Dólar faz conta de luz subir 4,7% em média no Rio

05/11/2008
A partir de sexta-feira, a conta de luz da Light vai subir, em média, 4,7%. Os 3,5 milhões de consumidores residenciais da empresa vão arcar com alta de 3,29%. As indústrias vão pagar mais, até 7,4%. O aumento foi autorizado por causa da alta do dólar, que reajusta os valores da energia comprada em Itaipu. Após dois anos de redução da conta de luz, os consumidores abastecidos pela Light vão amargar um aumento médio de 4,7% a partir da próxima sexta-feira. Os 3,479 milhões de consumidores residenciais (baixa tensão) vão arcar com reajuste de 3,29%. No caso da indústria (alta tensão), categoria com cerca de sete mil clientes, o percentual vai de 4,44% a 7,40%. A Light atua em 31 municípios no Estado do Rio. O principal motivo para a alta é a explosão do câmbio, que influencia os custos de compra de energia da hidrelétrica de Itaipu. Também pesaram a previsão de acionamento de termelétricas e a ocorrência de `gatos`. Na proposta original da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), publicada em setembro e que previa aumento médio de 3,14%, o dólar estava cotado a R$1,60. Mas a revisão tarifária - processo que periodicamente reavalia os parâmetros das empresas, substituindo o reajuste anual - foi feita considerando a moeda americana valendo R$2,11. De toda a energia comprada pela Light, 23% são de Itaipu. As distribuidoras do Sudeste, Sul e Centro-Oeste são obrigadas a comprar da usina binacional. Estes custos são repassados integralmente para os consumidores. Outro ponto importante que teve impacto no aumento da revisão tarifária da Light foram `os encargos de serviços de sistema`. Um dos mais importantes é o de uso das usinas termelétricas. A Aneel faz uma projeção para os próximos 12 meses do quanto as termelétricas serão ligadas e do seu custo, e divide o valor entre as empresas. A conta também é repassada aos consumidores. Se o valor efetivo, ao longo dos próximos 12 meses, for menor do que o projetado agora, será compensada nas tarifas no reajuste do próximo ano. Todos os encargos juntos, entre eles o das térmicas, representaram 1,21 ponto percentual no aumento de 4,7%. Também têm impacto na tarifa da Light as perdas técnicas e por fraude e furto, os `gatos`. Os técnicos explicaram que, por causa delas, a empresa precisa comprar mais energia do que o necessário. O índice de perdas da distribuidora é de 20,6% e a meta que ela deve atingir entre novembro deste ano até outubro de 2009 é de 19,5%. Entre as maiores distribuidoras, a Light é a que tem o maior índice de perdas de energia. A média nacional de perdas é de 13,8%. Dados da Aneel de agosto deste ano apontam que as empresas com mais problemas de perdas técnicas e por gatos eram a Ceron, de Rondônia, com 50%, e a Cepisa, do Piauí, com 45%. Carga tributária representa 45,74% A diretora da Aneel Joísa Campanher, que relatou o processo da Light, disse que há necessidade de a agência estabelecer um plano junto com as distribuidoras para evitar perdas. Em muitos casos, como no da concessionária do Rio, há dificuldade de acesso a áreas de risco. - É preciso haver um efetivo combate às perdas - disse Joísa. Do total da conta de luz paga pelo consumidor da Light, segundo a agência, 45,74% são de carga tributária. Repórter: Mônica Tavares

Fonte: O Globo

Em 05/11/2008