11/03/2008
Praticamente única porta de entrada e saída de mercadorias destinadas ao comércio exterior, os portos da Bahia vêm perdendo competitividade, o que tem se tornado um gargalo que ameaça o crescimento da economia do Estado. Só em 2007, dos 13,7 milhões de toneladas movimentadas por navios, 2,5 milhões foram operados em portos de outros Estados porque os portos de Salvador, Aratu e Ilhéus não deram conta. Esta fuga de cargas gerou um prejuízo de R$ 150 milhões, segundo cálculo da Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport). A situação é gravíssima e exige medidas urgentes. A Bahia tem que romper esta inação e buscar ainda em 2008 uma solução emergencial`, avalia Paulo Villa, diretor da Usuport. Quando não pode utilizar outros portos, as empresas arcam com o custo da espera, do `engarrafamento` de navios. No Porto de Aratu, por exemplo, a Braskem contabilizou prejuízos de US$ 3 milhões em 2007, com os custos de espera média de 1,5 dia dos navios para atracar e fazer o carregamento no terminal de líquidos e gasosos.
`É normal alguma espera em todos os portos, mas aqui é constante`, disse José Frederico Maciel, gerente de logística da unidade de insumos básicos da Braskem, que participou ontem da palestra de abertura do 3º Seminário de Modernização dos Portos, promovido pela Usuport e que reúne até hoje, na Associação Comercial da Bahia, usuários, armadores, operadores e instituições da área portuária.
Em sua avaliação, a atual situação do Porto de Aratu inviabiliza qualquer investimento que dependa da logística de portos.
Para atender às necessidades atuais, o porto necessita do aumento do calado e a construção de um berço de atracação adicional, cita José Frederico Maciel.
MOVIMENTO - Dos 13,75 milhões de toneladas movimentadas em 2007 pelo comércio exterior da Bahia, 99,3% foram transportados em navios. Mas 18,7% trafegaram em portos de outros Estados. Para cargas que poderiam ser transportadas por contêineres, no Porto de Salvador, esta fuga chegou a 30%.
A última interferência em infraestrutura no Porto de Salvador foi feita há 40 anos. O porto não vê investimento em serviços e equipamentos há oito. Esta situação, segundo Villa, justifica pesquisa do Instituto de Pós-graduação, Pesquisa e Administração da UFRJ - Coppead, que avaliou o Porto de Salvador como o pior dentre os 18 de maior movimento no Brasil. Realizada a partir da opinião de 152 executivos de empresas exportadoras, armadores e agentes, gestores e representantes de administrações portuárias do País, a pesquisa poderia ter colocado o Porto de Salvador numa situação melhor caso a licitação para ampliação tivesse saído do papel há cinco anos.
Esta demora colocou a Bahia na situação paradoxal de responder por 56% das exportações do Nordeste e dispor apenas de um único berço para contêineres com dois portaineres (guindaste para colocar o contêiner no navio), enquanto Ceará e Pernambuco, juntos, dispõem de cinco berços e 11 portaineres, Apenas 73 mil dos 835 mil m² disponíveis no porto são utilizados pelo grupo Wilson Sons, que detém a concessão de operação por 25 anos. Segundo Villa, numa ação emergencial, o governo deveria contratar outras empresas privadas para ampliar o porto e contemplar no edital o ressarcimento dos investimentos ao vencedor da licitação. `Esta foi uma solução encontrada pelo Porto de Santos`, lembra Villa.
Marco Antônio Medeiros, presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), entretanto, descarta parcerias com a iniciativa privada antes da licitação. `Esta modelagem não encontra amparo legal e pode gerar problemas jurídicos enfrentados hoje pelo Porto de Santos`, afirma. Como obra emergencial, Medeiros anunciou que, até julho, colocará em operação no cais público do Porto de Salvador mais dois portaineres.
Até setembro, estima, estará pronto edital para dragagem dos portos de Salvador e Aratu, que vai aumentar o calado de 12 para 15 metros, permitindo assim o atracamento de navios maiores e mais modernos e a construção de mais três berços de atracação, num prazo de dois anos. Para Medeiros, o problema de acessibilidade rodoviária, essencial na avaliação dos portos, será resolvido com a Via Expressa Portuária de Salvador.
Repórter: MARCUS GUSMÃO
mgusmao@grupoatarde.com.br
Fonte: Jornal A Tarde
Em 11/03/2008.
`É normal alguma espera em todos os portos, mas aqui é constante`, disse José Frederico Maciel, gerente de logística da unidade de insumos básicos da Braskem, que participou ontem da palestra de abertura do 3º Seminário de Modernização dos Portos, promovido pela Usuport e que reúne até hoje, na Associação Comercial da Bahia, usuários, armadores, operadores e instituições da área portuária.
Em sua avaliação, a atual situação do Porto de Aratu inviabiliza qualquer investimento que dependa da logística de portos.
Para atender às necessidades atuais, o porto necessita do aumento do calado e a construção de um berço de atracação adicional, cita José Frederico Maciel.
MOVIMENTO - Dos 13,75 milhões de toneladas movimentadas em 2007 pelo comércio exterior da Bahia, 99,3% foram transportados em navios. Mas 18,7% trafegaram em portos de outros Estados. Para cargas que poderiam ser transportadas por contêineres, no Porto de Salvador, esta fuga chegou a 30%.
A última interferência em infraestrutura no Porto de Salvador foi feita há 40 anos. O porto não vê investimento em serviços e equipamentos há oito. Esta situação, segundo Villa, justifica pesquisa do Instituto de Pós-graduação, Pesquisa e Administração da UFRJ - Coppead, que avaliou o Porto de Salvador como o pior dentre os 18 de maior movimento no Brasil. Realizada a partir da opinião de 152 executivos de empresas exportadoras, armadores e agentes, gestores e representantes de administrações portuárias do País, a pesquisa poderia ter colocado o Porto de Salvador numa situação melhor caso a licitação para ampliação tivesse saído do papel há cinco anos.
Esta demora colocou a Bahia na situação paradoxal de responder por 56% das exportações do Nordeste e dispor apenas de um único berço para contêineres com dois portaineres (guindaste para colocar o contêiner no navio), enquanto Ceará e Pernambuco, juntos, dispõem de cinco berços e 11 portaineres, Apenas 73 mil dos 835 mil m² disponíveis no porto são utilizados pelo grupo Wilson Sons, que detém a concessão de operação por 25 anos. Segundo Villa, numa ação emergencial, o governo deveria contratar outras empresas privadas para ampliar o porto e contemplar no edital o ressarcimento dos investimentos ao vencedor da licitação. `Esta foi uma solução encontrada pelo Porto de Santos`, lembra Villa.
Marco Antônio Medeiros, presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), entretanto, descarta parcerias com a iniciativa privada antes da licitação. `Esta modelagem não encontra amparo legal e pode gerar problemas jurídicos enfrentados hoje pelo Porto de Santos`, afirma. Como obra emergencial, Medeiros anunciou que, até julho, colocará em operação no cais público do Porto de Salvador mais dois portaineres.
Até setembro, estima, estará pronto edital para dragagem dos portos de Salvador e Aratu, que vai aumentar o calado de 12 para 15 metros, permitindo assim o atracamento de navios maiores e mais modernos e a construção de mais três berços de atracação, num prazo de dois anos. Para Medeiros, o problema de acessibilidade rodoviária, essencial na avaliação dos portos, será resolvido com a Via Expressa Portuária de Salvador.
Repórter: MARCUS GUSMÃO
mgusmao@grupoatarde.com.br
Fonte: Jornal A Tarde
Em 11/03/2008.