12/03/2008
Diante do aumento da demanda interna e dos problemas provocados pelas ultrapassadas normas que regem o setor, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior quer, em seis meses, atualizar as regras para a importação de máquinas e equipamentos usados. A idéia do governo é facilitar a entrada desses bens a fim de aumentar a capacidade produtiva da indústria nacional. A iniciativa é considerada bem-vinda pelos empresários que não conseguem comprar máquinas novas nos mercados doméstico e internacional para pronta entrega. Os fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos, entretanto, criticam a medida.
`O Brasil vai virar o lixo do mundo. Vai importar sucata. Generalizar isso é abrir uma porta muito perigosa`, protesta o presidente da Associação da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, segundo quem a idade média das máquinas usadas no Brasil é 17 anos. `Tem que renovar, mas com máquinas novas e inovação tecnológica`.
O presidente da Abimaq chamou de `desculpa` o argumento segundo o qual as máquinas usadas são compradas para garantir o crescimento da produção da indústria enquanto máquinas novas não ficam prontas. `Se o setor nacional for enfraquecido, o Brasil vai ser condenado a ser sempre pobre. O País vai sempre importar tecnologia. Esse é um setor estratégico, que produz mercadorias de alto valor agregado. Isso é o contrário do que fazem os países ricos.`
Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o governo evitará que o Brasil vire `um depósito` e que os produtores locais enfrentem concorrência desleal. Não será flexibilizada a proibição de importação de produtos de consumo usados. O governo garante que evitará danos ao meio ambiente. Além disso, sublinha Barral, tomará precauções para que os produtores locais de bens de capital não sejam prejudicados.
Outra preocupação do governo é adequar a nova regra ao posicionamento brasileiro nas negociações para a liberalização comercial conduzidas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Países desenvolvidos, como os Estados Unidos, brigam pela abertura total desse mercado. Já o Brasil defende uma abertura seletiva. No ano passado, o Brasil ganhou uma disputa contra a União Européia e legitimou o seu direito de não importar bens de consumo usados. Naquele caso, estava em jogo o comércio de pneus usados. `Muitas empresas estão aumentando os seus parques produtivos e não há máquinas disponíveis no mercado. A demanda é muito alta. A análise de licenças de importação continuará rigorosa e exigente`, destacou Barral.
Em 2006, o Ministério do Desenvolvimento concedeu 18.720 licenças de importação de máquinas e equipamentos usados, o que totalizou US$ 1,4 bilhão. No ano passado, as licenças subiram para 23.018, ou US$ 2,4 bilhões. Os dados dos primeiros meses deste ano ainda não foram consolidados pelo governo. Para ouvir todos os segmentos interessados, o Desenvolvimento iniciou no dia 20 de fevereiro uma consulta pública, que vai até a próxima quinta-feira. Depois de catalogar todas as sugestões da sociedade, técnicos do Desenvolvimento se reunirão com representantes do Itamaraty, do Meio Ambiente e das Cidades. Juntos, esses órgãos redigirão um texto a ser submetido a uma nova consulta pública. O processo deve ser concluído em seis meses. `Não há urgência.`
Repórter: Fernando Exman
Fonte: Gazeta Mercantil
Em 12/3/2008.
`O Brasil vai virar o lixo do mundo. Vai importar sucata. Generalizar isso é abrir uma porta muito perigosa`, protesta o presidente da Associação da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, segundo quem a idade média das máquinas usadas no Brasil é 17 anos. `Tem que renovar, mas com máquinas novas e inovação tecnológica`.
O presidente da Abimaq chamou de `desculpa` o argumento segundo o qual as máquinas usadas são compradas para garantir o crescimento da produção da indústria enquanto máquinas novas não ficam prontas. `Se o setor nacional for enfraquecido, o Brasil vai ser condenado a ser sempre pobre. O País vai sempre importar tecnologia. Esse é um setor estratégico, que produz mercadorias de alto valor agregado. Isso é o contrário do que fazem os países ricos.`
Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o governo evitará que o Brasil vire `um depósito` e que os produtores locais enfrentem concorrência desleal. Não será flexibilizada a proibição de importação de produtos de consumo usados. O governo garante que evitará danos ao meio ambiente. Além disso, sublinha Barral, tomará precauções para que os produtores locais de bens de capital não sejam prejudicados.
Outra preocupação do governo é adequar a nova regra ao posicionamento brasileiro nas negociações para a liberalização comercial conduzidas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Países desenvolvidos, como os Estados Unidos, brigam pela abertura total desse mercado. Já o Brasil defende uma abertura seletiva. No ano passado, o Brasil ganhou uma disputa contra a União Européia e legitimou o seu direito de não importar bens de consumo usados. Naquele caso, estava em jogo o comércio de pneus usados. `Muitas empresas estão aumentando os seus parques produtivos e não há máquinas disponíveis no mercado. A demanda é muito alta. A análise de licenças de importação continuará rigorosa e exigente`, destacou Barral.
Em 2006, o Ministério do Desenvolvimento concedeu 18.720 licenças de importação de máquinas e equipamentos usados, o que totalizou US$ 1,4 bilhão. No ano passado, as licenças subiram para 23.018, ou US$ 2,4 bilhões. Os dados dos primeiros meses deste ano ainda não foram consolidados pelo governo. Para ouvir todos os segmentos interessados, o Desenvolvimento iniciou no dia 20 de fevereiro uma consulta pública, que vai até a próxima quinta-feira. Depois de catalogar todas as sugestões da sociedade, técnicos do Desenvolvimento se reunirão com representantes do Itamaraty, do Meio Ambiente e das Cidades. Juntos, esses órgãos redigirão um texto a ser submetido a uma nova consulta pública. O processo deve ser concluído em seis meses. `Não há urgência.`
Repórter: Fernando Exman
Fonte: Gazeta Mercantil
Em 12/3/2008.