07/05/2007
Segmento registra forte crescimento no estado e amplia as oportunidades de colocação principalmente para jovens de 18 a 24 anos
A atividade exige concentração e disciplina. O descanso é de, no máximo, 20 minutos, dentro de uma carga horária de seis horas diárias. Paciência e jogo de cintura também são fundamentais para lidar com pessoas, muitas vezes insatisfeitas e estressadas. E a remuneração não é das melhores - no mercado baiano a média é de R$400 a R$500. Mas o certo é que as funções de atendimento, informação e marketing via fone vêm crescendo a passos largos na Bahia, embaladas pelo interesse cada vez maior das grandes companhias em intensificar a comunicação, o atendimento e as vendas a seus clientes, consolidando um forte pólo de telesserviços no estado.
Os serviços públicos e empresas estrangeiras - interessadas em internacionalizar suas centrais - estão entre as principais contratantes em potencial do setor em 2007, que já responde por cerca de 60 mil empregos apenas na Bahia. Em todo o país, são nada menos que 680 mil profissionais, a maioria jovens, na faixa de 18 a 24 anos, segundo a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT). A previsão é de expansão de 10% este ano, o que representará cerca de 70 mil novos postos de trabalho. O segmento é hoje um dos que mais empregam no Brasil.
Assim como a demanda, a oferta de mão-de-obra também é alta, explicada pelo fato de exigir dos candidatos apenas o ensino médio e de não haver necessidade de experiência. A ABT estima que 45% do total de empregados sejam jovens em seu primeiro emprego. `A grande vantagem para os jovens é a carga horária, que permite conciliar o emprego com os estudos`, considera o presidente da ABT, Jarbas Nogueira. No entanto, ele afirma que há uma preferência das empresas por universitários.
A presença marcante de mulheres - elas respondem atualmente por 76% dos profissionais do setor, segundo pesquisa da ABT com PUC-SP, também faz parte do perfil dos profissionais de telesserviços. `Tradicionalmente mais pacientes e atenciosas, as mulheres costumam ter perfil adequado para serviços de atendimento ao cliente, sem falar que o setor é também um dos poucos a abrir as portas para candidatas com mais de 40 anos`, ressalta.
O gerente da filial Salvador da empresa de recrutamento e seleção Adecco, Lucas Nogueira, aponta também a alta rotatividade como uma característica do ramo. `São seis horas intensamente trabalhadas. As atividades provocam estresse e oferecem poucos benefícios`, comenta o executivo.
Na avaliação de Jarbas Nogueira, o segmento de telesserviços passou a crescer mais a partir das privatizações. `A maior parte das contratações é para call center, nos SACs (serviços de atendimento ao consumidor) e área de cobrança`, informa.
O executivo cita ainda o acirramento da competição em certos setores e o avanço tecnológico da telefonia como responsáveis pelo boom dos telesserviços. `O segmento financeiro é realmente o que mais contrata, principalmente no final do ano`, completa Lucas Nogueira.
A gerente de recursos humanos da Atento, Aline de Barros, também destaca que o mercado vem crescendo de forma intensa, nos mais diversos segmentos: financeiro (especialmente bancos, financeiras e administradoras de cartão de crédito), serviços, tecnologia, indústria e telecomunicações, entre outros. Entre as funções, estão venda, pesquisa e suporte técnico. `O volume de contratações é elevado, por conta da rotatividade, e chegamos a ofertar cinco mil vagas por mês`, enfatiza.
Segundo a executiva, embora a média de remuneração do mercado seja de R$400, os salários podem chegar a R$6 mil. `O ramo de telesserviços é o principal canal de promoção interna. A depender do desempenho e disponibilidade de vaga, os atendentes podem passar, por exemplo, a supervisores, monitores, para a área de planejamento, administrativa ou de recursos humanos`, afirma.
Problemas - Dentro desse cenário de expansão e muitas contratações, nem tudo é motivo para comemoração. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado da Bahia (Sinttel-BA), as atividades de teleatendimento vêm provocando problemas neurológicos e musculares em muitos profissionais.
`Sem falar a questão do estresse, por conta da pressão psicológica para atingir metas, e de clientes estressados que tratam mal. Por isso a alta rotatividade. Ou os funcionários provocam demissão ou pedem para sair. Até os jovens têm sido bastante acometidos por doenças. É um dos segmentos que mais têm levado trabalhadores ao INSS`, protesta o diretor de imprensa do Sinttel-BA, Marcos Pires.
Para tentar amenizar esse quadro, sindicatos trabalhistas do setor de todo o país encaminharam ao Ministério do Trabalho uma reivindicação para elevar o tempo de descanso. A solicitação é de que a cada 90 minutos trabalhados, os funcionários tenham um intervalo de dez minutos, totalizando 30 minutos, fora os cinco minutos de pausa para o banheiro. Estima-se que, em seis horas de trabalho diárias, o atendente fale com 50 a cem clientes.
`Outra exigência nossa é a implantação de móveis adequados, ergonômicos, em todas as empresas, e a retirada de todos os estagiários, para que os patrões não fujam das obrigações trabalhistas`, diz o dirigente sindical.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
06/05/07
A atividade exige concentração e disciplina. O descanso é de, no máximo, 20 minutos, dentro de uma carga horária de seis horas diárias. Paciência e jogo de cintura também são fundamentais para lidar com pessoas, muitas vezes insatisfeitas e estressadas. E a remuneração não é das melhores - no mercado baiano a média é de R$400 a R$500. Mas o certo é que as funções de atendimento, informação e marketing via fone vêm crescendo a passos largos na Bahia, embaladas pelo interesse cada vez maior das grandes companhias em intensificar a comunicação, o atendimento e as vendas a seus clientes, consolidando um forte pólo de telesserviços no estado.
Os serviços públicos e empresas estrangeiras - interessadas em internacionalizar suas centrais - estão entre as principais contratantes em potencial do setor em 2007, que já responde por cerca de 60 mil empregos apenas na Bahia. Em todo o país, são nada menos que 680 mil profissionais, a maioria jovens, na faixa de 18 a 24 anos, segundo a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT). A previsão é de expansão de 10% este ano, o que representará cerca de 70 mil novos postos de trabalho. O segmento é hoje um dos que mais empregam no Brasil.
Assim como a demanda, a oferta de mão-de-obra também é alta, explicada pelo fato de exigir dos candidatos apenas o ensino médio e de não haver necessidade de experiência. A ABT estima que 45% do total de empregados sejam jovens em seu primeiro emprego. `A grande vantagem para os jovens é a carga horária, que permite conciliar o emprego com os estudos`, considera o presidente da ABT, Jarbas Nogueira. No entanto, ele afirma que há uma preferência das empresas por universitários.
A presença marcante de mulheres - elas respondem atualmente por 76% dos profissionais do setor, segundo pesquisa da ABT com PUC-SP, também faz parte do perfil dos profissionais de telesserviços. `Tradicionalmente mais pacientes e atenciosas, as mulheres costumam ter perfil adequado para serviços de atendimento ao cliente, sem falar que o setor é também um dos poucos a abrir as portas para candidatas com mais de 40 anos`, ressalta.
O gerente da filial Salvador da empresa de recrutamento e seleção Adecco, Lucas Nogueira, aponta também a alta rotatividade como uma característica do ramo. `São seis horas intensamente trabalhadas. As atividades provocam estresse e oferecem poucos benefícios`, comenta o executivo.
Na avaliação de Jarbas Nogueira, o segmento de telesserviços passou a crescer mais a partir das privatizações. `A maior parte das contratações é para call center, nos SACs (serviços de atendimento ao consumidor) e área de cobrança`, informa.
O executivo cita ainda o acirramento da competição em certos setores e o avanço tecnológico da telefonia como responsáveis pelo boom dos telesserviços. `O segmento financeiro é realmente o que mais contrata, principalmente no final do ano`, completa Lucas Nogueira.
A gerente de recursos humanos da Atento, Aline de Barros, também destaca que o mercado vem crescendo de forma intensa, nos mais diversos segmentos: financeiro (especialmente bancos, financeiras e administradoras de cartão de crédito), serviços, tecnologia, indústria e telecomunicações, entre outros. Entre as funções, estão venda, pesquisa e suporte técnico. `O volume de contratações é elevado, por conta da rotatividade, e chegamos a ofertar cinco mil vagas por mês`, enfatiza.
Segundo a executiva, embora a média de remuneração do mercado seja de R$400, os salários podem chegar a R$6 mil. `O ramo de telesserviços é o principal canal de promoção interna. A depender do desempenho e disponibilidade de vaga, os atendentes podem passar, por exemplo, a supervisores, monitores, para a área de planejamento, administrativa ou de recursos humanos`, afirma.
Problemas - Dentro desse cenário de expansão e muitas contratações, nem tudo é motivo para comemoração. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado da Bahia (Sinttel-BA), as atividades de teleatendimento vêm provocando problemas neurológicos e musculares em muitos profissionais.
`Sem falar a questão do estresse, por conta da pressão psicológica para atingir metas, e de clientes estressados que tratam mal. Por isso a alta rotatividade. Ou os funcionários provocam demissão ou pedem para sair. Até os jovens têm sido bastante acometidos por doenças. É um dos segmentos que mais têm levado trabalhadores ao INSS`, protesta o diretor de imprensa do Sinttel-BA, Marcos Pires.
Para tentar amenizar esse quadro, sindicatos trabalhistas do setor de todo o país encaminharam ao Ministério do Trabalho uma reivindicação para elevar o tempo de descanso. A solicitação é de que a cada 90 minutos trabalhados, os funcionários tenham um intervalo de dez minutos, totalizando 30 minutos, fora os cinco minutos de pausa para o banheiro. Estima-se que, em seis horas de trabalho diárias, o atendente fale com 50 a cem clientes.
`Outra exigência nossa é a implantação de móveis adequados, ergonômicos, em todas as empresas, e a retirada de todos os estagiários, para que os patrões não fujam das obrigações trabalhistas`, diz o dirigente sindical.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
06/05/07