirar verruga. No sertão, é utilizada como cerca. Causa coceira e até queimadura, além de lesões na mucosa da boca e salivação, dores abdominais, náuseas e vômitos.
l Pinhão-roxo - Causa dores abdominais, distúrbios neurológicos e respiratórios, podendo levar à morte.
l Cocó - Provoca inchação, edema de lábios, irritação na mucosa da boca e diarréia, quando ingerida.
Agentes tóxicos mais freqüentes
l Medicamentos - 18,7%
l Raticidas (chumbinho e outros) - 14,4%
l Animais não-peçonhentos (piolho-de-cobra e outros) -13,6%
l Serpentes - 11,7%
l Escorpiões - 9,8%
l Produtos químicos industriais (querosene e outros) - 6,6%
l Domissanitários (água sanitária) - 5,9%
l Outros animais peçonhentos/venenosos - 3,5%
l Agrotóxicos (uso doméstico) - 2,9%
l Agrotóxicos (uso agrícola) - 2,7%
l Desconhecidos - 2,4%
l Plantas - 2,4%
l Outros agentes - 5,5%
Atendimento 0800 284 4343
Fundado em agosto de 1980, na Estrada do Saboeiro (Cabula), o Centro de Informações Antiveneno da Bahia disponibiliza atendimento presencial 24 horas e por telefone (0800 284 4343). A equipe de funcionários conta com profissionais das áreas de medicina, farmácia, biologia, medicina ve- terinária, psicologia e enfermagem, além de sanitaristas, 14 estagiários (bolsistas) nas mes- mas especialidades e 30 voluntários.
Um banco de antídotos e um laboratório de análises toxicológicas compõem a estrutura física. Na segunda quinzena do mês de julho, o centro recebeu a visita da presidente da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), Mirta Roses Pe- riado.
Fonte: Diário Oficial
02/08/07