30/08/2010
A última etapa da demolição do Estádio Octavio Mangabeira (Fonte Nova) foi concluída com segurança. Depois de muita expectativa, o anel superior da Fonte Nova foi implodido na manhã deste domingo (29) e, agora, resta de pé apenas a Tribuna de Honra do antigo estádio, cuja demolição será feita de forma mecânica, ainda esta semana, conforme planejado pelos técnicos.A operação, que durou seis horas entre a execução das medidas de segurança, detonação dos explosivos e limpeza da área, reuniu populares, autoridades diversas, secretários de estado e os responsáveis pela obra. A partir de agora, começa a contagem regressiva para a construção da Arena Fonte Nova, que vai receber os jogos da Copa das Confederações, em 2013, e do Mundial da Fifa de 2014.
Prevenção
O trabalho de evacuação do entorno, num raio de 250 metros de distância do estádio, começou às 6h. Por prevenção, mais de 2.400 pessoas, entre moradores e comerciantes, foram retiradas de 962 imóveis localizados no Jardim Baiano, Avenida Joana Angélica e regiões do Engenho Velho de Brotas. Muitos deles foram encaminhados para um Centro de Acolhimento montado no Colégio Central, em Nazaré. Lá, eles puderam assistir confortavelmente à implosão por meio de transmissão ao vivo realizada pela TVE Bahia. Isso foi o que fez seu Max Matos, morador do Jardim Baiano, que em 1956 viveu a experiência de conhecer a praça esportiva. Corretor de imóveis, ele espera com ansiedade a construção do novo estádio. 'Por ser uma arena multiuso, um equipamento moderno, vai trazer uma série de benefícios que, evidentemente, vão refletir na valorização dos imóveis em toda a área próxima ao estádio', avalia.
Varredura
Às 8h, começou a varredura pelos imóveis do entorno, ação coordenada pela Defesa Civil e que contou com o apoio da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e órgãos municipais. Ao todo, atuaram 928 PMs e foram utilizadas 15 viaturas, 28 motocicletas, um helicóptero do Graer e dois carros do Corpo de Bombeiros. Para prevenir qualquer tipo de acidente, grupos de socorro pré-hospitalar e dois botes de salvamento permaneceram no Dique do Tororó. 'Todas as equipes estavam focadas para evitar qualquer eventualidade no entorno', explicou o capitão da PM, Sérgio Baqueiro. Com todos os itens de segurança checados, foi só uma questão de tempo. Faltando 15 minutos para a implosão, soou a primeira sirene. Dez minutos depois veio o segundo sinal. Até que, às 10h25, os explosivos foram detonados. Em pouco mais de 15 segundos, o antigo estádio veio abaixo.
Preparação
Dias antes da implosão, o que restava do antigo estádio já havia recebido preparação especial para o momento da detonação. O anel inferior foi demolido mecanicamente e os 138 pilares de sustentação do anel superior foram cobertos com telas metálicas e mantas geotêxtil, a fim de impedir que blocos de concreto fossem arremessados. De acordo com o diretor do Consórcio Arena Salvador 2014, Alexandre Chiavegatto, o próximo passo é realizar a reciclagem do material que restou da implosão. 'Esse material será totalmente reaproveitado. Vamos dar início a esse trabalho amanhã (segunda, dia 30) e deve durar até novembro. A próxima etapa será a terraplanagem, depois a construção das fundações e, em seguida, as estruturas. Só a partir de dezembro, a nova arena será percebida pela população', prevê.
Copa 2014
Logo após a implosão, o secretário extraordinário para Assuntos da Copa, Ney Campello, entregou ao ministro dos Esportes, Orlando Silva, a carta-proposta e o bidding book, oficializando o pleito para que Salvador sedie a festa e o jogo de abertura da Copa 2014. O anúncio de que São Paulo vai construir um novo estádio com o mesmo intuito, não desanimou Campello. 'Este anúncio que aconteceu nos dois últimos dias é reflexo do posicionamento da Bahia em sediar a abertura dos jogos. E não passa de uma reação do Sudeste. Não há uma definição sobre a cidade-sede da Fifa. O que existe é uma proposta do presidente do Corinthians, que o estado e a prefeitura dizem apoiar', explica Campello.
Com o argumento de que são exigidos 60 mil assentos livres e o projeto de São Paulo só contempla 48 mil, o secretário acredita que a Bahia está na dianteira, já que a arena possui financiamento garantido e tem prazo de entrega definido, além de contar com o apoio do governo.
Além de futebol, a nova arena, que terá capacidade para cerca de 50 mil pessoas em assentos cobertos, vai contar também com restaurante panorâmico, museu do futebol, lojas, centro de negócios, 70 camarotes e 1.978 vagas de estacionamento. Durante toda obra, serão gerados cerca de 1,5 mil empregos diretos, e no período de funcionamento, 2,5 mil empregos diretos.
O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Nilton Vasconcelos, acrescentou que a construção do estádio vai trazer uma série de benefícios estruturais para o estado. 'O cronograma está seguindo quatro importantes ações, uma delas é o aeroporto, com intervenção de reforma e construção de um novo posto de controle, uma área portuária com terminal para 15 a 18 mil pessoas. Há também o sistema de transporte de ônibus rápido BRT, para mobilidade urbana, além de investimentos na área hoteleira, no acesso do entorno imediato ao estádio, que deve ficar pronto em dezembro de 2012.
Emoção
O ex-ponta direita do Bahia e do Vitória, Osny, disse estar muito contente, pois uma nova arena com condições mais adequadas de abrigar o torcedor baiano será erguida. 'A Fonte Nova estava precisando de grandes reformas. Nós teremos um estádio digno de primeiro mundo. E é o povo que vai ganhar com isso. As emoções vividas aqui foram inúmeras. Nesse arena, eu não vou jogar, mas vou ser torcedor. Uma nova era se inicia', declarou.
Fonte: Agecom
Em 28/08/2010.