12/06/2007
Um visita marcada para amanhã, às 14h30, ao túnel do metrô que liga a Estação da Lapa ao Campo da Pólvora foi o resultado concreto da audiência pública realizada, ontem à tarde, na sede do Ministério Público Estadual (MPE), para tratar dos danos causados por uma grande explosão ocorrida no último dia 2 de junho. Coordenada pelo promotor Luciano Santana, a reunião teve alguns momentos de tensão, quando Celestino Almeida, representante do consórcio Andrade Gutierrez, Correia Camargo e Siemens, que constrói a obra, duvidou da possibilidade de haver correlação entre as explosões e alguns danos narrados por moradores do entorno da obra.
A alegação foi a de que os imóveis estariam muito distantes do raio de ação das detonações. Entretanto, admitiu os problemas causados pelas cerca de mil detonações realizadas no trecho desde 2004, quando começaram as primeiras intervenções. Os moradores não deixaram por menos e disseram temer as condições em que se encontram as fundações de seus imóveis. Principalmente da área onde está sendo escavado o trecho final do túnel do metrô, diante do fato de a obra local também estar sendo feita pela empresa Andrade Gutierrez, envolvida no desabamento de um trecho do metrô e de suas vizinhanças, em São Paulo, que resultou em mortes.
Os momentos de maior desavença foram causados pela leitura, feita pelo promotor Luciano Santana de dois laudos sobre as obras.
O primeiro deles foi assinado pelo ex-secretário Ivan Barbosa, declarando que o obra não estava situada nas proximidades de edificações históricas. Alberto Valente, residente na Rua Alegria dos Barris, lembrou que a Igreja de Nossa Senhora da Lapa está localizada a 25 metros da escavação e que no local existem muitas galerias do tempo de fundação da cidade. Ele garantiu que o projeto não foi entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan).
SEM DANOS - O segundo laudo, datado de março deste ano e assinado por Nicolas Grimaldi, ex-coordenador de operações especiais da Companhia de Trens de Salvador (CTS), atribui os danos encontrados nos imóveis ao estado de deterioração em que eles se encontram.
O promotor Luciano Santana chamou a atenção para o fato de ser a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), um órgão da Prefeitura do Salvador, responsável pelas obras do metrô, a encarregada de fiscalizar este empreendimento.
Também chamou a atenção do promotor que a Metrosal, empresa que venceu a concorrência da CTS, tenha sido responsável pela contratação de uma empresa privada que também é responsável pela fiscalização do serviço. O estranhamento foi compartilhado pelo morador Alberto Valente, que vem reunindo material sobre o assunto desde 2004, incluindo um relatório com anotações diárias das explosões e dos danos causados. Ele entregou ao MPE relatórios de 2004 e de 2005 atestando os efeitos das obras e danos aos imóveis elaborado pela Metrosal.
Apesar do acordo sobre as visitas, o promotor Luciano Santana alertou os moradores que se sentirem lesados sobre os caminhos legais que podem ser adotados para serem ressarcidos de suas perdas.
Segundo ele, podem ser propostas ações individuais ou coletivas, solicitando indenizações por danos materiais e morais. Estas estariam condicionadas à realização de perícias para servir como prova da conexão entre as detonações realizadas nas obras do metrô e os danos sofridos pelos imóveis nos Barris, Campo da Pólvora, entre outros bairros.
MARJORIE MOURA
mmoura@grupoatarde.com.br
Em 16/06/2007.
A alegação foi a de que os imóveis estariam muito distantes do raio de ação das detonações. Entretanto, admitiu os problemas causados pelas cerca de mil detonações realizadas no trecho desde 2004, quando começaram as primeiras intervenções. Os moradores não deixaram por menos e disseram temer as condições em que se encontram as fundações de seus imóveis. Principalmente da área onde está sendo escavado o trecho final do túnel do metrô, diante do fato de a obra local também estar sendo feita pela empresa Andrade Gutierrez, envolvida no desabamento de um trecho do metrô e de suas vizinhanças, em São Paulo, que resultou em mortes.
Os momentos de maior desavença foram causados pela leitura, feita pelo promotor Luciano Santana de dois laudos sobre as obras.
O primeiro deles foi assinado pelo ex-secretário Ivan Barbosa, declarando que o obra não estava situada nas proximidades de edificações históricas. Alberto Valente, residente na Rua Alegria dos Barris, lembrou que a Igreja de Nossa Senhora da Lapa está localizada a 25 metros da escavação e que no local existem muitas galerias do tempo de fundação da cidade. Ele garantiu que o projeto não foi entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan).
SEM DANOS - O segundo laudo, datado de março deste ano e assinado por Nicolas Grimaldi, ex-coordenador de operações especiais da Companhia de Trens de Salvador (CTS), atribui os danos encontrados nos imóveis ao estado de deterioração em que eles se encontram.
O promotor Luciano Santana chamou a atenção para o fato de ser a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), um órgão da Prefeitura do Salvador, responsável pelas obras do metrô, a encarregada de fiscalizar este empreendimento.
Também chamou a atenção do promotor que a Metrosal, empresa que venceu a concorrência da CTS, tenha sido responsável pela contratação de uma empresa privada que também é responsável pela fiscalização do serviço. O estranhamento foi compartilhado pelo morador Alberto Valente, que vem reunindo material sobre o assunto desde 2004, incluindo um relatório com anotações diárias das explosões e dos danos causados. Ele entregou ao MPE relatórios de 2004 e de 2005 atestando os efeitos das obras e danos aos imóveis elaborado pela Metrosal.
Apesar do acordo sobre as visitas, o promotor Luciano Santana alertou os moradores que se sentirem lesados sobre os caminhos legais que podem ser adotados para serem ressarcidos de suas perdas.
Segundo ele, podem ser propostas ações individuais ou coletivas, solicitando indenizações por danos materiais e morais. Estas estariam condicionadas à realização de perícias para servir como prova da conexão entre as detonações realizadas nas obras do metrô e os danos sofridos pelos imóveis nos Barris, Campo da Pólvora, entre outros bairros.
MARJORIE MOURA
mmoura@grupoatarde.com.br
Em 16/06/2007.