Oficinas profissionalizantes para jovens têm início com aula inaugural na Senzala do Barro Preto

02/10/2007
Trezentos e quarenta jovens de comunidades pobres de Salvador estão participando de oficinas profissionalizantes patrocinadas pelo Estado. A aula inaugural foi realizada ontem (01), na Senzala do Barro Preto, no Curuzu. A ação integra um convênio firmado em agosto entre a Associação Cultural Ilê Aiyê e a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), que prevê um investimento de R$ 928 mil.

Serão cinco cursos, cada um com duração de três meses. A primeira turma aprenderá percussão e dança. As próximas oficinas serão de eletricista predial, cozinheiro industrial, operador de telemarketing e informática. Durante a solenidade de abertura, Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, contou um pouco da história do bloco afro que tem um trabalho reconhecido mundialmente.

Aos 60 alunos da primeira oficina, a maioria negra e moradora do bairro mais negro da América do Sul, Liberdade, ele deixou o recado: `Todas essas oficinas têm de ser feitas com dedicação. Através disso tudo a gente pode reescrever a nossa história, como fazemos com a música`, comparou. Ele ressaltou que a consciência política é fundamental para que os jovens negros saibam se posicionar no mercado de trabalho e na sociedade.

`Essas não são apenas ações de reparação, mas de investimento`, acentuou o coordenador do Programa Jovens Baianos (PJB) da Sedes, Anderson dos Santos. Ele afirmou que a intenção da secretaria é estimular o protagonismo político da juventude negra e viabilizar a inserção desse segmento no mercado de trabalho através da qualificação profissional.

`Já demos o primeiro passo, que foi investir dinheiro público para reparar a situação de jovens que não tiveram oportunidade. Não podemos fazer essa capacitação sem tratar da cidadania`, ressaltou a superintendente de Inclusão e Assistência Alimentar da Sedes, Ana Torquato.

Ela lembrou de ações semelhantes da secretaria, como a inclusão produtiva de jovens moradores de Alagados na construção civil e outros convênios, como os firmados com o Núcleo Omi Dudu e Sociedade Hólon, que vão qualificar mais 11 mil. `Espero sair daqui sabendo que sou capaz de realizar todos os meus sonhos`, disse Elisabeth Santos, 23, aluna de dança e percussão.

Fonte: Agecom