05/09/2007
Uma meta ousada e investimentos acanhados. O projeto Salvador, Cidade das Letras, lançado ontem pela Secretaria Municipal de Educação (Smec), pretende alfabetizar pelo menos 35 mil pessoas em oito meses. Com isso, Salvador se tornaria a segunda capital brasileira - a primeira é Curitiba -, a possuir o selo de município livre do analfabetismo.
O projeto pretende contar com quatro mil alfabetizadores, cadastrados pelo Serviço Municipal de Intermediação de Mão-de-obra (Simm), e utilizar instalações de empresas, canteiros de obras e templos religiosos. A verba vem do governo federal, mas é considerada baixa pela Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB). Cada alfabetizador irá ganhar R$200 mensais, por cada turma de 15 alunos, com jornada de até 16 horas/aula semanais.
Ontem, o secretário municipal de Educação, Ney Campello, apresentou o projeto na Associação Comercial da Bahia, durante um café da manhã para empresários. Ele pediu apoio da classe empresarial, principalmente na cessão de espaços físicos, e estimulou os donos de empresas e desenvolverem suas próprias iniciativas de alfabetização.
`A cidade hoje sofre com a fragilidade econômica, porque falta qualificação. Ao empresário interessa ter uma população escolarizada, é uma via de mão dupla`, destacou Campello. O vice-presidente da Associação Comercial, João Lopes Araújo, concorda. `Eu sinto um frio na barriga todo dia quando passo pelo Simm e vejo aquela fila de desempregados. Se não nos engajarmos, todos nós, vai ser difícil mudar esse quadro`, avaliou.
Para compor o quadro de alfabetizadores, o Simm exige escolaridade mínima de nível médio, mas boa parte dos alfabetizadores virá de instituições de ensino superior. Entre elas, a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que firmou parceria com o município e já indicou 42 estudantes, cursando a partir do segundo ano de pedagogia e dos cursos de licenciatura.
A coordenadora do Cidade das Letras na Uneb é a professora Maria Helena Amorim. Ela destaca a importância de oferecer ensino qualificado para conseguir resultados melhores que os obtidos em outras iniciativas de alfabetização. `Não queremos ensinar a escrever o nome apenas, queremos ajudar essas pessoas a fazer uma leitura de mundo. Queremos conquistar o selo não pelo título, mas para mostrar que a qualidade está presente`, frisou.
O selo de município livre do analfabetismo é concedido para as cidades que tenham até 4% de analfabetos na sua população. Hoje, Salvador tem em torno de 113.500 analfabetos identificados, 6,2% da população. Para merecer o selo, a capital baiana teria que alfabetizar 38 mil pessoas. Campello espera conseguir o selo já em 2008, mas reconhece a dificuldade.
Êxodo - `A cada ano, 43 mil pessoas chegam à cidade no movimento migratório, a maioria é de analfabetos`, constatou Campello. Segundo o secretário, o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou 65 mil vagas para o programa de alfabetização para Salvador. Com os 3,2 mil alfabetizadores já cadastrados, espera-se reunir nas turmas que começam em 1º de outubro, 48 mil alunos. Cada alfabetizador receberá curso de 60 horas antes de iniciar as aulas, com duração de oito meses.
Campello afirma ser difícil o aproveitamento dos professores da rede municipal, já que a maioria ensina em regime de 40 horas semanais ou trabalha em outros locais. A idéia é aproveitar pelo menos 800 docentes do quadro da Smec para completar os quatro mil alfabetizadores previstos. Mas o coordenador da APLB, Ruy Oliveira, acha difícil a participação desses profissionais.
`A bolsa de R$200 pode ser um desestímulo. Se não houver um controle rígido, há o risco de se transformar numa coisa mascarada`, analisou Oliveira. Para ele, a utilização de professores no programa seria um retrocesso. `Queremos reduzir a jornada e eles não podem querer aumentar o número de aulas e pagar menos`, condenou.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
Repórter: Alan Rodrigues
05/09/07
O projeto pretende contar com quatro mil alfabetizadores, cadastrados pelo Serviço Municipal de Intermediação de Mão-de-obra (Simm), e utilizar instalações de empresas, canteiros de obras e templos religiosos. A verba vem do governo federal, mas é considerada baixa pela Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB). Cada alfabetizador irá ganhar R$200 mensais, por cada turma de 15 alunos, com jornada de até 16 horas/aula semanais.
Ontem, o secretário municipal de Educação, Ney Campello, apresentou o projeto na Associação Comercial da Bahia, durante um café da manhã para empresários. Ele pediu apoio da classe empresarial, principalmente na cessão de espaços físicos, e estimulou os donos de empresas e desenvolverem suas próprias iniciativas de alfabetização.
`A cidade hoje sofre com a fragilidade econômica, porque falta qualificação. Ao empresário interessa ter uma população escolarizada, é uma via de mão dupla`, destacou Campello. O vice-presidente da Associação Comercial, João Lopes Araújo, concorda. `Eu sinto um frio na barriga todo dia quando passo pelo Simm e vejo aquela fila de desempregados. Se não nos engajarmos, todos nós, vai ser difícil mudar esse quadro`, avaliou.
Para compor o quadro de alfabetizadores, o Simm exige escolaridade mínima de nível médio, mas boa parte dos alfabetizadores virá de instituições de ensino superior. Entre elas, a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que firmou parceria com o município e já indicou 42 estudantes, cursando a partir do segundo ano de pedagogia e dos cursos de licenciatura.
A coordenadora do Cidade das Letras na Uneb é a professora Maria Helena Amorim. Ela destaca a importância de oferecer ensino qualificado para conseguir resultados melhores que os obtidos em outras iniciativas de alfabetização. `Não queremos ensinar a escrever o nome apenas, queremos ajudar essas pessoas a fazer uma leitura de mundo. Queremos conquistar o selo não pelo título, mas para mostrar que a qualidade está presente`, frisou.
O selo de município livre do analfabetismo é concedido para as cidades que tenham até 4% de analfabetos na sua população. Hoje, Salvador tem em torno de 113.500 analfabetos identificados, 6,2% da população. Para merecer o selo, a capital baiana teria que alfabetizar 38 mil pessoas. Campello espera conseguir o selo já em 2008, mas reconhece a dificuldade.
Êxodo - `A cada ano, 43 mil pessoas chegam à cidade no movimento migratório, a maioria é de analfabetos`, constatou Campello. Segundo o secretário, o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou 65 mil vagas para o programa de alfabetização para Salvador. Com os 3,2 mil alfabetizadores já cadastrados, espera-se reunir nas turmas que começam em 1º de outubro, 48 mil alunos. Cada alfabetizador receberá curso de 60 horas antes de iniciar as aulas, com duração de oito meses.
Campello afirma ser difícil o aproveitamento dos professores da rede municipal, já que a maioria ensina em regime de 40 horas semanais ou trabalha em outros locais. A idéia é aproveitar pelo menos 800 docentes do quadro da Smec para completar os quatro mil alfabetizadores previstos. Mas o coordenador da APLB, Ruy Oliveira, acha difícil a participação desses profissionais.
`A bolsa de R$200 pode ser um desestímulo. Se não houver um controle rígido, há o risco de se transformar numa coisa mascarada`, analisou Oliveira. Para ele, a utilização de professores no programa seria um retrocesso. `Queremos reduzir a jornada e eles não podem querer aumentar o número de aulas e pagar menos`, condenou.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
Repórter: Alan Rodrigues
05/09/07