Servidores com local de trabalho `não localizado` terão pagamento do salário suspenso e podem até ser demitidos

11/09/2007
Validar a efetiva presença, no local de trabalho, dos 174 mil servidores públicos em atividade no governo estadual é a nova ofensiva que está sendo lançada pela Secretaria da Administração (Saeb), dando seqüência ao processo de auditoria de folha que, no primeiro semestre, identificou o pagamento de salários a 203 servidores falecidos, gerando prejuízos de até R$ 3 milhões anuais aos cofres públicos.

Outras irregularidades apontam para servidores há mais de três anos sem local de trabalho definido, recebendo o salário, ou ainda em licença médica por mais de dois anos.

O secretário Manoel Vitório afirma que o objetivo agora é valorizar e reconhecer aqueles que efetivamente cumprem as suas jornadas de trabalho e identificar os casos de funcionários que recebem salários, mas não trabalham.

De acordo com a instrução normativa publicada pela Saeb ontem, os casos de servidores com local de trabalho `não localizado` terão pagamento do salário suspenso e serão adotadas providências legais, que podem variar da advertência até a demissão.

Denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria Geral do Estado, pelo telefone 0800 284 0011ou através do site www. ouvidoria.ba.gov.br.

O levantamento vale tanto para a administração direta quanto para a indireta. O modelo de atuação prevê o preenchimento de formulários de ratificação do local de trabalho por todos os servidores estaduais.

Após devidamente preenchido o formulário `Validação do Quadro de Pessoal`, deverá ser assinado por cada chefe de setor, que assumirá a responsabilidade sobre a informação prestada.

Irregularidades encontradas

l Acúmulo de cargos, com carga horária incompatível

l Pagamentos indevidos, ou em duplicidade dos auxílios alimentação e transporte

l Enquadramento indevido em plano de carreira

l Pagamentos indevidos e/ou cumulativos dos adicionais de insalubridade e periculosidade

l Incompatibilidades da composição de pensão

l Servidores supostamente cedidos a municípios, sem a informação da localidade no Sistema de Recursos Humanos do Estado

RH têm 90 dias para fazer checagem

Noventa dias a partir da publicação da instrução normativa é o prazo para conclusão do trabalho pelas coordenações de Recursos Humanos ou unidades equivalentes.

Elas vão emitir, encaminhar e receber os formulários, lançar as ocorrências no Sistema Integrado, fazer correções eventuais para servidores com localização incorreta e adotar as providências legais nos casos de `não localizados`.

A devolução dos formulários será feita nas coordenações de Recursos Humanos de cada órgão ou secretaria, cabendo à Saeb, através de comissão centralizadora, supervisionar a efetivação do trabalho e, diante dos casos identificados, efetivar as medidas administrativas cabíveis.

Outras determinações para essas áreas, de acordo com a instrução, são as de `emitir por secretaria, unidade e local de trabalho o formulário ‘Quadro de Pessoal`, com objetivo de ser fixado, em local visível, com informação de matrícula, nome, situação funcional, cargo permanente e em comissão de todos os servidores que exercem suas atividades naquele local de trabalho`, e levantar, mensalmente, a freqüência dos servidores que encontram-se exercendo suas atividades em outros órgãos ou entidades.

Auditoria na folha

Outra ação para ampliar o controle na área de recursos humanos é o recadastramento de pessoal, que envolve ativos, inativos e pensionistas em todo o estado.

O trabalho começou na Previdência Estadual, com a convocação de mais de 16,5 mil titulares de pensão para regularizar seus dados cadastrais.

O trabalho culminou com a retirada de folha de 2.909 mil pensionistas, que não atenderam até a data limite ao processo de recadastramento lançado pela Saeb. Destes, mais de 1.500 já regularizaram seus dados e receberam em folha suplementar na última quinta-feira.

Os casos remanescentes poderão ser considerados como fraude, caso a convocação, que foi feita através de publicação de lista com nomes no Diário Oficial e via correspondência com aviso de recebimento pelos Correios, continue a ser ignorada.

O impacto na folha com os benefícios que permanecem suspensos é da ordem de R$ 6 milhões anuais. Uma segunda folha extra será processada até dia 17, com aqueles que regularizarem seus dados.

A convocação para os ativos e inativos se recadastrarem também já foi lançada.

Cerca de 70 mil servidores precisam atender a este chamado e atualizar dados como endereço, telefone, CPF, RG, dentre outros. A ação tem prazo limite até 30 de novembro.

Feito o recadastramento inicial, o servidor deverá manter seus dados atualizados, recadastrando-se, anualmente, no mês de seu aniversário a partir de 2008.

Fonte: Diário Oficial

11/09/07