Brasil garante empréstimo para estrada na Bolívia

31/03/2009
O governo brasileiro aprovou na sexta-feira o pedido de garantia de um empréstimo de US$ 332 milhões do BNDES para a construção de uma estrada na Bolívia pela empreiteira OAS. O projeto, cujo financiamento é uma promessa do presidente Lula ao colega Evo Morales, está sob investigação por suspeitas de superfaturamento e de favorecimento à construtora brasileira.

O empréstimo foi aprovado na mais recente reunião do Cofig (Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações), formado por seis ministérios. Na Bolívia, estão sendo investigados indícios de que a estrada San Ignácio-Villa Tunari esteja superfaturada em até US$ 215 milhões e de que mudanças de última hora na licitação, realizada em 2008, favoreceram a OAS, a única empresa que participou do processo.

De acordo com Lucia Souza, suplente do Cofig, os detalhes da aprovação, como as condições financeiras e a eventual avaliação das investigações em andamento na Bolívia, são sigilosos. Ela não quis confirmar o valor do empréstimo, que, segundo o BNDES, é de US$ 332 milhões, o equivalente a 80% do orçamento para a estrada, que ligará o centro ao norte da Bolívia e terá 306 km.

O próximo passo formal é a aprovação do empréstimo pelo BNDES, em que a decisão final caberá à diretoria do banco.

O financiamento do BNDES para que a OAS construa a estrada é parte de uma solução encontrada pelo Planalto para evitar a expulsão de outra construtora brasileira, a Queiroz Galvão (QG). Irritado com dezenas de quilômetros de fissura em duas estradas ainda inacabadas no sul do país, o governo Morales exigiu que a QG reparasse os defeitos. Ela, no entanto, queria US$ 45 milhões adicionais, o que La Paz considera inaceitável. A obra tem financiamento de US$ 120 milhões do Banco do Brasil. Temendo uma situação semelhante à do Equador, em que a expulsão da Odebrecht e a ameaça de calote num empréstimo do BNDES fizeram Lula retirar o embaixador de Quito, o Planalto costurou um acordo em que a OAS substituirá a QG. Um pré-contrato já foi assinado, mas a homologação depende de um decreto supremo do presidente boliviano.

Autor(es): FABIANO MAISONNAVE

Folha de S. Paulo - 31/03/2009.