Veículos adaptados garantem independência aos deficientes

07/05/2007
Isenção de impostos compensa preços altos cobrados por empresas A comerciante Dilene Calmon Batista, que prefere não revelar a idade, sofreu um acidente de automóvel aos 12 anos, quando ficou paraplégica. Aos 28, teve a iniciativa de começar a dirigir, porque desejava ser mais independente. À época, o pai lhe comprou um Dodge de presente e mandou adaptá-lo para uso da filha. O caso de Dilene é apenas um exemplo de que a autonomia desejada pelas pessoas com deficiência aumenta a demanda por serviços de adaptação de veículos. Mas o mercado ainda está restrito: Salvador tem apenas duas empresas, pelo menos que sejam conhecidas. E os preços são salgados. A tabela varia de acordo com o serviço, que pode chegar a quase R$3 mil.

A variedade é grande e abrange modelos que atendem a necessidades diversas. Normalmente, o cadeirante já adquire um veículo com câmbio automático e, a partir daí, escolhe que tipo de adaptação será feita no carro. `Pode ser colocado freio e acelerador adaptados, numa alavanca colocada sob o volante, o que facilita o manuseio pelo deficiente`, enumera o proprietário da Bahia Eletrônica, representante da Cavenaghi Ltda, no Cabula, Josemar Lourenço, 55 anos, que também é cadeirante e dirige um carro adaptado há 27 anos.

A pessoa com deficiência pode contar ainda com uma embreagem computadorizada, que sai por R$2.710, com um ano e meio de garantia, ou embreagens eletrônicas que custam um pouco menos: R$2.092. Freio e acelerador no volante em direção à porta esquerda podem sair por pouco mais de R$700. Quem tem apenas problemas de mobilidade na perna direita pode usufruir de acelerador e freio próximos à porta esquerda do carro. Para isso, paga pouco mais de R$400. Segundo Lourenço, é difícil definir uma média de procura mensal pelo serviço. `Há meses com demanda grande, em que se adaptam entre seis e oito carros. Nos meses mais fracos, o número não passa de quatro veículos`, compara.

Outra empresa que faz a adaptação é a LCS, em Pernambués, que contabiliza quatro novos procedimentos por mês. O gerente, Hipólito Cazé, explica que o cálculo para conhecer a quantidade de deficientes físicos que podem ter acesso a um veículo adaptado segue a fórmula transmitida pelo fabricante da marca que representa: o número representa 10% da quantidade de deficientes em Salvador, que, segundo o último censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000, é de aproximadamente 400 mil pessoas. `Destas, somente metade sabe que pode ter esse direito`, ressalta. A loja está inclusive em parceria com uma auto-escola de Salvador para realizar uma campanha de divulgação do benefício.

Com as alterações, explicam representantes de vendas, não há perda de garantia do veículo. Para o usuário, a maior vantagem é a autonomia. `Nós queremos independência. Depender de ônibus em uma cidade como Salvador e de alguém para me carregar do chão para o ônibus seria muito ruim. Com o carro, você se sente com liberdade`, avalia Dilene Batista.

A avaliação é compartilhada pelo radialista e comentarista esportivo de televisão Ruy Botelho. Aos 57 anos, e dirigindo um automóvel adaptado desde o ano de 1968, ele comemora a facilidade de ir e vir. `A maior vantagem é a independência, você ter o livre arbítrio de andar sozinho`, pondera.

Compra - Quem não é obrigado a utilizar o transporte público em Salvador pode comprar um veículo, usufruindo da isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). O desconto pode chegar a 40% sobre o valor do carro. Apesar das vantagens, representantes de pessoas com deficiência afirmam que existe burocracia para adquirir o veículo e, muitas vezes, corrupção.

`Para ter direito à isenção, é necessário fazer um exame médico no Detran que comprove a deficiência`, informa o presidente da Associação Municipal e Metropolitana das Pessoas com Deficiência (Ampdef), Clédson Cruz. Além disso, após a avaliação, o deficiente conta com 120 dias para obter a carteira nacional de habilitação.

Fonte: Jornal Correio da Bahia

Repórter: Carmen Azevedo

07/05/07