Governo pretende construir portos em rios

15/09/2010
O Plano Geral de Outorgas (PGO), elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), vai ser revisado para incluir análises de corredores hidroviários. Inicialmente, o plano era voltado apenas para os portos marítimos. Agora, a ideia é, nos próximos 12 meses, a agência analisar a possibilidade de construção de alguns portos nos principais rios do país.

A Antaq anunciou ontem que, com essa decisão, o governo se prepara para investir no transporte hidroviário, principalmente de grãos, levando a carga da região central para a costa. O objetivo é reduzir a dependência do transporte rodoviário, que é mais caro e mais poluidor.

Serão identificados corredores prioritários, com grande volume de cargas e pessoas. De imediato, já foram identificados oito corredores hidroviários de alta importância, nos rios Tucuruí, Madeira, Teles Pires-Tapajós, São Francisco, Tietê-Paraná e Parnaíba e Jacuí-Picuí, além da Lagoa dos Patos.

O presidente da Antaq, Fernando Fialho, explicou que a partir da definição das demandas por volume de cargas, por faixas do litoral, profundidade da costa e populações ao redor dos rios, podem ser implantados portos, tanto para transporte de carga como de passageiros.

`O plano deixa claro que, mesmo em portos em que não haja viabilidade econômica para transporte de cargas, o governo pode investir dinheiro público para fazer o porto, visando o transporte de passageiros`, afirmou Fialho.

O Plano Geral de Outorgas havia sido lançado há um ano e meio, com o objetivo de identificar oportunidades para a construção de terminais portuários. A prioridade, segundo Fialho, é aumentar a capacidade operacional dos portos existentes.

A consequente implantação de terminais hidroviários pode reduzir, em média, 30% do custo do frete, principalmente de grãos, com relação ao transporte rodoviário. Outra redução significativa seria de gás carbônico, já que as embarcações emitem até 68% menos que os caminhões. A revisão do plano inclui estudos que vêm sendo feitos para se estender até 2023. O plano recebeu consultas do Ibama e dos Ministérios do Meio Ambiente e Transportes.

O objetivo do governo é operar de forma significativa a configuração da matriz brasileira de transportes, elevando de 13% para 29% a participação das hidrovias até 2025. Atualmente, as ferrovias detêm 27%, enquanto as rodovias têm 60% da matriz.

Autor(es): Tarso Veloso

Valor Econômico - 15/09/2010.